Christine Alencar

Melomaníaca, nordestina sem sotaque, aprendiz de escritora. Futura mochileira e talvez um dia, esposa do Marcos Ramos.

Devaneios de uma sexta à noite


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Luzes apagadas, o silêncio tomando conta do quarto, exceto pelo barulho da chuva fininha lá fora. Deitada de olhos fechados, ela observa sua própria vida sendo desenhada no vazio. Rostos de pessoas que vieram e ficaram, outras que apenas passaram sem deixar nada além da sua fisionomia.

Vozes que narram sua vida como quem lê uma peça de teatro. Imagens de sorrisos tão sinceros se formam, seguidas de lágrimas tão reais, que ela é capaz de senti-las escorrer pelo seu rosto aparentemente adormecido.

É assim que ela tem vivido os últimos dias, mergulhada na própria história, em busca de respostas para inúmeras perguntas que atormentam a vida de tantas pessoas, sempre que algo dá errado. Ela passa horas e horas perdida nesse ritual diário, que só se completa quando a mente alcança a exaustão e cede ao sono que esqueceu dos bons modos e entrou sem pedir licença.

Ela tem consciência de que não vai encontrar nada ali, nem erros, nem tropeços – por mais que eles existam – e sabe que mesmo que encontrasse, não faria diferença, ela não iria fazer de outro jeito, ainda que insista no contrário.

Até as atitudes mais impulsivas, são tomadas por alguma razão lógica que só o seu subconsciente pode lhe dizer.


Christine Alencar

Melomaníaca, nordestina sem sotaque, aprendiz de escritora. Futura mochileira e talvez um dia, esposa do Marcos Ramos..
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