Max Fritz

Servir por servir

Há pessoas que são grandes heróis sem que ninguém perceba ou em funções que ninguém respeita. Servir aos outros para que os outros se sintam bem é uma das mais belas atitudes do homem. Mas também pode ser uma tarefa incompreendida. Há um filme que retrata isso maravilhosamente: "A festa de Babette".


A maior parte dos heróis que vemos nos filmes são típicos: reconhecidos pelo mundo em grandes êxtases de gratidão. Mas os heróis mais fantásticos, mais fortes e mais belos que existem são aqueles que ninguém nota.

Ser herói quando todos os olhos se voltam a você e esperam que você faça a coisa certa, confiando e sabendo qual a coisa certa a se fazer é fácil. O verdadeiro herói é herói sem que ninguém perceba, discretamente, vivendo dramas cotidianos, como desconfiança e desprezo. O verdadeiro herói preocupa-se com os outros sem deixar que os outros o percebam. O verdadeiro herói quer apenas que os outros se sintam bem, quer a felicidade alheia sem se preocupar com a sua. Ou melhor, faz da felicidade dos outros sua felicidade.

Às vezes descobrimos esses heróis e podemos ter certeza de que, graças a eles, discretamente, esse mundo luta por ser um lugar melhor.

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Em "A festa de Babette" (Babette's Feast), nos deparamos com esse tipo de heroína. Surge em uma pequena vila na Dinamarca uma mulher (Stéphane Audran) egressa da guerra, sem família nem amigos, desejando apenas quarto para dormir e trabalho. Duas senhoras piedosas, filhas de um pastor falecido, aclamado e respeitado da região, a aceitam em sua casa.

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E Babette passa a trabalhar para as duas senhoras e a ajudá-las em suas obras de caridade. Todos estranham o que a levaria a apenas querer ajudar, discretamente, sem nada ganhar em troca. Surge a desconfiança.

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Babette revela suas intenções em uma das cenas mais divertidas e belas da história do cinema (Oscar de melhor filme estrangeiro de 1987): a festa.

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É um filme que todos devem assistir.


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