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Bem vindo ao meu alpendre. Puxe a cadeira de fio mais próxima e deixe-se afetar.

Lucas Guarnieri

Lucas Guarniéri, 21 anos. Estudante de Comunicação, inquieto cultural e colecionador de projetos.

Assista Twin Peaks

Uma das séries mais famosas de todos os tempos vai retornar, e aqui estão alguns motivos para você começar a assisti-la agora.


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Assim mesmo, no imperativo. Quase como “Compre Batom”. Tome como uma ordem. Compre dois boxes da série, um para você e um para o seu melhor amigo. Já te digo o por quê.

É o seguinte, sempre me pedem indicações de séries, ou até mesmo eu meto o bedelho quando os papos são direcionados para esse assunto. De cara já indico Twin Peaks. Logo depois vem a famosa pergunta:

“A série é sobre o que?”

Odeio esse tipo de pergunta. “O filme fala de que?”, “O som deles se parece com o de quem?”. Reduzir a sua possibilidade de gostar de algo por categorias é ter, no mínimo, uma mente com leves guinadas ao estreitamento. Ora, tire a prova você mesmo.

Quando é amigo não perdôo. “Confia em mim? Então assiste”.

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Mas para minimizar esforços, vou tentar elucidar nesse texto porque eu acho que todo mundo deveria assistir Twin Peaks.

Primeiro de tudo, sabe quando acontece alguma tragédia na nossa vida? Quando nosso cachorro morre, um ente querido, quando somos demitidos ou perdemos a pessoa amada e, subitamente, a temperatura do mundo parece diminuir uns dois graus célsius? Fica aquela atmosfera gélida e triste, que cria o ambiente perfeito para que a solidão se instale. Pois bem, você vai se sentir assim do o piloto até a season finale.

Embora as situações onde essas sensações aconteçam sejam infelizes, esse modo incomum de percepção é essencial para entrar em sintonia com os episódios. O ente querido que morre na série é a Laura Palmer, personagem principal. Logo de cara. A partir daí é dado o gancho para o desenrolar da série. Os personagens começam a ser introduzidos. Uns mais incríveis que os outros.

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É impossível não se deliciar com os estranhos costumes e o carisma inegável do agente especial Dale Cooper do FBI que vem até a cidade apurar a morte da jovem. Difícil também, não se apaixonar pela cidade, assim como faz o investigador ao elogiar desde o cheiro dos pinheiros até a deliciosa combinação de café preto e torta de cereja.

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Outro argumento forte que comprova a supremacia de Twin Peaks é o de ter sido criada e escrita por David Lynch. Só ele consegue criar uma personagem que conversa com um tronco. Outro que tem um nível elevado de surdez protagonizando cenas engraçadas e conduz o departamento do FBI onde o agente Cooper trabalha. Além do bônus de ter ganhado vida pela atuação do próprio diretor. As personagens femininas também não ficam atrás. Shelly, garçonete da lanchonete “Double R”, quase tira o foco das comidas servidas e o direciona para si mesma. Audrey e sua rebeldia são tão cativantes quanto a sensatez de Donna. Como se tudo isso não fosse o bastante, elas são lindas.

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A série tem duas vertentes. Na primeira temporada ela é suspense puro, pois tudo converge para a solução do crime e a identificação do assassino. Já na segunda, ela assume um caráter mais sobrenatural que é marca registrada de David Lynch. Para aqueles que já estão habituados com o estilo do diretor de filmes como o “O Veludo Azul” – também protagonizado por Kyle MacLachlan –, “O Homem Elefante”, e “Cidade dos Sonhos”, Twin Peaks pode descer fácil. Já para quem nunca teve contato, o estranhamento é superado pelo encanto com o emaranhado de emoções e significados que a série propicia, os percalços percorridos no intuito de combater os demônios interiores e a curiosidade em saber como tudo se encerra.

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Se te falta tempo, te ganho no papo. São apenas duas temporadas. A primeira tem oito episódios. A segunda, felizmente, um pouco mais, vinte e dois. Se para você não faz sentido ver uma série que já acabou - e devo dizer que acabou de forma inesperada por problemas técnicos - foi anunciado recentemente que a série irá retornar em 2015, com David Lynch e Mark Frost no comando, assim como antes. Outro ponto que vale ressalvas é a trilha sonora composta por Angelo Badalamenti que é fundamental na tarefa de criar o clima tão peculiar de Twin Peaks. Nos DVDs oficiais, além de vários extras, cada episódio conta com uma introdução da mulher do tronco, uma das personagens mais excêntricas da série, que faz suas previsões e transmite mensagens codificadas.

Bom, então esses são meus motivos para você não deixar de assistir Twin Peaks. Vou usar esse texto para enviar para os meus amigos ou toda a pessoa que me peça indicação de alguma série. Obviamente existem outros inúmeros motivos que confirmam que Twin Peaks é uma das melhores séries já feitas, além do sucesso que fez quando foi lançado. Então chame seus amigos, deite em uma posição confortável, sirva-se de pipoca e dê play. Mas não se esqueça:

"The owls are not what they seem".

Lucas Guarnieri

Lucas Guarniéri, 21 anos. Estudante de Comunicação, inquieto cultural e colecionador de projetos. .
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