arbitrário

música, cinema & cultura pop

Wellington Almeida

Paulista de nascimento e cigano de coração, mudou-se no Inverno de 2002 para a ensolarada capital portuguesa mas só em 2009 encontrou o seu "lar doce lar" em Berlim. Considera-se um misantropo full-time mas assume que tem muitos dias de Amélie Poulain

Podcast - melhores discos e músicas de 2012

Foi um ano rico para a música indie e pop de 2012. Artistas novos e consagrados disputaram a nossa atenção nesse ano que passou e desse mar de novidades e preciosidades pop muita coisa se sobressaiu. Da promessa de um grande projeto (e disco de estreia) como os canadenses AroarA até a artistas veteranos como Fiona Apple e St. Vincent, esta seleção aqui é o supra sumo da música mais ou menos alternativa do ano que nos deixou. Boa escuta!


1 - AroarA - In The Pines EP

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O duo maravilha que compõe o AroarA é composto pelo guitarrista, ex Broken Social Scene Andrew Whiteman e a sua mulher Ariel Engle. O disco de estreia, In The Pines, só sai em 2013 mas o EP com cinco músicas extraído da futura estreia (por enquanto, a venda só aqui) já é o suficiente para eles esgotarem concertos e deixarem um culto de magia por onde passam. Cada música tem aquele efeito de perfeição pop que faz lembrar os conterrâneos Arcade Fire e o próprio Social Broken Scene e faz com que a expectativa para o álbum de 13 canções que vem poraí seja muito, muito alta.

2 - Poliça - Give You The Ghost

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Flertando com a RnB, a percussão e o Auto-Tune, os Poliça - quarteto de Minneápolis liderado pela carismática Channy Leanagh - estream com um dos discos mais lindos do ano: Give You The Ghost. É um álbum de muito experimentalismo pop mas feito na medida certa e com riscos calculados, cheio de atmosferas obscuras e herméticas que tem tudo para ser o segredo mais bem guardado da música indie de 2012. (texto completo sobre o disco aqui)

3 - Beach House - Bloom

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Foi preciso 4 discos para o Beach House florescer e fazer o melhor disco da sua curta carreira. "Bloom" é um álbum imaculado, cheio de atmosferas nostálgicas e que usa os sintetizadores a seu favor, levando o rótulo de "dream pop" (sempre associado à banda) à outro nível estético. Os vocais de Victoria Legrand faz lembrar por vezes os tons de Nico (especialmente com o Velvet Underground) e ouvindo "Myth" e "The Hours" estas referências ficam mais óbvias, fazendo de "Bloom" um dos discos mais líricos do ano.

4 - The Dodoz - Forever I Can Purr

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Há muito que parecia que o riot girl e o punk rock feito por meninas estava morto e enterrado no começo da década dos zeros com o fim das saudosas Sleater Kinney e dos americanos de Seattle Pretty Girls Make Graves. Mas eis que os franceses do The Dodoz surgem com "Forever I Can Purr" para nos fazer mudar de ideias. Um discão de punk rock com vocal feminino para lembrar dos bons tempos do riot girl e nos fazer dançar da primeira à última faixa.

5 - St Vincent & David Byrne - Love This Giant

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Um disco só com metais e com um "erro de casting" como David Byrne fazendo a outra metade do projeto tinha tudo para ser um tiro no pé, mas a presença da talentosa Annie Clark é tão omnipresente e iluminada que ela obscurece qualquer falha ou excesso do colega Byrne neste disco fabuloso que é "Love This Giant". Não é a toa que as melhores faixas são as de Annie Clark (a.k.a St. Vincent) no vocal e que nos fazem acreditar novamente que saxofones podem ser uma coisa cool.

6 - Fiona Apple - The Idler Wheel

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"While you were watching someone else/I stared at you and cut myself" canta Fiona Apple na lindíssima "Valentine" e nos brinda com outro disco tristíssimo e perturbado, fazendo poesia dos seus fantasmas neste tour de force que é The Idler Wheel. Fiona é uma das poucas artistas que fez sempre o mesmo disco desde o início da carreira sem que isso implicasse mais do mesmo. A cada álbum, ela se expõe ainda mais e faz das suas feridas - acompanhadas do piano - uma coleção de canções lindamente dilaceradas por uma dor sempre presente. Fiona chegou à maturidade criativa e o resultado disso, mais uma vez, é um belíssimo e intenso álbum.

