Christine Alencar

Melomaníaca, nordestina sem sotaque, aprendiz de escritora. Futura mochileira e talvez um dia, esposa do Marcos Ramos.

Das cartas que nunca serão enviadas

Cartas... são o que ficam quando não sabemos o que fazer com o sentimento que sobrou depois do fim. Se você nunca escreveu uma, pode ter certeza que um dia o fará. Cartas como essa, que um dia foi escrita, com a certeza de que o destinatário nunca a receberia... ele não precisava receber.


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"Eu sempre acreditei que a noite foi feita para pensar, só não imaginei que tantas das minhas, seriam gastas pensando em você. Já faz muito tempo desde que esse vazio se instalou dentro de mim, busquei inúmeras formas de preenche-lo, com lugares, momentos, algumas pessoas, não funcionou. Você apareceu e conseguiu fazer com que esse vazio não existisse mais, ou pelo menos o tornou indolor e foram tempos mais fáceis de viver. Nada me deixava mais feliz do que bancar a boba para te fazer dar risada e isso era suficiente pra eu superar os dias mais nebulosos. Agora, depois que eu precisei te deixar ir, mesmo sem que você quisesse, sinto como se meu corpo estivesse oco, parece que tudo que morava aqui dentro, foi embora junto com você, e cada milímetro de mim quer gritar pra você voltar e nunca mais ir embora.

Eu só queria ser forte o suficiente para conseguir suportar a dor de te manter perto, mesmo sabendo que és de outra. Eu achei que a vida estava me dando uma chance, que pelo menos dessa vez eu tinha conhecido o cara certo e que poderia voltar a sorrir como há muito não acontecia. Em partes eu não errei, você era o cara certo, bom caráter, nerd rs, bom gosto musical, me fazia rir, gostava de conversar, de The Hobbit rs, e a pessoa mais incrivelmente doce e fofa do universo, que mudava o meu humor pro melhor possível cada vez que fazia meu celular vibrar com uma mensagem. Definitivamente você era o cara certo, mas não podia ser, não pra mim, e mais uma vez eu me odiei por isso. Me odiei por não ser alguém por quem você poderia se apaixonar, me odiei por ser tão fraca a ponto de não tentar mais, me odiei por ter cedido a um impulso que eu sabia que poderia trazer de volta esse vazio, me odiei por mais uma vez ter sido sincera, por mais uma vez ter tentado e agora me odeio por não ser ela.

Mas apesar disso tudo, eu não me arrependo daquele bilhete entregue na saída do ônibus, porque eu sei que você nunca vai me esquecer, que inúmeras coisas vão acontecer na tua vida e muitas delas irão fazer com que você se lembre de mim, com carinho, talvez até sinta saudades, e isso me conforta. E por mais que eu esteja aqui, falando comigo mesma, sabendo que essas palavras nunca serão lidas por você, eu precisava dizer pra alguém (mesmo que esse “alguém” seja o teclado de um notebook), o quanto te ter na minha vida foi significativo e que nada no mundo vai ser capaz de me fazer te esquecer por completo. Espero um dia estar pronta para voltar pra tua rotina, da forma como você sempre quis... como amiga, e espero que você me aceite de volta.

p.s. Te amo"


Christine Alencar

Melomaníaca, nordestina sem sotaque, aprendiz de escritora. Futura mochileira e talvez um dia, esposa do Marcos Ramos..
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