Ana Filipa Carvalho

Estudante de Belas-Artes apreciadora de todas as formas mágicas de Arte mas com um fraquinho enorme por música.

A Árvore da Vida

Qual é o significado da vida? O filme "A Árvore da Vida", essa sublime obra de arte cinematográfica, pretende responder exactamente a esta pergunta.


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Qual é o significado da vida? Uma pergunta milenar que mesmo os mais primitivos humanos certamente teram formulado. Uma pergunta inquietante, misteriosa que tem intrigado a humanidade, nas suas diversas épocas. O filme " A Árvore da Vida" , essa sublime obra de arte cinematográfica, pretende responder exactamente a esta pergunta, cabendo ao espectador julgar se o consegue. Na minha opinião, consegue-o de forma absolutamente única. Pois a resposta, apesar de todas as duvidas e inquietações é : O Amor. É um filme de uma beleza esmagadora. Quase um documentário surrealista, com uma fotografia espantosa, que nos guia desde a formação do nosso universo até á vida de uma família na década de 50, cujo filho morre inesperadamente e é a partir desse acontecimento que o filme nos leva a questionar o sentido da nossa existência. É um filme difícil, pois a certa altura, deixa-nos desamparados sob as imagens da natureza que nos incendeiam o olhar, as evocações a um Deus Omnipresente e o crescimento de três irmãos sob a égide de uma mãe (Jessica Chatstein) que encarna a doçura, a liberdade e desprendimento de uma vida ao ar livre em contacto com a terra e com o ar puro dos sentidos embebidos em amor. Amor por todos os lados. Em contraste com a austeridade da educação do pai (Brad Pitt), uma metáfora para a nossa actual sociedade, em que impera a disciplina férrea com vista á preparação para a uma vida adulta marcada pela competição feroz, pelo esconder dos sentimentos e por uma autoridade assente em valores morais.

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Viajamos desde o nascer do primogénito Jack (Sean Pean) e seus dois irmãos. Pela a sua infância, o aprender a andar, os primeiros passos, o apurar dos sentidos, as primeiras aprendizagens, as brincadeiras, o despertar da sexualidade e a relação difícil de Jack com o seu autoritário pai. Planos travados por flashbacks com a vida actual do adulto Jack e a sua incapacidade em dar sentido á morte do irmão do meio. A musica é magistral, brilhantemente orquestrada por Alexander Desplat, banda sonora perfeita para tal viagem religioso-filosófica que nos enternece o coração. A sequência da formação do Universo é dos momentos mais belos que me recordo de assistir cinematográficamente e muito por culpa da bela ária de Desplat que nos derrete a alma. O final é dúbio, entre paisagens surrealistas povoadas por uma praia de anjos a travessias no deserto, e encerra com a mesma luz misteriosa com que inicia o filme. A vida é luz, a luz da nossa existência? A luz da nossa sobrevivência? Questões que, espantosamente cada um interpretará, segundo as suas convicções religiosas, da melhor maneira.

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Terrence Mallick é em si um realizador misterioso. Raramente dá entrevistas e poucas vezes aparece publicamente, contando somente com seis filmes realizados desde 1969 até aos nossos dias. O filme " A Árvore da Vida " é sem duvida, um filme que, gostando-se ou não, é difícil ficar indiferente.Recebeu uma nomeação nos Oscares de 2012 para a categoria de melhor filme, melhor realizador e melhor realização. Algo que definitivamente não precisava...como um crítico de cinema português declarou algures: "Os Oscares é que precisam de um filme deste calibre ". Subscrevo. A Arte fala por si própria não precisa de adereços.


Ana Filipa Carvalho

Estudante de Belas-Artes apreciadora de todas as formas mágicas de Arte mas com um fraquinho enorme por música..
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