8 - Chairlift - Something

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Depois do sucesso de "Bruises", carro chefe do disco de estreia "Does You Inspire You" e canção-tema do comercial do Ipod Nano em 2008, as expectativas para o segundo disco dos novaiorquinos Chairlift eram muito altas. Junta-se a isso a saída de Aaron Pfenning, o membro fundador da banda, em 2010 e temos a típica gestação do segundo difícil álbum. Lego engano. "Something" o delicioso resultado dessa fase turbulenta da banda é um dos melhores discos pop de 2012. Misturando o melhor do synthpop de décadas passadas com programações indie-eletrônica recentes e a grande voz de Caroline Polachek e temos um disco que continua o trabalho começado com o disco de estreia mas que leva a banda à uma maturidade musical que impressiona até quem não é fã e nos deixa salivando ansiosamente pelo próximo trabalho do duo.

8 - Sleigh Bells - Reign of Terror

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Do brilhante álbum de estreia "Treats", de 2010, ficou muito pouco. Mas em "Reign of Terror" as melodias ganchudas com riffs de guitarras exibicionistas e a voz de cheerleader de Alexis Krauss continuam lá. O segundo tomo dessa curta e elogiada discografia optou por uma pegada mais pesada super inspirada no hard rock e no metal dos anos 80 e sendo, uma vez ou outra, desconstruída por drops de refrão catchy e a presença da sua vocalista que rouba a cena durante as suas 11 canções. É o segundo disco de uma banda que está na pista certa para seguir o rumo das grandes bandas de rock.

9 - Matthew Dear - Beams

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Matthew Dear já está na estrada há uns bons anos, mas foi preciso um discão como "Black City" de 2010 para o colocar no mapa da música eletrônica que realmente nos interessa. Numa entrevista recente Dear disse que se "Dark City" é um buraco negro na sua discografia, então o seu predecessor "Beams" "is the back end of a black hole, where all the light is rushing out the other side." Dito isso, mergulhamos de cabeça nesse grande disco pop que é "Beams". Dear experimenta aqui uma música para dançar que é complexa e ao mesmo tempo estranhamente acessível, com texturas minimalistas bem delineadas e um clima em crescendo durante todo o álbum. A não perder de vista!

10 - ex-aequo: AlunaGeorge "You Know You Like It" - Nadine Shah "Aching Bones EP"

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Melhores Músicas de 2012 - TOP 25

01 - "#5" - AroarA 02 - "#11" - AroarA 03 - "Wandering Star" - Poliça 04 - "Weekend In The Dust" - St Vincent & David Byrne 05 - "Myth" - Beach House 06 - "Double Sixes" - AlunaGeorge 07 - "Take It Out On Me" - Chairlift 08 - "Comeback Kid" - Sleigh Bells 09 - "Forget" - Lianne La Havas 10 - "Inside World" - Who Made Who

11 - "Valentine" - Fiona Apple 12 - "Proserpina" - Martha Wainwright 13 - "212" - Azealia Banks 14 - "I'm His Girl" - Friends 15 - "Speeddance" - Reptile Youth 16 - "Devotion" - Jessie Ware 17 - "Her Fantasy" - Matthew Dear 18 - "Forever" - Haim 19 - "Visitor" - Hundred Waters 20 - "Restless" - Karin Park 21 - "Ghost" - The Dodoz 22 - "Blood For Poppies" - Garbage 23 - "Hood" - Perfume Genious 24 - "Fineshrine" - Purity Ring 25 - Sides - Balthazar


Wellington Almeida

Paulista de nascimento e cigano de coração, mudou-se no Inverno de 2002 para a ensolarada capital portuguesa mas só em 2009 encontrou o seu "lar doce lar" em Berlim. Considera-se um misantropo full-time mas assume que tem muitos dias de Amélie Poulain.
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