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Relativizando o movimento e o referencial

LuhanaSP

Palavras libertam sentimentos - movimento contínuo

Vitrines transparentes

A fonte de luz ou o enquadramento da paisagem, ponto de vista, perspectiva - tudo isso diante de uma janela. Os vidros e as paredes vazadas. A importância das janelas em nossa arquitetura contemporânea.


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As construções são caixas, sem as janelas não poderíamos olhar para fora. Sem os vidros os obstáculos à percepção seriam maiores. A etimologia da palavra window traz a combinação de dois elementos descritivos importantes de wind (vento) e eye (olho) - ventilação e percepção. Um olho direcionado também para o interior, porque torna viável um equilíbrio entre os entes de uma habitação, sobretudo os seres vivos.

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A arquitetura realiza intervenções e cria uma forma de cobertura, mas não apenas com foco nas paredes. A estrutura desempenha um papel secundário, sua função principal é manter a vida, a funcionalidade, o sentido de uma construção. A tarefa do arquiteto é fornecer um espaço acolhedor onde se possa viver. E buscar uma vista é uma questão chave para valorizar uma edificação pelo lado de fora, como por aqueles que a contemplam do interior. Uma evolução do pensamento arquitetônico em que "a casa" é uma célula provida de visão. Janelas, vidraças, transparências.

Observando o espaço circundante é possível entender que as paredes vazadas acabam estabelecendo a linguagem do voyeurismo. Nenhum detalhe passa despercebido quando uma janela está em foco, sob as luzes, aberta à curiosidade alheia no que toca a necessidade de perceber o outro e não estar só, mesmo que morando sozinho. Acreditar neste conceito é admitir a percepção do espaço além das suas representações. Um espaço construído, mas, não fechado em si mesmo, mostrando que o vizinho existe, pode ser visível, acessível, frágil até, e, por conseguinte, respeitar as fragilidades que uma vidraça impõe.

Em um trecho do livro Urbanismo(1925), Le Corbusier descreveu: "Loos um dia me disse: um homem cultivado não olha pela janela; sua janela é um vidro opaco; está ali apenas para deixar a luz entrar, não para dar passagem ao olhar".

As janelas são molduras para o olhar do mundo e de dos moradores habitantes de seus perímetros interiores.

Janelas em evolução - Scape House

Um arquiteto japonês, o Kouichi Kimura,ficou muito famoso por projetar casas com apenas 2,7 metros de largura. No Japão, os espaços são preciosos e os panoramas principalmente.

O projeto “Scape House” em alusão, tanto ao verbo escapar quanto ao cenário (landscape), Kimura valoriza a arquitetura com volumes em simetria, praticamente uma obra de arte cubista.

"Projetado por seu estúdio – FORM – as janelas ocupam uma posição de destaque: elas desenham a luz, tanto pelo lado de dentro, de quem vive na casa, quanto pelo lado de fora, de quem observa a obra. O arquiteto então estabeleceu um jogo entre pequenas e grandes janelas, quebrando simetrias e brincando com as aberturas".

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A janela recorta a realidade que o arquiteto estabeleceu e a escolha deliberada pela parte da paisagem o habitante da casa deverá ver. Assim é possível destacar as melhores vistas.

Outra assinatura do projeto são as janelas de dentro que permitem intensificar o olhar interior e o efeito psicológico desta arquitetura. "Quem está no escritório da casa pode observar o andar abaixo, por exemplo. E ainda assim, ficar em quietude".

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