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Arte, Cultura & Sociedade Atual

João Paulo de Oliveira

Jornalista, escritor e produtor compulsivo de conteúdo
- AmalgamaCultural.net -

Lasar Segall - estrangeiro de nós mesmos

Lasar habitou o Brasil e nosso país passou a habitá-lo em tons de certa melancolia, em suas telas e paletas. Retratou a natureza do estrangeiro em terras tupiniquins; o nascimento de um povo que se urbanizou de forma desenfreada e inconsciente; as feições dos casais, das famílias, das mulheres e de onde viviam. Pintou, esculpiu, gravou da chegada dos imigrantes ao espaço rural; das famílias aos centros urbanos, do rosto triste da prostituta ao infeliz da imigrante.


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Quem não é estrangeiro? Levante o dedo quem possa afirmar que é sim, originário, filho puro de uma terra! Para nós, brasileiros, isso fica ainda mais complicado de se afirmar. Entretanto, a ignorância dos olhos soberbos leva dor e destruição pelo mundo afora, justamente, porque pensam ser donos de algum território, de alguma coisa. Nossa ancestralidade e atualidade é só passagem, é de um nomadismo permanente.

Lasar Segall (1891-1957) foi um artista de origem judaica, nascido na Lituânia que emigrou para o Brasil em meados da década de vinte, do último século. Escultor, pintor, gravador e desenhista, iniciou estudos em sua terra natal, mas com pouco mais de 15 anos já estava em atividade, na Alemanha. Foi reconhecido como um dos artistas do segundo ciclo do expressionismo. Antes, porém, interessou-se pelo impressionismo e este dá o tom de sua primeira exposição individual, em 1910, na Galeria Gurlitt, em Dresden. Lá, estudou na Academia de Belas Artes e foi um dos membros fundadores do Dresdner Sezession Gruppe.

Primeiros trabalhos com influência clara do impressionismo, principalmente, Jozef Israël e de Paul Cézanne

Em 1913, realiza exposição em São Paulo e Campinas. A partir da primeira guerra mundial (1914-1918) sua obra passa a refletir suas preocupações sociais e humanitárias. Fixa-se de vez no Brasil, na década seguinte e passa a retratar nosso povo em suas telas. Ao iniciar sua trajetória por aqui, reside primeiramente no Rio de Janeiro, onde tem contato com a vida boêmia do porto e com prostitutas, que lhe servem de modelo.

Lasar habitou o Brasil e nosso país passou a habitá-lo em tons de certa melancolia, em suas telas e paletas. Retratou a natureza do estrangeiro em terras tupiniquins; o nascimento de um povo que se urbanizou de forma desenfreada e inconsciente; as feições dos casais, das famílias, das mulheres e de onde viviam. Pintou, esculpiu, gravou da chegada dos imigrantes ao espaço rural; das famílias aos centros urbanos, do rosto triste da prostituta ao infeliz da imigrante. Fez de si um artífice da vida brasileira das décadas de 20 a 50. O Museu Lasar Segall fica próximo ao metrô Santa Cruz (linha azul), na Vila Mariana - rua Berta, 111. Visite!


João Paulo de Oliveira

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