apaixonadamente curiosa

pela complexidade do óbvio

Mylanne Mendonça

Observando com interrogação. Vivendo com exclamação e sonhando com reticências!

Considerações sobre o tempo

Carpe diem, viva a vida, 'tudo tem sua hora' são apenas clichês e mantras pra pregar na geladeira, dada a inconstância do tempo. Não podemos para-lo, não podemos adianta-lo e não podemos acompanha-lo.


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Quando tentamos "colocar tempo" na vida, sempre temos a impressão de que as coisas acontecem cedo ou tarde demais, que estamos perdendo tempo ou nos adiantando a ele, comparamos o nosso tempo com o tempo do outro, sempre precisando de um sentido pra orientar o fluxo da vida e não parecermos tão sem rumo. Mas de repente estamos presos num tempo que nós mesmos inventamos, acreditando que a vida escorre por nossas mãos como a areia numa ampulheta. Adiar alguma coisa por acreditar que ainda não é tempo é supor que teremos esse tempo depois ou até mesmo que haverá um depois, e dessa dúvida surge a preocupação de que estamos perdendo tempo por não saber quanto tempo ainda teremos, mas tudo isso é subestimar o próprio tempo. Dividir a vida em ciclo é desnecessário porque a própria vida é parte de ciclo maior e qualquer tentativa de fraciona-lo é ir contra seu maior fundamento: viver.

Dividir o tempo em ciclos é o que nos faz acreditar no final de cada dezembro, que o ano novo será melhor. Mas dessa mesma divisão surgiu a idéia de que o mundo acabaria em 2012. Sejam em dias, meses, anos ou milenios, esses ciclos só tem função de nos orientar quanto ao processo histórico e social, mas não é um elemento que carrega em si a existencia da vida. Mesmo tentando aproveitar ao máximo, o tempo nos mostra o tempo todo que dele não fugiremos e que não temos controle sobre ele.


Mylanne Mendonça

Observando com interrogação. Vivendo com exclamação e sonhando com reticências!.
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