amor fati

Alguém que diz sim

Renato Xavier

Escrever é a extensão do pensar.

De livros que mudam a vida

Livros que mudam a vida são muitos e, por vezes, até os que ainda não lemos.


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O texto de hoje não trata de livros específicos, como pode nos enganar o título. Livros que mudam a vida são muitos e, por vezes, até os que ainda não lemos.

Hoje acordei pensando exatamente assim: novas formas de pensar; novas ideias e; porquanto, mudado estou. Questiono-me se são mesmo os livros que me mudam ou eu que mudo os livros quando os leio. Por sorte, leio-os de uma forma que mudariam mesmo se não os lessem.

Mas especialmente hoje senti uma mudança fundamental, depois de me deitar com um desses livros mágicos à cabeceira.

Poderia bem citar o nome do livro em questão, mas incorreria na falsa ideia de que este feito, de mudar a minha vida, seria exortado a outrem, quase que como uma daquelas formulas universais as quais a fé e a ciência intenciona nos impor.

Por isso, não quero falar do livro mas, ao contrário, de livros.

Precavi-me também de não relacionar qualquer mudança ao “espírito de final do ano”, tempos, estes, em que estamos/somos susceptíveis a energia interior (e exterior) que modifica percepções.

Não sinto fluir novas afeições porque tão pronto será natal. Alias, em se tratando de natal, este é o momento exato de alimentar o corpo em excesso, e dizem que a alma se purifica no ano que vem. Bobagem, talvez.

Livros mudam a [minha] vida a todo o tempo e, particularmente, a vida hoje. Reservadamente, porque mudanças não param de existir, mas nem sempre estou disposto a pensá-las e a discuti-las. E, como um rio, as mudanças seguem um fluxo natural do devir-pessoa sem que necessariamente um livro reine sobre elas.

Filmes também são capazes de mudar o percurso das coisas. Ou talvez de acelerar a precipitação d’água d’uma cachoeira. Igualmente, às musicas. Embora o poder da música seja precisamente o de nos reconduzir a lugares-outrora-comuns e, dos filmes, a lugares-incomuns - não experimentados.

Dos sonhos também não podemos esperar a metamorfose ideal, uma vez que eles [os sonhos] estão nos subterrâneos da nossa produção da [in] consciência.

Os livros, portanto, mudam percepções e, no meu caso, perspectivas do que observo e do que penso, inter alia.

Essa relação da cria com o criador, do livro com o leitor, se desfaz ao final das páginas e mesmo que venha a se reconstruir numa possível segunda-leitura, jamais o fará do mesmo modo, visto que o livro em questão foi capaz de mudar a própria forma de encará-lo - bem dizia Borges.

É o que Deleuze e Gattari chamaram de “rizoma”. O caule cresce horizontalmente a-parelelo com o mundo, e no meu caso, a-parelelo com o meu mundo.

Livros que mudam a vida são pessoas vivas. São, portanto, imortais.


Renato Xavier

Escrever é a extensão do pensar. .
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