apaixonadamente curiosa

pela complexidade do óbvio

Mylanne Mendonça

Observando com interrogação. Vivendo com exclamação e sonhando com reticências!

Sartre & Simone: a história de um amor

Tudo começou com um encontro entre amigos para estudar Leibniz. E a paixão pela filosofia uniu a moça de 21 anos, família burguesa, formação católica e uma liberdade apaixonada com uma das mentes mais brilhantes e populares do século XX. Ele criou o existencialismo e ela consolidou o feminismo.


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Enquanto viviam um relacionamento em apartamentos separados, suas vidas e obras se misturam e ocupam o mesmo lugar na história da filosofia universal.

Jean-Paul Sartre não era um homem bonito, com uma figura sardenta e um par de óculos na frente de uma vesguice aparente ( o fato de abandonar o hábito burguês de tomar banho também não ajudava),mas sua inteligencia aguda o tornava atraente para as mulheres que conquistou ao longo de sua vida.

Simone de Beauvoir, filha de uma familia da alta burguesia francesa, teve uma vida diferente das mulheres de sua época e sua obra revolucionou a literatura classificada como feminina, até então considerada como textos sem aprofundamento teórico.

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A relação dos dois era definida em termos de liberdade e transparência, em que prevalecia a verdade e lealdade absoluta. Segundo o 'pacto', ambos compartilhariam tudo o que lhes acontecesse, inclusive outros casos. Esse relacionamento aberto era visto com escândalo na Europa dos anos 20, mas isso foi encarado com audaciosa naturalidade pelos filósofos que compartilhavam não apenas os sentimentos, mas as idéias repletas de existencialismo, engajamento e liberdade. Nas palavras de Simone: "Vivemos amores necessários e contingentes. Embora o primeiro seja o caminho, o repouso e o segundo vibração e êxtase; ao louvar os amores necessários que tive, não posso esquecer dos outros, que passaram na sombra, mas que nunca deixaram de viver em mim", se referindo ao que Sartre definiu: "Entre nós, trata-se de um amor necessário: convém que conheçamos também amores contingentes."

Um amor que se libertou da monogamia irrefletida que atendendia apenas ao padrão da família burguesa cristã. Até que a morte os separou, 50 anos depois.

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Mylanne Mendonça

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