Diogo Brunner

distraídos venceremos

FLIP - Um diário #2

Um diário (talvez nem tão diário) meio bêbado e sem padrão sobre a Festa Literária Internacional de Paraty.


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“Flanar é perambular com inteligência”. A frase do João do Rio abriu a quinta feira dentro da oficina de crônicas, ministrada pelo Luís Henrique Pellanda, no Sesc. Aliás, não é à toa que uma festa literária tenha dado tão certo por aqui. Parece que as pessoas sempre tiveram Paraty como uma cidade naturalmente feita para quem quer escrever, ou escreve, ou gostaria de tentar, sei lá. O fato é que as pessoas vem pra cá pra escrever. Não tenho tantos exemplos para comprovar isso empiricamente, mas é sério, acontece. Essa pequena reflexão não serve pra dizer mais nada, foi só uma obsessão matinal ligando alguns pontos.

Alguém definiu a crônica como sendo a “literatura de bermuda”. Aqui na Flip o esquema é panamá e cachecol, mesmo que o tempo não ajude com o cachecol. Mas falando sério, caso lhe apeteça, você realmente pode fazer uma imersão literária quase total. Não sei se isso é bom. Literatura é um rolê meio perigoso que pode acabar com a sua vida. Prefiro pegar leve. E dá pra ver que muita gente também prefere pegar leve. Uma cervejinha substitui facilmente muitas das discussões oficiais. Voltei pra casa bater um rango que os quitutes do mundo literário estão além da minha realidade. Parece coisa de ficção científica.

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À tarde no Sesc rolou um papo bastante instigante entre o Paulo Scott, o Luiz Ruffato e o Carlos Henrique Schroeder. Começou na temática do como é sobreviver de literatura. Mas expandiu pra muito além disso. O Scott lançou um papo bastante poético – bonito mesmo – sobre felicidade. “Se você tá infeliz, você ferra com os outros, e ferrar com os outros, cara, é ruim”, lembro dele dizer. Não garanto a fidelidade total às palavras dele, mas foi bem perto disso. Falou também sobre a necessidade de sermos honestos com nossos momentos. Grande cara o Paulo Scott. Só li um livro dele, o “Ithaca Road”, mas com certeza vou atrás do resto. O Ruffato também mandou muito bem. É interessante a forma como ele enxerga a relação sempre complicada entre literatura e política, e o discurso dele é daquele tipo que você sente a seriedade. Ele não tá falando aquilo por falar, ou pra se promover. É um discurso sério, inflamado, vigoroso. “O estado brasileiro sempre beneficiou as elites”, concluiu ele. Foi um encontro para além da literatura. Valeu o dia e até amenizou a ressaca.

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Durante a noite me programei para ver a mesa do Jorge Mautner com o Marcelino Freire. Do Angu ao Kaos! Dei uma passeada pelo estande da livraria da travessa, numas de passar vontade, e tive outra reflexão inútil nada a ver com a livraria. Durante a Flip tem mais gente usando crachá do que não usando. Deve vender crachá em algum lugar, não é possível que tenha tanta gente trabalhando durante o evento. Enfim. Marcelino começou sua fala dizendo que “escreve para se vingar, movido pelo vexame”, e pra dar uma exemplificada citou a questão da votação da maioridade penal no Congresso, dominado pelo Cunha golpista. Marcelino é outro grande cara. Figuraça. O Mautner, doidão que é, não ficou pra trás com sua teoria dos neurônios saltitantes.

Mas chega, que meus neurônios saltitaram muito por hoje e estão exaustos.


Diogo Brunner

distraídos venceremos.
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