Anna Anjos

Anna Anjos é ilustradora e artista visual. Apaixonada por música, mitologia, folclore e antropologia cultural. | www.annaanjos.com

Antônio Poteiro, o criador de mundos

Matéria-prima da criação, o barro encontrou sua forma na temática religiosa. Retroalimentaram-se nas mãos habilidosas do artista Antônio Poteiro e transcenderam os limites da poética visual.


antonio_poteiro

poteiroAntônio Poteiro em seu ateliê, em Goiânia (Foto: M. Lobo)

Antônio Batista de Sousa (ou simplesmente Antônio Poteiro) nasceu na Província do Minho, em Portugal, mudando-se ainda criança para o Brasil. Morou em São Paulo, Minas Gerais, radicando-se mais tarde em Goiânia até seu falecimento, em 2010. Tal como o sobrenome sugere, Poteiro iniciou a vida artística com seu pai (o ceramista Américo Batista de Souza) e com ele aprendeu a confeccionar potes e utensílios domésticos. Das hábeis mãos do autodidata Antônio Poteiro nasceram santos, urnas e animais sagrados. Matéria-prima da criação, o barro encontrou sua forma na temática religiosa. Retroalimentaram-se nas mãos do artista, transcendendo os limites da poética visual.

antonio_poteiroSem título, escultura de Antônio Poteiro antonio_poteiro"A Promessa", escultura de Antônio Poteiro

antonio_poteiro"Flores" (90cm x 100cm), de Antônio Poteiro

Em 1972, incentivado por Siron Franco, Poteiro iniciou-se na pintura. Sem quaisquer desenhos previamente esboçados sobre as telas, o artista registrava ali seu imaginário lúdico e sagrado. O folclore brasileiro (principalmente as cavalhadas e cirandas) foi outra temática recorrente na obra de Antônio Poteiro, que se valia do uso de cores primárias com uma harmonia extraordinária.

antonio_poteiro"Cavalhadas" (85cm x 70cm), de Antônio Poteiro

poteiro"Ciranda" (60cm x 70cm), de Antônio Poteiro, 2006

antonio_poteiro"Ceia dos Descamisados" (90cm x 140cm), de Antônio Poteiro, 1991

Em 1978 lecionou cerâmica no Centro de Atividades do SESC, no Rio de Janeiro. Participou por duas vezes da Bienal Internacional de São Paulo (em 1981 e 1991). Alguns anos mais tarde foi convidado para participar de Feiras Internacionais em Hannover e Düsseldorf. Dois anos depois recebeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na categoria escultura. Expondo em mais de vinte países, o artista recebeu inúmeros prêmios em salões de arte plásticas, com amplo reconhecimento da crítica.

Em 1983 foi dirigido por Antônio Eustáquio o documentário "Antônio Poteiro: o Profeta do barro e das cores". A respeito do modo vigoroso com o qual Poteiro empreendia em cada uma de suas obras, disse certa vez o crítico e cineasta Tavares Araújo: "É que certamente uma força telúrica o anima (...). Ao mesmo tempo em que faz com as mãos e a cabeça, sua arte finca raízes num magma que inclui seu próprio inconsciente, o inconsciente coletivo e forças mágicas, para quem nelas acredite."


Anna Anjos

Anna Anjos é ilustradora e artista visual. Apaixonada por música, mitologia, folclore e antropologia cultural. | www.annaanjos.com.
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