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- depósito de signos: palavrimagem, som

Angelo Noel

Aqui tem alguma coisa do que a criação humana é capaz em
Texto, Imagem e Som.

Tudos.

A banda mais ofensiva do mundo e o limite da piada

Os politicamente corretos que me perdoem, mas rir de si mesmo e permitir que outros façam a troça é fundamental.


Anal_Cunt-Picnic_Of_Love-Frontal.jpg

Não sei por onde começo. Não sei se este artigo será mantido, inclusive.

Enfim, se deu certo, vamos definir as coisas:

Anal Cunt (insulto até no nome) foi uma banda de noisecore, estilo (anti) musical que é igualmente hostil ao homem comum, por ser simbiose de ruído e velocidade intangíveis, que surgiu no ano 1988 nos EUA.

AxCx.jpg Josh Martin e Seth Putnam (esquerda) e seus amigos.

Não obstante a massa sonora que pode causar vertigem aos portadores de orelhas incautas, o A.C. foi um marco na história do humor mórbido:

Odes ao nazismo e antissemitismo (Hitler was a Sensitive Man e Ha Ha Holocaust), homofobia (You're Gay, Art Fag), misoginia (Women: Nature's Punching Bag), escárnio do infortúnio alheio (You've Got Cancer, You Look Adopted), sarcasmo contra minorias étnicas, entre vários outros assuntos que são tabus sociais intransponíveis no tanto Ocidente quanto no Oriente.

tumblr_lmq1630fRu1qdtt3uo1_500.jpg O frontman Seth Putnam e seu gatinho lindinho.

Apesar de tudo não passar de brincadeira da pior estirpe do vocalista e compositor Seth Putnam, presumo que neste ponto o índice de indignação do leitor e leitora tenha atingido níveis estratosféricos e seu queixo tenha alcançado a mesa do computador.

"Quem é tão espírito de porco que se presta ao consumo de tal absurdo musical e temático?", imagino que você esteja conjecturando neste preciso momento.

Para que seu queixo atinja de uma vez o soalho, respondo:

Eu mesmo, um cara de pele pigmentada ou como alguns grupos humanos gostam de se autointitular, um "negro", filho adotivo, fã de arte e contra qualquer tipo de violência física.

l.jpg O baterista Tim Morse é um rapaz 'alegre'.

E é em minha última característica que prossigo com a premissa:

Não coaduno em qualquer que seja a hipótese ou instância com o que a banda propõe como forma de sátira, pois além de remeter a alguns dos períodos de maior atrocidade, estupidez e vileza humana, reside aí um certo ódio ao qual nada agrega à cultura e também carece de embasamento científico e antropológico.

Portanto, são apenas zombarias boçais. Ideias que permanecem no plano das ideias.

Ao menos que você tenha ido a alguma apresentação da banda (os decibéis eram ataques diretos aos tímpanos), ninguém sofreu injúria corpórea por ter ouvido os covers-paródias que o grupo fazia ao Bee Gees (Staying Alive) ou ao James Brown (I Don't Wanna Dance).

45963244_94b6ea4272.jpg Seth (esquerda) sempre esteve à procura do amor e foi casado duas vezes.

Eu poderia mover o debate mais à frente argumentando acerca da diferença entre pensar e agir (sonhar em ser rico não é trabalhar e ficar rico), como crimes de "preconceito" não existem (não houve escravização de "negros" por parte de "brancos", tristemente, houveram indivíduos escravizando outros indivíduos), entretanto, me basta dizer que enquanto não há alguém sendo materialmente prejudicado, eu defendo o direito de chiste e intransigência até contra tudo que eu defendo (e sou).

Eu não tenho o direito de controlar o que as pessoas pensam, até porque eu não sou o que elas pensam, também não sou dono da verdade, nem dos pensamentos de outrem. Eu sou um ser humano e não uma reputação pública.

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Por conseguinte, repito: meu ponto é que mesmo que o A.C. acreditasse a valer em todas as babaquices que cantam, a vigília ideológica é uma mão de via dupla, e enquanto não desmistificarmos imaginação de exercício e que querer não é poder, a censura fica ao cargo de quem realmente pode e qualquer um, inclusive os patrulheiros do "politicamente correto" estão sujeitos à mordaça dos "bons costumes".

Curiosamente, Putnam era um homem que pintava as unhas e mesmo após passar dois meses em coma, fez questão de continuar tocando a faixa "You're In a Coma", e obviamente fazia arte de vanguarda.

seth.jpg

Só após me tornar fã do som do A.C. que me libertei de um paradoxo que martiriza muita gente nas artes em geral e na vida:

A intolerância contra os intolerantes.

Uma piada, por mais grosseira que seja, é só uma piada.

O grupo acabou em 2011, quando Seth Putnam faleceu, vítima de parada cardíaca.

Desejo sinceramente que ele descanse em paz, esse parvo e escroto. :)

P.S.: Estou no aguardo de seus comentários e caso queria me insultar, esbravejar e atacar minha querida mãe, sinta-se a vontade, pois palavras são só palavras. Grande abraço!


Angelo Noel

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