Anna Anjos

Anna Anjos é ilustradora e artista visual. Apaixonada por música, mitologia, folclore e antropologia cultural. | www.annaanjos.com

As plásticas sonoras de Smetak

Conhecido por influenciar Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé entre outros artistas do cenário musical brasileiro, Walter Smetak misturou sons de tambores, guitarras, poesia concreta e arte conceitual. Seus instrumentos (ou melhor, suas "plásticas sonoras") contribuíram exponencialmente para a formação do Movimento Tropicalista no Brasil e somam seguidores até os dias de hoje.


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Anton Walter Smetak nasceu na cidade de Zurique em 1913. Seu pai, um virtuose do zither (um instrumento da família da cítara muito popular na Baviera) procedeu, desde cedo, à iniciação musical do filho. Interessado pela música de Bach e Beethoven, Smetak resolveu abandonar o zither para dedicar-se aos estudos de piano. Porém, devido a um acidente com uma das mãos, Smetak foi obrigado a desistir do instrumento, passando então a dedicar-se ao estudo do violoncelo.

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Em 1929, Smetak ingressou na Escola Profissional do Conservatório de Zurique, onde freqüentou o curso de violoncelo. Alguns anos mais tarde, em 1934, diplomou-se com distinção no instrumento. Mudando-se para o Brasil, durante os anos de 1939 a 1941, foi professor de violoncelo no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. Após este período, o Rio de Janeiro tornou-se o novo destino de Smetak: trabalhou durante onze anos como músico contratado na Orquestra Sinfônica Brasileira, atuando também na Rádio Nacional, Rádio Tupi, Rádio Guanabara e no Teatro Municipal. Em São Paulo, trabalhou em 1952 no Teatro Municipal e, mais tarde, nas rádios Record, Bandeirantes e Sumaré.

smetak

Alguns anos mais tarde, em 1957, convidado para lecionar nos Seminários Livres de Música da Universidade da Bahia, Walter Smetak tomaria contato com o cenário cultural de vanguarda que ali se construía, que o distanciaria definitivamente de sua tradição musical européia. Neste mesmo ano, o músico decidiu então construir uma oficina para criação de instrumentos musicais com tubos de PVC, cabaças e isopor. Alguns deles eram verdadeiras esculturas, que revelavam o modo místico com o qual Smetak encarava a música e as formas. Tendo como base a improvisação e o experimentalismo das sonoridades indianas dos microtons, os instrumentos de Smetak apresentavam uma hibridação com o campo das artes plásticas. (Em 1968 ele já havia desenvolvido cerca de 100 instrumentos experimentais de cordas, arcos, sopro, percussão e cinéticos).

smetakPlástica sonora de Walter Smetak

Sua oficina passou a ser freqüentada por Gilberto Gil, Rogério Duarte e Tuzé de Abreu. Além deles, também foram seus alunos Tom Zé, Gereba, Djalma Correia e Marco Antônio Guimarães. Tal foi a influência de Smetak para a música brasileira que, em 1972, Caetano Veloso o citou na música Épico: "Smetak, Smetak & Musak & Smetak & Musak & Smetak & Musak & Razão".

smetak"Caossonancia", de Walter Smetak

smetak"Plástica Sonora Mimento", de Walter Smetak

walter_smetakInstrumento coletivo "Pindorama", de Walter Smetak, 1973

smetak"Tímpanos grandes", de Walter Smetak, 1970

smetakPeça da mostra "O Alquimista do Som – Coleção Walter Smetak" (Centro Cultural Solar Ferrão, Bahia, 2012)

Para Smetak, a busca de novas sonoridades - que caracteriza a música de vanguarda - seria como a porta para um novo mundo, a ser construída através da educação das mentes para uma nova estética. Tal como escreveu Augusto de Campos: "Há músicas para todos os gostos e para todas as horas. Quem só pensa em embalar os ouvidos, que fique no som-nosso-de-cada-dia. Mas quem quiser mais sabor e mais saber, não deixe de ouvir esses extras-sons que conseguiram varar o bloqueio informativo das audições de rotina. Como já disse Smetak: 'Salve-se quem souber!'"


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