Max Fritz

Uma nova voz em meio à poluição folk e indie

Já ouvi por aí que as melhores decisões que tomamos em nossas vidas são aquelas feitas quando existiam poucas possibilidades de escolha. As melhores direções que tomamos são muitas vezes impostas a nós. Temos aqui um exemplo de vocação tomada por força das circunstâncias (e graças a elas).


Há talentos que são natos. Não dá para negar isso. Podemos – e devemos – sempre aperfeiçoar nossos gostos e qualidades, mas há pessoas que largam na frente em muitos aspectos, que têm características de tal modo acentuadas que as chamamos: grandes gênios.

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Pouco se sabe da vida de Benjamin Clementine. Sabe-se que é filho de imigrantes ganeses e que nasceu na periferia de Londres. Desde muito novo teve de se arranjar na vida. Como diz a sabedoria popular: “Quem quer rir, que faça rir”. Pois bem, com educação e formação bastante simples, fez o melhor a seu alcance e foi além de suas aparentes possibilidades.

Dono de voz impressionante e de facilidade com palavras e sonoridades, percebeu que o mais promissor horizonte que tinha pela frente era a música. Não se sabe ao certo, mas provavelmente tinha de ajudar a suprir as despesas familiares. Pois bem, com característico autodidatismo, aprendeu a tocar piano e logo passou a cantar em bares em troca do nosso tão reclamado couvert artístico.

Não demorou para que sua voz fosse percebida e admirada, mas, por alguma decepção com as terras de Churchill, foi-se embora para a França. Em novas terras, não tardou em fazer sucesso.

Com fortes elementos da música minimalista de Erick Satie (cujos sucessores mais difundidos são Philip Glass e até Yann Tiersen), Clementine destaca-se pela voz, que lembra os melhores momentos do jazz e dos blues.

Enfim, é uma grande promessa da música. Como todo grande talento, Clementine tem raízes e origens de onde ninguém suspeitava ou esperava. O talento nasce nos lugares e em tempos em que é necessário. No meio da efervescência folk, indie e música eletrônica, surge uma voz em direção oposta. Literalmente, uma voz: sem microfones ou amplificadores, acompanhada somente de um piano.


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