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Lucas Guarnieri

Lucas Guarniéri, 21 anos. Estudante de Comunicação, inquieto cultural e colecionador de projetos.

1 ano de Pure Heroin: o que mudou?

Pure Heroin, primeiro álbum da neozelandesa Lorde está prestes a fazer um ano. O que mudou de lá pra cá? Qual foi a relevância da cantora e seu disco para aquele momento?


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Faz quase um ano que o Pure Heroine foi lançado. Fui incumbido de fazer a resenha naquela época e por conta do descaso não fiz. Não me arrependo de ter tomado esse tempo para dedicar algumas linhas ao álbum. É como se eu precisasse de uma distância confortável para conseguir analisá-lo sem a ótica distorcida. Aliás, todos aqueles que caíram de joelhos na época precisavam desse afastamento.

A fins de contexto, acompanhei a neozelandesa de apenas dezessete anos desde quando suas primeiras músicas pipocaram na internet e o mundo não conhecia seus cachos armados. Era impraticável a ideia de não se deixar se espantar diante do talento precoce da menina. Músicas suaves e cheias de mel, deliciosas de se escutar. Quando enfim, a versão estúdio com faixas inéditas foi lançado, o título do disco parecia sintetizar todo o conjunto a quem o ouvia. Heroína Pura, viciante.

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E foi assim por um tempo. Lorde estava no celular, na playlist, e até parei no palco alternativo do Lollapalooza desse ano para ver o show da moça. Um inferno de gente. Todos se acotovelando para ver a menina de andar estranho e cabelos encaracolados que teimavam em se mover com a brisa da noite paulistana. Era uma incógnita analisar como ela, vindo dos confins do ungerground e alçada pelos indies, agora era ícone pop. O mesmo aconteceu com Lana Del Rey e os gostos do público daquele show se resumem a isso, adicionando artistas como Adele, Lykke Li e Ellie Gouding.

A simbiose sempre foi clara, identificação a primeira ouvida. “We live this cities you’ll never see on screen”. Lorde soube como falar diretamente com os jovens que são inquietos com a realidade em que vivem. Consegue laçar até quem está fora da faixa dezoito-trinta-e-cinco com batidas ritmadas e contagiantes como as de Buzzcut Season e Team. “Explosions on TV...” ecoa dias a fio. E Royal, principal hit, está na ponta da língua de qualquer pessoa com acesso a um rádio ou banda larga. Com direito a cover de Bruce Springsteen e elogios de Dave Grhol. Ficou até a frente dos vocais do tributo ao nirvana. Brinca com ela.

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Analisar o conjunto um ano depois é chegar ao consenso que Lorde não faz mal nenhum em seu lugar no mainstream. Já suas rivais acham o contrário, afinal, tomou para si o topo da Billboard e por lá ficou por um bom tempo. É deleitoso ver todos os esforços de destroná-la reduzidos a pó. Ainda mais que não apelou para a exploração do corpo e nem se apoiou em músicas pré-moldadas resultantes de relacionamentos fracassados. E deixou claro em bom inglês ácido que tem personalidade nesse amontoado de sacos vazios da música pop. Lilly Allen bem avisou em sua música Sheezus, “Lorde smells blood, yeah she's about to slay you. Kid ain't one to fuck with when she's only on her debut”

Se ela veio pra ficar não importa. Não interessa se o segundo álbum vai seguir o caminho do primeiro. A menina que olha torto para o collant e faz show toda vestida de preto, que fala sobre os pesares de sua juventude se fez notável no momento certo. Ouvir o álbum hoje, um ano depois, é perceber que diante de toda efemeridade desse meio, esse apagou a primeira velinha com pedido de prosperidade.


Lucas Guarnieri

Lucas Guarniéri, 21 anos. Estudante de Comunicação, inquieto cultural e colecionador de projetos. .
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