arquitetura do sagrado

quando a forma segue o significado e a beleza é uma função.

Eduardo Faust

Arquiteto e Urbanista, graduado pela UFSC e pós-graduado em Arquitetura Sacra pela FAJE.
Sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, com obras em 6 estados em mais de 20 cidades. Estruturado em linha autoral, busca a conexão dos elementos arquitetônicos vernaculares com a pluralidade da pós-modernidade.

A triste história dos Budas de Bamiyan

Um episódio de 1500 anos que soma: Arte grega; Monges Budistas e iconoclastia Islâmica.


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A 230 quilômetros da capital Kabul no Afeganistão, foram erguidos dois monumentos que séculos depois a UNESCO os consagrou como patrimônios da humanidade. O primeiro com 37 metros de altura foi finalizado no ano de 507 e o segundo com 55 metros data de 554, até o século XX foi a maior estátua de Buda de pé, e a segunda maior do mundo, sendo superada somente pelo Buda de Leshan [China].

escoces Sir Alexander Burnes Bamian_Buddha_1833_ilustracao.jpgIlustração de 1833 do escocês Sir Alexander Burnes.

Entalhados nas rochas do vale de Hazarajat, seus detalhes foram modelados com estuque, vemos vestígios deste sistema nos buracos em seus membros, que eram espaços que abrigavam estacas de madeira que serviam para estabilizar estes detalhes. Do século II até o século IX, Bamiyan foi um lugar de vários mosteiros Budistas, e um próspero centro da arte Greco-Budista. Monges viviam em pequenas cavernas esculpidas nas rochas embelezando-as com estatuários e coloridos afrescos.

07_pintura no interior de uma gruta do conjunto dos budas de bamiyan.pngAfrescos no interior das cavernas

11_uma das cavernas do conjunto de bamiyan_3.png

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5.jpgBamiyan

Buddhas_of_Bamiyan_1885-desconhecido.jpgIlustração de 1885, autor desconhecido.

BamyanBuddha_Smaller_1.jpgBuda de 37 metros

A conquista Árabe no Afeganistão ocorreu no século XII por Mahmud de Ghazni que optou pela preservação das imagens. Ao longo dos séculos movimentos iconoclastas civis e governamentais ajudaram a destruir detalhes das imagens, o imperador Aurangzeb [1618-1707] efetuou ataques militares. Em Julho de 1999, Mullah Mohammed Omar emitiu o decreto "O governo considera as estátuas de Bamiyan como um exemplo de uma grande fonte de renda em potencial para o Afeganistão de visitantes estrangeiros. O Talibã declara que as estátuas de Bamiyan não devem ser destruídas mas protegidas."

Bamiyan_buddha.jpgBuda e as cavernas nas rochas

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bamian_buddha_street1.jpgEstudos para restauração na década de 70

Com a difusão dos costumes radicais fundamentalistas no Afeganistão, os clérigos em março de 2001 declaram: "Baseado no veredito dos membros do clero e da decisão da Suprema Corte dos Emirados Islâmicos (Talibã) todas as estátuas na área do Afeganistão devem ser destruídas. Elas são respeitadas agora e podem se tornar ídolos no futuro. Somente Alá, o Todo-Poderoso, merece ser cultuado."

Embaixadores de 54 membros de estados da Organização da Conferência Islâmica, incluindo o Paquistão, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, uniram-se em protesto para a preservação dos monumentos.

Em março de 2001 os Budas de Bamiyan foram destruídos com dinamite e bombardeio de tanques.

afgh05-022-082.jpgAtaque final a estátua maior

Taller_Buddha_of_Bamiyan_before_and_after_destruction.jpg

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Vídeos sobre o assunto: Filme Iraniano: Buda Caiu de Vergonha [Buda az sharm foru rikht]

Lost.Treasures.of.Afghanistan Pt.1 - Pt.2 Historic footage of Bamiyan statues Buddha - Who Destroyed Buddha?


Eduardo Faust

Arquiteto e Urbanista, graduado pela UFSC e pós-graduado em Arquitetura Sacra pela FAJE. Sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, com obras em 6 estados em mais de 20 cidades. Estruturado em linha autoral, busca a conexão dos elementos arquitetônicos vernaculares com a pluralidade da pós-modernidade. .
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