Márcia Cruz Bernardino

Casada com a História e amante da Literatura, vinda bem do Norte de Portugal, e conta já com 17 Primaveras.

Eu quero é um amor como o dos meus pais

Não é preciso que seja o meu primeiro amor. Não é preciso que seja amor à primeira vista. Ou à segunda. Não precisa de ser amor instantâneo, não precisa de parecer uma paixão louca. Só quero é que seja um amor como o dos meus pais.


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Pode não haver mensagens de bom dia com corações todas as manhãs, ou rosas vermelhas no dia dos namorados. Pode não haver beijos inesperados no corredor, ou centenas de álbuns na prateleira com sorrisos feitos para a fotografia. Até… pode até nem haver um amo-te dito ao expoente quando pensas que estou zangada porque o futebol é mais importante do que os meus comentários ao último romance que li… mas tem de ser um amor como o dos meus pais.

Eu não quero que me digas todos os dias o quanto eu significo para ti. Não quero que o compares ao tamanho do mundo, das estrelas, ou do infinito. Não quero que me digas que não há ninguém igual a mim. Que não gostas de mais ninguém a não ser de mim. Que nunca vais encontrar alguém igual a mim. Não. Eu quero é que tu gozes comigo. Quero que gozes comigo, que brinques comigo, que eu seja o teu maior alvo de piadas. Eu quero que tu resmungues e me empurres quando eu te puxar os lençóis a meio da noite. Que me dês uma sapatada na testa de cada vez que eu estiver à beirinha de um ataque de nervos e a tirar o verniz das unhas com os dentes. Que me faças caretas feias quando eu te disser mil lamechisses na minha fase pré-menstrual. Eu não quero alguém que me idolatre. Que me bajule. Que me mime sem limites. Eu quero um amigo a sério. Um homem que me faça dar uma boa gargalhada depois de um dia a segurar o guarda chuva contra o vento só para ir da estação até ao trabalho.

Vamos ser sinceros: não dura mais do que meio par de anos se formos pela via fácil, ou menos que isso até. E o que eu quero, é duas mãos cheias de amor, mais outras duas mãos cheias, e mais alguns dedinhos… como o amor dos meus pais. E sem pensar em parar de contar dedos, mãos, pés, e por aí fora, onde dê para contar todo o amor. Então, não vamos pela via fácil. Não vamos cair na tentação de gastar todas as palavras, todas as promessas, todas as vontades, todas as discussões… tudo de uma vez só, atirado um contra o outro, sem olhar a prejuízos, gastos de energia, ou a arrependimentos.

Eu quero contar contigo. Para me ires buscar um Cêgripe 10 minutos antes da farmácia fechar, ou o molho de tomate só porque já não há na despensa. Para me ligares a máquina do café quando ainda estou no banho, ou para me acordares quando eu adormecer no sofá e me dizeres que vou ter valente dor de costas se não dormir na cama. Quero contar contigo para aquela manhã esplêndida de sol, como para aquela noite em que a febre não me deixa dormir. Se me amas quando eu visto o meu vestido preto e uso o meu perfume novo, então esse amor não pode desaparecer quando eu chegar a casa com as bochechas a queimar e o cabelo num desalinho depois do meu Jogging matinal. Certo?

Já sabes como é o amor dos meus pais. Pode muito bem ser o nosso. Não tem uma receita especial. E muito menos algum ingrediente secreto. Não foi pensado como quem pensa para uma tese de fim de curso. Nem foi planeado por um site de encontros que cruza todas as tuas caraterísticas com as da dita “pessoa ideal”. Mas é amor. E o amor ocupa tudo o que há para ocupar.


Márcia Cruz Bernardino

Casada com a História e amante da Literatura, vinda bem do Norte de Portugal, e conta já com 17 Primaveras..
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