Max Fritz

De onde vem todo esse mal?

O recente acidente envolvendo o avião de German Wings levantou um ponto que está sempre latente na sociedade: de onde vem o mal? Quem são os vilões a serem combatidos? De quem nos devemos proteger?


coringa-2007-tdk.jpgOnde moram os grandes vilões?

Há dois grandes indicativos das crenças e mitos de uma sociedade: os noticiários e o cinema. É a partir deles que podemos tirar algumas conclusões sobre a pergunta: de onde vem o mal? Acredito que isso seja parte de uma descoberta da origem do mal, que viria: 1) num primeiro momento, do sistema; 2) num segundo, do próximo; e 3) finalmente, de nós mesmos.

O cinema nos traz grandes símbolos da origem do mal. Creio que por uma influência filosófica, uma grande tendência é dizer que o mal vem do sistema, que se deve abolir todo o sistema para acabar com o mal na sociedade. É o que parecem nos indicar Um Estranho no Ninho, Matrix, A Troca e V de Vingança, entre outros inúmeros.

Existe a diferença entre o "eles" e o "nós"; todo o mal vem "deles" e "eles" devem ser destruídos.

Um filme pouco conhecido mas bastante interessante que demonstra essa visão é Leviathan:

A imagem publicitária da série Divergente é bastante simbólica neste sentido, os mocinhos, unidos de um mesmo lado, como numa carta de baralho, apontam para fora, como para combater um mal que está ausente deles e que vem exclusivamente de fora:

insurgent_ver16_xxlg.jpgGrande sucesso de bilheterias, mostra uma visão limitada e simplista do mal.

O passo seguinte, é negar que o mal venha do sistema e dizer que vem do "outro". A série Batman, dirigida por Christopher Nolan, é bastante exemplificativa na negativa de que o mal venha do sistema e aponta sua origem num vilão externo, numa pessoa, nesse "outro".

https://youtu.be/JPncg5CBwhc

Filmes de super-heróis costumam ser exemplos clássicos desse tipo de visão. O "nós" é genuinamente bom e busca vencer ou convencer o mal que vem do "outro", que é diferente do sistema. O sistema passa a ser neutro.

Há indícios de transição, de que o mal não está tão distante como parece. Recentemente, no acidente envolvendo o avião da Germanwings, na França, uma das conclusões que se tirou é de que o mal não necessariamente vem "deles", dos terroristas. A ameaça pode ser interna: "'Passamos de um mundo em que confiávamos no piloto, nossa primeira garantia de segurança, a um mundo onde precisaremos ser cautelosos', resume um ex-investigador do Instituto francês de Investigação e Análise (BEA)." Ainda assim, isso não é uma forma madura de admitir a origem do mal.

Creio que a fase final e mais madura seja a admissão de que o mal está em nós mesmos, como não chega a descobrir Anakin Skywalker:

Vamos nos socorrer à literatura para mostrar um exemplo praticamente perfeito do indivíduo que descobre a origem última do mal: no "eu". Em Crime e Castigo, Dostoievski nos narra a história de Raskólnikov, que deliberadamente buscou o mal e percebeu que o mal estava em sim mesmo. O "eu" finalmente assume-se como a origem do mal.

dostoievski_fotografia.jpgImpossível não terminar com Dostoievski um texto que fala sobre o mal.


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