apaixonadamente curiosa

pela complexidade do óbvio

Mylanne Mendonça

Observando com interrogação. Vivendo com exclamação e sonhando com reticências!

Romances fantásticos de Cem Anos de Solidão: Pietro Crespi

Mais do que um livro, uma viagem fantástica entre guerras e romances.


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"Cem Anos de Solidão" é uma obra de Gabriel García Márquez, considerada uma das obras mais importantes da literatura Latino-Americana. Mais do que um livro, é uma viagem fantástica, trilhada pela história de uma família cujas gerações vivem em um eterno ciclo de repetições, repetindo erros e celebrando triunfos. No meio de histórias vividas entre guerras e conquistas, os romances paralelos vividos pelos personagens dão uma leveza poética a um livro tão denso e rico de fantasias e simbolismos. Dessas histórias, uma em especial se destaca pelo romantismo clássico em que o amor se torna a razão de viver do homem e quando não realizado, a razão do morrer.

Pietro Crespi é um tímido músico que se torna centro de um triângulo amoroso ente Rebeca e Amaranta. Essa relação é uma parte totalmente diferente das outras personagens. Essa diferença já começa nas características, uma descrição que faz do jovem italiano um príncipe encantado.

"era jovem e louro, o homem mais belo e mais bem-educado que Macondo jamais tinha visto. [...] com uma cabeça coberta de cachos brilhantes suscitava nas mulheres uma irreprimível necessidade de suspirar..."

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Rebeca foi a primeira escolhida pelo jovem italiano, mas Amaranta consegue adiar o casamento por anos e neste tempo Rebeca se encantou por José Arcádio, que acaba por se tornar mais uma das histórias paralelas, brilhantemente emendadas na literatura fantástica de Garcia Marquez. Ainda próximo da família Buendía, Pietro se apaixona por Amaranta. "Para Pietro Crespi, aquela mulher que sempre considerou e tratou como uma menina foi uma revelação... Numa terça-feira, quando ninguém duvidava que cedo ou tarde isso teria de acontecer, pediu a ela que se casasse com ele. [...]

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Amaranta adia o casamento, que se arrasta por um período de cortejo cercado de romantismo, mas no fim Pietro é cruelmente rejeitado e nem com todos os recursos da súplica, cartas de amor e serenatas típicas do romântico apaixonado conseguiu demovê-la da decisão. O final trágico sela uma história com um padrão romântico parecido com o modelo de Goethe em Os sofrimentos do Jovem Werther, e com a belíssima descrição de García Maquez que transforma a morte em uma poesia sublime digna da personagem.

"...Certa noite, cantou. Macondo despertou numa espécie de estupor, angelizado por uma cítara que não merecia ser deste mundo e uma voz que não era possível conceber que houvesse outra na terra com tanto amor. Pietro Crespi viu então luz em todas as janelas do povoado, menos na de Amaranta. No dia dois de novembro, dia dos mortos, seu irmão abriu a loja e encontrou todas as lâmpadas acesas e todas as caixinhas de música abertas e tocando e todos os relógios travados numa hora interminável, e no meio daquele concerto disparatado encontrou Pietro Crespi na escrivaninha que ficava nos fundos, com os pulsos cortados a navalha e as duas mãos metidas numa bacia de benjoim. "

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Quanto a Amaranta, depois de se trancar no quarto e guardar para si a dor do remorso, queimou a própria mão nas brasas do fogão. "A única marca externa que a tragédia lhe deixou foi a venda de gaze negra que pôs na mão queimada, e que haveria de usar até a morte."

Mas sua história não terminou, e ainda há outros romances e aventuras vividas pelos Buendía que merecem - e terão - igual destaque.


Mylanne Mendonça

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