Diogo Brunner

distraídos venceremos

Arte independente em São Paulo

A arte independente na cidade de São Paulo busca uma saída à crescente elitização da cultura. Conheça aqui uma dessas iniciativas.


arte em cena II (10).jpg

É lugar comum falar sobre a noite pulsante de uma cidade cosmopolita como São Paulo. Assim como é notório e causa espanto aos olhos a elitização que essa cidade vem sofrendo em todas as esferas. Particularmente na vida cultural podemos observar os preços absurdos de muitas casas noturnas. É certo também que temos um circuito alternativo (palavra um pouco maltratada esta), que engloba o chamado “circuito Sesc”, e alguns festivais com preços simbólicos, muitos deles feitos pelo já conhecido coletivo “Fora do Eixo”. Sobre o “Fora do Eixo” caberia uma ampla discussão à parte, já que a forma de sua estrutura, sua aproximação com o poder público, vem suscitando desconfianças de que talvez estaríamos muito mais dentro do que fora do tal eixo.

Outros movimentos como o “Existe amor em SP” tem proposto uma reocupação do espaço público. Atitude louvável, mas que também desperta algumas dúvidas quanto ao seu teor de “espetáculo”, voltado quase que exclusivamente para uma classe média “descolada”, e pouco enfático nos seus efeitos mais abrangentes e realmente políticos. Inclusive, bastante discutível seu caráter independente, uma vez que alguns de seus organizadores integram o governo Haddad.

Pensando essas questões não como fatos consumados, mas sim como processos em constante transmutação é que questionamos o termo “independente” em todas essas manifestações citadas.

Fazendo uma espécie de contraponto, vemos nascer em São Paulo outras pequenas “atitudes independentes”, que possuem, de fato, um quinhão mais claramente democrático (nos melhores termos que essa palavra pode ter). Falaremos aqui especificamente de uma dessas iniciativas.

arte em cena II (14).jpg

O Festival “Arte em cena” foi criado com o intuito de promover a interconexão entre diferentes manifestações artísticas, como cinema, dança, teatro, música e afins. Sua primeira edição foi realizada em Março deste ano no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. Desembolsando 10 reais, o público – em torno de 150 pessoas nessa edição – pôde acompanhar a exibição de 6 curtas-metragens, numa sessão que durou uma hora e meia, uma exposição fotográfica, além de 2 bandas – Saulo Duarte e a Unidade e o cantor baiano Silas Giron. Segundo o organizador Edgar Bueno o balanço dessa primeira edição foi bastante positivo, e o ponto alto foi justamente a interação do público entre os diversos espaços do Centro Cultural.

arte em cena II (82).jpg

A segunda edição ocorreu em 3 de Maio, também no Centro Cultural Rio Verde e contou com uma apresentação internacional, a banda inglesa Honeyfeet, da cidade de Manchester, além da percursionista Aishá Lourenço e do Dj Birão Ramin. A parte audiovisual teve a exibição de cinco curtas independentes, destacando-se o brasileiro “A Fábrica”, dirigido por Aly Muritiba, e que foi pré-selecionado ao Oscar 2013. Completando a programação, o público pôde conferir a exposição fotográfica “Impressões Amalgamadas”, do Coletivo Mona, e uma intervenção de clown que interagia com os presentes.

Uma terceira edição do evento está prevista para Julho, e novamente segundo a organização, contará com a mesma estrutura de misturar cinema, música e arte independente, pretendendo ampliar o leque das manifestações artísticas e dos artistas participantes, buscando a cada nova edição uma maior pluralidade.


Diogo Brunner

distraídos venceremos.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/artes e ideias// //Diogo Brunner