Anton Walter Smetak nasceu na cidade de Zurique em 1913. Seu pai, um virtuose do zither (um instrumento da família da cítara muito popular na Baviera) procedeu, desde cedo, à iniciação musical do filho. Interessado pela música de Bach e Beethoven, Smetak resolveu abandonar o zither para dedicar-se aos estudos de piano. Porém, devido a um acidente com uma das mãos, Smetak foi obrigado a desistir do instrumento, passando então a dedicar-se ao estudo do violoncelo.
Em 1929, Smetak ingressou na Escola Profissional do Conservatório de Zurique, onde freqüentou o curso de violoncelo. Alguns anos mais tarde, em 1934, diplomou-se com distinção no instrumento. Mudando-se para o Brasil, durante os anos de 1939 a 1941, foi professor de violoncelo no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. Após este período, o Rio de Janeiro tornou-se o novo destino de Smetak: trabalhou durante onze anos como músico contratado na Orquestra Sinfônica Brasileira, atuando também na Rádio Nacional, Rádio Tupi, Rádio Guanabara e no Teatro Municipal. Em São Paulo, trabalhou em 1952 no Teatro Municipal e, mais tarde, nas rádios Record, Bandeirantes e Sumaré.
Alguns anos mais tarde, em 1957, convidado para lecionar nos Seminários Livres de Música da Universidade da Bahia, Walter Smetak tomaria contato com o cenário cultural de vanguarda que ali se construía, que o distanciaria definitivamente de sua tradição musical européia. Neste mesmo ano, o músico decidiu então construir uma oficina para criação de instrumentos musicais com tubos de PVC, cabaças e isopor. Alguns deles eram verdadeiras esculturas, que revelavam o modo místico com o qual Smetak encarava a música e as formas. Tendo como base a improvisação e o experimentalismo das sonoridades indianas dos microtons, os instrumentos de Smetak apresentavam uma hibridação com o campo das artes plásticas. (Em 1968 ele já havia desenvolvido cerca de 100 instrumentos experimentais de cordas, arcos, sopro, percussão e cinéticos).
Plástica sonora de Walter Smetak
Sua oficina passou a ser freqüentada por Gilberto Gil, Rogério Duarte e Tuzé de Abreu. Além deles, também foram seus alunos Tom Zé, Gereba, Djalma Correia e Marco Antônio Guimarães. Tal foi a influência de Smetak para a música brasileira que, em 1972, Caetano Veloso o citou na música Épico: "Smetak, Smetak & Musak & Smetak & Musak & Smetak & Musak & Razão".
"Caossonancia", de Walter Smetak
"Plástica Sonora Mimento", de Walter Smetak
Instrumento coletivo "Pindorama", de Walter Smetak, 1973
"Tímpanos grandes", de Walter Smetak, 1970
Peça da mostra "O Alquimista do Som – Coleção Walter Smetak" (Centro Cultural Solar Ferrão, Bahia, 2012)
Para Smetak, a busca de novas sonoridades - que caracteriza a música de vanguarda - seria como a porta para um novo mundo, a ser construída através da educação das mentes para uma nova estética. Tal como escreveu Augusto de Campos: "Há músicas para todos os gostos e para todas as horas. Quem só pensa em embalar os ouvidos, que fique no som-nosso-de-cada-dia. Mas quem quiser mais sabor e mais saber, não deixe de ouvir esses extras-sons que conseguiram varar o bloqueio informativo das audições de rotina. Como já disse Smetak: 'Salve-se quem souber!'"
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