arquitetura do sagrado

quando a forma segue o significado e a beleza é uma função.

Eduardo Faust

Arquiteto e Urbanista, graduado pela UFSC e pós-graduado em Arquitetura Sacra pela FAJE.
Sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, com obras em 6 estados em mais de 20 cidades. Estruturado em linha autoral, busca a conexão dos elementos arquitetônicos vernaculares com a pluralidade da pós-modernidade.

100 anos que mudaram a Arquitetura

Em apenas aproximadamente 100 anos [1850-1950], a revolução industrial e o movimento moderno transformaram por completo as cidades e o modo de se fazer arquitetura.


Paris_Galerie_dOrleans_1829.jpgGaleria de Orleans, Paris 1829

O pensamento iluminista e a revolução industrial, montam a base da evolução tecnológica da arquitetura no final do século XIX. A engenharia estrutural explora o uso do metal em grandes construções, construções com exigências de grandes vãos e grandes alturas como pontes e estações férreas.

No início do século XX ainda sob o pensamento neoclássico arquitetos tornam-se “decoradores” destas estruturas. Engenheiros criavam os espaços e os arquitetos os decoravam. Com a nova tecnologia era possível vencer grandes vãos, sem a colocação de colunas [pilares], porém nas fachadas destes edifícios eram desenhadas colunas sem função estrutural, fazendo um simulacro da “antiga e bela arquitetura”.

Decimus Burton e Richard Turner - Casa das Palmeiras - Kew, Surrey 1844.JPGDecimus Burton e Richard Turner - Casa das Palmeiras - Kew, Surrey 1844

Podemos dizer que o modernismo para a arquitetura começa quando os arquitetos resolvem fazer reflexões sobre este novo momento e entender que a arquitetura deveria acompanhar e tirar proveito das evoluções tecnológicas e trazer para arquitetura esta revolução social, econômica e política.

Bernhard Sehring Armazem Tietz Berlim 1899.JPGBernhard Sehring, Armazém Tietz, Berlim 1899

Um dos pilares do modernismo foi o rompimento total com os conceitos antigos, as escolas passam a não estudar mais a arquitetura clássica e passam a criar estudos baseados na nova tecnologia e na industrialização. O famoso ensaio: Ornamento é Crime [1908] de Adolf Loos é uma das referências de outro pilar do modernismo, o conceito funcionalista de “forma segue a função”. Acompanhado deste conceito vem a frase denominada a Mies Van der Rohe, “o menos é mais”, que ilustra a geometrização da arquitetura é a busca da composição de um edifício baseada em sua totalidade e não em adornos isolados.

Amyas Connell Grayswood 1932.jpgAmyas Connell - Grayswood 1932

Hugh stubbins berlin congress hall Sala Benjamin Franklin 1957.jpgHugh Stubbins - Congress Hall, Berlin 1957

architexts-palacio-itamaraty-3.jpgOscar Niemeyer - Palácio Itamaraty - Brasília 1960

Outro pilar do modernismo é a responsabilidade social do desenho arquitetônico. No urbanismo o acelerado crescimento das cidades fez com que os bairros de baixa renda [de operários] crescessem de forma desordenada em condições insalubres e indignas. Desenvolve-se o estudo da ergonomia e cria-se o homem padrão que toda a arquitetura deva ser desenvolvida para ele de forma limpa, econômica, útil e para todos.

Frank_Lloyd_Wright_-_Robie_House_1906.JPGFrank Lloyd Wright - Robie House 1906

Rietveld_Schröderhuis_HayKranen-1924 2.JPGRietveld - Casa Schröder - 1924

Casa Farnsworth 1951.jpgMies Van Der Rohe - Casa Farnsworth 1951

O nome modernismo ao longo dos anos torna-se amplo, arquitetos produziam contemporaneamente aos modernos uma arquitetura que também aproveitava novas tecnologias mas sem seguir as regras do modernismo, isso fez com que (mesmo com manifestações contra o modernismo) eles fossem caracterizados como modernistas, porém categorizados como organicistas, enquanto os ditos modernistas tornam-se os funcionalistas, além disso o modernismo passou a ser entendido mais como um período histórico que um movimento, assim até arquiteturas completamente distintas dos preceitos modernistas fazem parte deste período, como o art nouveau.

O modernismo é um período que engloba distintas vertentes e o melhor nome para designar a arquitetura elaborada com os conceitos modernistas racionalistas hoje, é “Internacional Style” [estilo internacional].

Em resumo, este perído é o responsável para que as cidades passem de colonais e neoclássicas para as que conhecemos hoje.


Eduardo Faust

Arquiteto e Urbanista, graduado pela UFSC e pós-graduado em Arquitetura Sacra pela FAJE. Sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, com obras em 6 estados em mais de 20 cidades. Estruturado em linha autoral, busca a conexão dos elementos arquitetônicos vernaculares com a pluralidade da pós-modernidade. .
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