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- depósito de signos: palavrimagem, som

Angelo Noel

Aqui tem alguma coisa do que a criação humana é capaz em
Texto, Imagem e Som.

Tudos.

Barulheira e Batom

Artigo sobre rainhas que gritam, batem e fazem muito ruído sonoro.
E continuam majestosas.


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Inspirado livremente (copiado desveladamente) em um post muito interessante aqui da Obvious sobre a música e suas mulheres extraordinárias, decidi a recriar o artigo partindo do outro lado moeda sonora:

a antimúsica e suas mulheres extraordinárias.

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Radicalismos conceituais à parte, pois algumas artistas mencionadas transitam tanto na distorção quanto na melodia, esta postagem trata de seres humanos do sexo feminino que optaram pelo que aparentemente é gratuito em sua forma, afinal de contas, qualquer um pode extrair sons aleatórios de qualquer coisa, entretanto, é preciso muita perspicácia na sua apresentação juntamente com boa doses de virilidade (se me permitem o trocadilho), principalmente quando a reação do público pode partir de elogios ao que é inovador até agressões verbais e físicas.

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Se o mundo da música convencional e tonal já é em grande parte dominado por quem não pode engravidar, vá pensando na vanguarda experimental e sempre underground, que antes da internet, vivia no limbo de pequenos selos e trocas de fitas cassetes via correspondência...

Felizmente a coisa mudou e aqui estão listadas algumas mulheres de relevância na cena internacional da exploração sonora:

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Começamos com Sasha Grey, Marina Hantzis de batismo, que é integrante do projeto industrial/ambient experimental aTelecine. Curiosamente já foi atriz pornô, e hoje expande sua cantoria da rouquidão sensual até gritos beirando a cacofonia em cima de bases eletrônicas compassadas e também etéreas. Ao lado de Pablo St. Francis, a bela e polêmica moça igualmente participa da composição e ao vivo encara as pickups e samplers. Além de som, Sasha já fez um livro de fotografias e prepara um romance erótico intitulado “The Juliette Society”.

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Jane Jarboe, ou só Jarboe, já é figura conhecida na cena de vanguarda por ter participado do grupo quase inclassificável Swans, onde tocava teclado com pulso firme ainda no período mais ruidoso da banda, muitas vezes obtendo som de seu equipamento simplesmente o acertando com as mãos espalmadas. Já lançou vários álbuns solo com muita poesia e participou de apresentações em diversas bandas e igualmente fez parte da criação da trilha sonora de um game de terror.

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A norueguesa Maja Ratkje, que iniciou sua carreira no canto clássico, faz parte do quarteto feminino de música de improviso SPUNK desde 1995 e a partir daí não parou nos limites da experimentação: foi para o Harsh Noise em duos, primeiro o Fe-Mail e lançou uma série de discos temáticos com Lasse Marhaug, outro grande expoente da música extrema.

Também realiza instalações artísticas, cria óperas para bebês e é protagonista do documentário “Voice: Sculpting Sound With Maja Ratkje” que terá edição financiada no sistema de crowdfunding:

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Se você já ouviu falar em No Wave, deveria se lembrar de Ikue Mori, que foi baterista do trio seminal DNA, provavelmente o mais criativo da cena de Nova York.

Ikue, uma japonesa recém-chegada ao país norte-americano, que não sabia pedir um café em inglês e não tinha nenhum conhecimento em percussão, foi prontamente recrutada por Arto Lindsay e o então baixista Robin Crutchfield para substituir a antiga baterista da banda.

É justamente na inexperiência dela que reside sua genialidade: os ritmos ora caóticos, ora geométricos davam embasamento perfeito a guitarra cáustica de Arto e o baixo métrico de Robin.

Ikue que após o DNA migrou para a bateria eletrônica, nos dias atuais desenvolve frequentes trabalhos com Thurston Moore e Fred Frith e também realiza trabalhos de design gráfico.

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Adris Hoyos, cubana que reside em Miami, fez parte do polêmico Harry Pussy, inspirado no apelido que John Lennon usava para chamar Yoko Ono.

O duo que surgiu em 1992, contava com Bill Orcutt nas guitarras, que foi seu parceiro em outros projetos, e Adris que literalmente espancava a bateria e a própria voz (também tocava guitarra), em um noise cru e frenético, uma dissonância puramente caótica, que os consagrou como banda cult no cenário de música experimental nos EUA.

O projeto acabou em 1997, mas Hoyos participa de performances com diversos artistas e além disso escreve esporadicamente para revistas de músicas.

O leitor ou a leitora mais atentos irão perceber que me olvido de outras musas como Diamanda Galás, Kim Gordon do Sonic Youth, Cosey Fanni Tutti do Throbbing Gristle, Lydia Lunch, para permanecer nas mais conhecidas.

Contudo, acredito que as referências aqui expostas servem de bom exemplo do poderio feminino na construção de linguagens que não visam apenas se diferenciar do mainstream, mas também agregar conteúdo relevante à cultura humana, mostrando que lugar de mulher também é na vanguarda.


Angelo Noel

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