Ana Filipa Carvalho

Estudante de Belas-Artes apreciadora de todas as formas mágicas de Arte mas com um fraquinho enorme por música.

Entristece-te à Vontade!

" Porque a felicidade e a desgraça são duas irmãs gémeas que crescem ao mesmo tempo...". F. Nietzsche


O sofrimento é algo tão íntimo que na intimidade do nosso intimo deve permanecer.

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É um facto curioso a solidariedade na desgraça. Porquê a necessidade de nos apoiarmos uns aos outros nas horas difíceis de sofrimento? Considera-se que o ser humano quando está triste, a sofrer, precisa que o ouçam, que lhe dirijam palavras afetuosas de modo a menosprezar o sofrimento e transmitir bem-estar. No entanto, na minha opinião, quando estou triste não há nada como estar sozinha e repensar os meus males, refletir sobre eles... do que alastrar a minha tristeza sob pena de contágio imediato a outros seres humanos. Quando Nietzsche diz sobre o amigo que nos acode “ quer socorrer e não pensa um instante que a desgraça possa proceder de uma necessidade de medos, de privações e de empobrecimento de minutos, de aventuras, de riscos, de transgressões tanto como do contrário dessas coisas” tem toda a razão. O sofrimento ajuda-nos a crescer, dá-nos bases sólidas de crescimento emocional, de experiência tal e qual precisamos de cair, de esfolar os joelhos quando estreamos os nossos primeiros patins em linha. No entanto passadas tantas quedas, tornamos-nos cada vez mais fortes e confiantes até cairmos cada vez menos.

O sofrimento é algo tão íntimo que na intimidade do nosso intimo deve permanecer. Contudo, ao mesmo tempo, estar triste ou sofrer parece um estado de doença contagiosa que é necessário a todo o custo eliminar. Numa sociedade de consumo e de gente bonita, sorridente que apregoa o bem-estar com a vida em anúncios, revistas, etc ser jovem é ser jovial, feliz pois é uma época característica disso mesmo.

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Qualquer sinal de apatia é logo reprovado, censurado como se a tristeza fosse uma doença infecto-tristonha extremamente acutilante e de sintomas imediatos. Chovem no instante uma serie de clichés reconfortantes e cheios de boa vontade " És muito jovem para tal, aproveita a vida". Nada contra tal argumentação extremamente persuasiva, no entanto o triste pode ser belo, reconfortante e extremamente criativo para um artista. E Nietzsche sabia-o perfeitamente.

Como se o estado de tristeza tivesse direitos de autor exclusivos de pessoas de meia-idade !! Penso que o sofrimento como atrás referi traz -nos maturidade. A felicidade não existe sem tristeza pois sem tristeza como reconheceríamos a felicidade? E vice-versa igualmente. Ambos se equilibram como o Yang e Yin, símbolo de equilíbrio. Elimine-mos pois a tristeza partilhada e deixemos que esta mature dentro de nós. Deixemos a tristeza nos nossos corações enterrada para só nos a contemplar-mos e juntos vamos enaltecer valores nada piedosos como a coragem, a esperança…o que faz o mundo girar. E acabo em grande com uma citação de Nietzsche bastante elucidativa : " Ensina-lhes ( aos amigos) aquilo que tão poucas pessoas sabem compreender nos nossos dias, a começar pelos pregadores de compaixão, da comunhão no sofrimento: ...é a comunhão na alegria!".


Ana Filipa Carvalho

Estudante de Belas-Artes apreciadora de todas as formas mágicas de Arte mas com um fraquinho enorme por música..
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