Christine Alencar

Melomaníaca, nordestina sem sotaque, aprendiz de escritora. Futura mochileira e talvez um dia, esposa do Marcos Ramos.

Seu nome te representa?

Alguma vez na vida já te chamaram por um nome ou apelido que você não gosta, ou que não se parece nada com você? Não é muito divertido não é? Pois saiba que existem pessoas que são obrigadas a conviver com isso desde o nascimento e muitas vezes até o último dia de vida.


trans.jpg Imagem: Sinais da Fênix

Essa semana uma grande conquista para pessoas trans foi alcançada na Universidade Estadual de Ponta Grossa no Paraná, a aceitação do uso de seus nomes sociais em realização de concursos, vestibulares, e admissão de professores e funcionários.

A acadêmica do curso de Farmácia Alicia Krüger, representante discente do Conselho de Administração da instituição, encaminhou o pedido ao Reitor da UEPG em fevereiro deste ano e essa semana foi aprovado.

“O processo estenderia o direito do uso do nome social por pessoas travestis e transexuais, além do uso em âmbito interno à Instituição, que compreende chamadas públicas internas, registros em diários de classe; de nome na biblioteca e todos os demais documentos internos que não se tornem públicos, também ao uso desse nome social já na prestação dos diferentes concursos da UEPG”.

foto.jpg Imagem: Divulgação

Pois é, em pleno ano de 2014, algo que já deveria ser aceito na galáxia, agora que se tornou realidade e apenas nessa universidade. Superamos o ''fim do mundo'', mas não damos conta do preconceito. É incrível como algo que (a meu ver) deveria ser tão simples e natural, precisa de tanta burocracia pra se tornar realidade. Não entendo qual a dificuldade em chamar alguém da forma como ela gosta de ser chamada, em tratar uma pessoa como ela escolheu ser tratada.

Pra quem não entendeu, vou explicar, quando você nasce, lhe é dado um nome pelo qual você é reconhecido pela sociedade, no entanto, isso não quer dizer que você se reconheça nesse nome. E é isso que acontece com as pessoas trans, elas simplesmente não se reconhecem no nome que lhes foi dado.

Fazendo uma comparação bem tosca, o nome civil pra uma pessoa trans, é como um apelido que te colocam sem que você peça, sem que você queira, sem que você goste ou aceite, e pior, sem que te represente. Ninguém gosta de ser chamado por um apelido ruim, tem gente que não gosta de ser chamado por apelido nenhum, nem por abreviações do seu próprio nome, então porque quem é trans precisa ser obrigado a isso?

Ao perguntarem quem somos, temos o direito de nos apresentarmos com um nome que nos represente, que não nos deixe constrangido e que não fira nosso direito de escolha, e a sociedade tem o dever de aceitar e nos tratar como decidimos ser tratados.

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Parabéns à Alicia pela iniciativa e à UEPG por ter aceitado o pedido e dado o ''start'' pra que as outras instituições se abram à diversidade. Essa é uma grande vitória não só para as pessoas trans, mas para a sociedade como um todo, apesar da lentidão, é possível ver que muitas conquistas já foram alcançadas em prol da igualdade e da aceitação de quem queremos ser. Falta muito, MUITO mesmo, mas tudo o que se precisa para uma boa caminhada, é dar o primeiro passo, seguido de outro e mais outro e mais outro...

Que nossas escolhas sejam respeitadas e que possamos decidir quem desejamos ser e como queremos ser chamados.


Christine Alencar

Melomaníaca, nordestina sem sotaque, aprendiz de escritora. Futura mochileira e talvez um dia, esposa do Marcos Ramos..
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