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De gênio, cinéfilo e louco...

Júlio César do Nascimento

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Os cinco filmes que você encontra no Oscar

Prepare-se para torcer, no dia dois de março, para um dos cinco tipos de filmes que sempre aparecem entre os indicados ao mais famoso (e controverso) prêmio do cinema mundial.


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A tradicional festa do Oscar talvez já não seja a premiação de maior relevância em termos de qualidade cinematográfica atualmente, visto que outros festivais, como Cannes e Veneza, ganham maior visibilidade a cada ano. Porém, é inegável que a popular premiação americana ainda é a mais esperada, mais vista e mais comentada pelos amantes do cinema. Desde 2010, a Academia aumentou o número de concorrentes ao Oscar de melhor filme, podendo ser nomeados até dez filmes para o prêmio principal. Dessa forma, uma gama maior de gêneros, representados por películas que antes dificilmente figurariam entre os cinco finalistas, agora tem a chance de concorrer à desejada estatueta. No entanto, se tomarmos desde o período quando houve a mudança nas regras de indicação, há cinco tipos de filme (fazendo referência ao livro As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu), que sempre parecem estar entre os finalistas, coincidências à parte. São eles:

1. O filme “I love you, USA.”

Americanos adoram exaltar o amor que sentem pelos americanos (embora eles não admitam explicitamente que determinados filmes carreguem esse sentimento). Mas a verdade é que sempre há um concorrente que “puxa a brasa” para a sardinha deles. Em 2010, tivemos Guerra ao Terror, que (inesperada, mas merecidamente) levou a estatueta. O título do filme é autoexplicativo. Já em 2011, Bravura Indômita, e em 2012, Cavalo de Guerra, concorreram, bem, porque a Academia ama os Irmãos Coen e o Tio Spielberg, respectivos diretores, já que as películas em questão são bons filmes, mas nem de longe são os melhores trabalhos desses realizadores. Em compensação, 2013 teve ufanismo em dose dupla, com as indicações de A Hora mais Escura, da Katherine Bigelow, e Argo, do Ben Affleck, com direito até do anúncio do vencedor pela primeira dama Michelle Obama. Para 2014, o filme Capitão Phillips, protagonizado pelo outro queridíssimo Tom Hanks, já é um dos mais cotados.

captain_phillips.jpg Tom Hanks em Capitão Phillips

2. O blockbuster “com conteúdo”

Cada vez mais, os estúdios percebem que não adianta fazer só o puro cinema pipoca, pois uma parte da audiência sai da sala com aquela impressão de que assistiu a um filme grandioso, mas vazio. Dessa forma, a tendência é de que as superproduções tragam alguma mensagem política, vivencial, ou que façam minimamente o espectador pensar sobre o que assistiu. Em 2010, dose dupla: Avatar e seu manifesto ecológico, e Distrito 9 e a discussão sobre segregação racial (no caso aqui, entre humanos e alienígenas). Em 2011, Christopher Nolan nos presenteou com o mindfuck A Origem (Inception), que eu acredito que muita gente até hoje ainda está boiando sobre o que assistiu... Já Scorsese, em 2012, e o seu A Invenção de Hugo Cabret, trouxe a tecnologia num exercício de metalinguagem para fazer referencia à origem do cinema. E em 2013, as lições de vida trazidas por Ang Lee (que levou Oscar de direção) e o seu As Aventuras de Pi, extrapolaram os excelentes efeitos visuais. Alguém duvida que esse ano a ficção científica com contornos existenciais Gravidade (meu fôlego ficou naquela sala de cinema) não será indicada?

gravidade-5.jpg Sandra Bulock em Gravidade

3. O filme “Mas temos que agradar a crítica também.”

Claro, não queremos provocar a cólera dos deuses que dedicam sua vida a serem críticos de cinema. Em 2010, tivemos o ácido Um Homem Sério, dos Irmãos Coen (vocês de novo!), que também concorreram a melhor roteiro original. Em 2011, o simpático Minhas Mães e Meu Pai obteve aclamação por parte da crítica especializada, mas quem roubou a cena mesmo foi Annette Bening, e sua ótima atuação. Terrence Malick e o seu belíssimo e chat... ops, contemplativo A Árvore da Vida, já vencedores da Palma de Ouro em Cannes, ocuparam o posto em 2012. No ano seguinte, ele: o austríaco Haneke, e seu cinema inexorável como uma espada samurai, fizeram Amour arrastar elogios, ovações, lágrimas e prêmios por onde passaram. A aposta para 2014 é Inside Llewyn Davis, dos Irmãos Coen (outra vez?!), também aclamado em todos os festivais onde foi exibido.

inside-llewyn-davis-oscar-isaac-justin-timberlake (1).jpg Oscar Isaac e Justin (não tinha voltado a cantar?) Timberlake, no novo filme dos Irmãos Coen.

4. O filme independente (pois o Oscar também tem que ser cool)

Não curte cinema comercial? Prefere o circuito alternativo? Seus problemas acabaram: com um número maior de filmes concorrendo, sempre entra uma produção independente na disputa pra você torcer, mesmo sabendo que ela não vai ganhar. Em 2010, tivemos o ótimo e pungente Preciosa, segundo filme do diretor Lee Daniels. Em 2011, Jeniffer Lawrence, a nova queridinha da Academia, já mostrava que não é apenas mais um rostinho bonito em Inverno da Alma. A exceção se deu no ano de 2012, onde não tivemos entre os concorrentes nenhum filme com fama advinda dos festivais independentes. Uma grata surpresa foi ver o iraniano A Separação concorrer a melhor roteiro original. Em 2013, Indomável Sonhadora fez bonito em Cannes, vencendo o Caméra d’Or, e também foi premiado em Sundance. Mas como não se apaixonar pela protagonista Quvenzhané Wallis, a mais jovem a ser indicada ao Oscar de melhor atriz? Para este ano, a aposta é o drama Fruitvale Station: A Última Parada, já vitorioso em Sundance e em vários outros festivais.

FRUITVALE_900x600_01.jpg

5. O filme “Cara de Oscar”

Finalmente, aquele filme que você assiste e logo pensa: “Esse vai levar todos os Oscars!”. Mas às vezes a expectativa vem acompanhada da decepção. Em 2010, Avatar, o grande favorito, não levou. E James Cameron ainda teve de engolir a ex-mulher faturando o Oscar de direção. Já em 2011 e 2012, os filmes O Discurso do Rei e O Artista, respectivamente, levaram sem surpresas a estatueta com o rótulo assumidamente “cara de Oscar”. No ano passado, os dois maiores concorrentes eram as superproduções Os Miseráveis, musical baseado na obra do escritor Victor Hugo, e Lincoln, do Tio Spielberg. Acabaram perdendo para Argo, talvez numa crise de consciência da Academia, que deixou Ben Affleck fora da disputa pelo prêmio de direção. A grande aposta para esse ano é o drama 12 Anos de Escravidão, novo trabalho do diretor Steve McQueen, filmão do jeito que a Academia gosta. E alguém duvida que ele não irá ganhar?

12-Years-A-Slave.jpg Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender em 12 Anos de Escravidão.


Júlio César do Nascimento

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