Ana Filipa Carvalho

Estudante de Belas-Artes apreciadora de todas as formas mágicas de Arte mas com um fraquinho enorme por música.

A morte de Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart foi um homem que pertencia a outra galáxia e por conseguinte, apesar de todas as teorias acerca de sua morte, uma certeza tenho em mim : este ser nasceu a 27 de Janeiro de 1756 e nunca mais morreu…nem morrerá.


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Wolfgang Amadeus Mozart é o compositor mais famoso de todos os tempos. Um génio precoce que, como quase todas as personalidades mundiais carismáticas, viu a sua morte ser assombrada por suspeitas. Neste caso, especulou-se durante séculos que fora envenenado pelo seu rival de altura, o compositor da corte de Viena, António Salieri. Esta suspeita cresceu sobretudo a partir do momento em que Salieri, já no final da sua vida, demente, internado num manicómio em meados do Século XIX, gritava em loucura: “ Eu Matei Mozart!". Pobre Salieri…atormentado por alucinações e por uma culpa que lhe foi impingida mesmo em vida. Convenhamos que uma boa dose de mistério na hora da morte confere ainda mais a aura do romantismo a certas personalidades, característica vincada do Século XIX.

Mas Wolfgang não necessitava disso. De todo. A sua vida pautada pela genialidade da sua obra musical, pelas viagens, amores, dificuldades económicas e paixões por si só lhe conferiam um muito sedutor objeto de estudo.No entanto, foi também a sua morte que provocou interesse e acesas investigações. Wolfgang era um jovem de 35 anos (contextualizando para a época ainda mesmo assim jovem...) no auge das suas capacidades artísticas e intelectuais. Subitamente adoece gravemente ao ponto de deixar inacabada a sua obra-prima, o Requiem. A 5 de Dezembro de 1791, um dos mais brilhantes compositores de sempre, morre inesperadamente em Viena.

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Desde literatura, a peças de teatro, a filmes de sucesso como “Amadeus” de 1984 de Milos Forman… a morte envolvida em mistério de Wolfgang sempre foi sedutora para artistas e amantes de teorias de conspiração. Para essas mentes atrevidas : Os historiadores já descartaram essa hipótese. Salieri não matou Mozart. Mozart não foi assassinado ou envenenado, ou vítima de mau-olhado ou muito menos vitima de alguma conspiração anti- Maçónica (sim Mozart andava de avental mas como foi graças á Maçonaria que produziu a Flauta Mágica ( essa beleza! ) perdoou-lhe a caricata imagem mental de tais rituais.

Provavelmente morreu com alguma doença comum na época como a Febre Reumática. Durante o Século XX e já neste Século, vários cientistas Americanos, por exemplo, com base em cartas do médico pessoal de Mozart e dos registos da morte de 5.011 pessoas com mais de 18 anos, naquele período (Novembro 1791-Janeiro 1792), chegaram a essas conclusões já que os sintomas coincidiam com os que Mozart apresentava: edema (inchaço dos tecidos subcutâneos), problemas gastro-intestinais e doenças vasculares. Outras teorias foram avançadas como infecção por estreptococos, carne de porco mal cozida ( é melhor nem pensar nesta hipótese, de tão ridícula morte que seria para tal talento) e infecções da garganta. Algo que hoje em dia, seria controlado com um simples antibiótico...A ciência tem vindo a ilibar António Salieri do horrendo crime que teria, supostamente, cometido e daí consequentemente tem a minha solidariedade. Este igualmente talentoso compositor foi injustiçado e deveras ostracizado por este episódio. O tempo tem vindo a dar-lhe razão.

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W.A Mozart é o meu compositor preferido. Relativamente á personalidade, tinha ar de ser daquelas tipos "porreiros", "bacanas", sempre pronto para sair connosco para uma noitada de farra e copos. Bem-disposto, fanfarrão, um ser humano com muita piada...consta que dizia obscenidades entre amigos e gostava de anedotas picantes. Por outro lado, as dificuldades financeiras com que vivia e a própria natureza do seu génio avançado para a época, também o tornavam melancólico. Essas ondulações de espírito refletem-se na sua música de forma magistral…não falo tecnicamente mas de como esta sua arte nos comove a alma. Mozart poderia oscilar numa peça, em poucos minutos, da doce melancolia para a tristeza profunda, passando de seguida para a alegria contagiante e terminando com uma esperança reconfortante. Que espanto! Mozart consegue reunir todas as emoções contraditórias do ser humano em composições musicais belíssimas. Mesmo as mais negras como o Requiem, incompleto por ele, na sua grandiosidade, consegue-nos fazer sentir uma felicidade comovente por tal talento ter pisado este nosso planeta. Wolfgang comove-nos profundamente, faz-nos sorrir, dançar, chorar, amar, sonhar…arrepiante!

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Tudo razões suficientes para Salieri o invejar…o que se compreende. Mas uma inveja artística saudável nada levada aos extremos como certos rumores que assombraram o compositor italiano. Independentemente de tudo, Wolfgang Amadeus Mozart foi um homem que pertencia a outra galáxia e por conseguinte, apesar de todas as teorias acerca de sua morte, uma certeza tenho em mim : este ser nasceu a 27 de Janeiro de 1755 e nunca mais morreu...nem morrerá.


Ana Filipa Carvalho

Estudante de Belas-Artes apreciadora de todas as formas mágicas de Arte mas com um fraquinho enorme por música..
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