arquitexturas musicais e a vida...

Quando os sons que permeiam a vida arquitetam nossa forma de ser

Edgard Georges El Khouri

Arquiteto e urbanista, adicto musical.

Gosto da incisividade, não no sentido ferino, mas no encarar a realidade da metrópole como única possibilidade da melhoria urbana e social.

Decepções: a vida imita a cidade, o urbano... ou seria o contrário?

Reflexões sobre a depressão humana e trocas psicológicas com a cidade, com seus reflexos no urbano.


Um dia vem, outro vai... e algumas coisas insistem, persistem!

Mas devem ir, passar assim como a correnteza de um rio, de forma intensa é verdade... devastadora, mas rápida. Deixam suas marcas - molhadas como a água - mas secam. Não secam no entanto a alma, e muito menos a vontade de seguir em frente...

Decepção é algo que tem muito a ver com a expectativa que se cria em torno de algo ou alguém. 'Algo' não tem vida própria afinal, portanto é de sobejo uma grande besteira criar expectativas em torno de 'algo'. Mas, 'alguém'... e é justamente aí que cometemos os erros mais repetitivos da vida, pois esse alguém tem autonomia, não está sob nosso controle e nem deveria estar. Mas por algum motivo sempre criamos essa 'ilusão' de que, talvez, este personagem ao qual tanto admiramos não irá nos decepcionar. Ledo engano...

Engano porque ele é tão humano como nós, pressupondo-nos seres bem intencionados. Eu erro, tu erras, ele(a) erra... e assim para sempre o será. Que ao menos minimizemos os erros, nossa longevidade terráquea deve valer para alguma coisa!

[NDR: sempre adorei este termo, 'terráqueo'... me trás à recordação "Perdidos no Espaço", demais!]

Não entro no mérito do quem está certo, razões e motivos... cada qual saberá de forma honesta precisar seus motivos - egos de lado - ainda que "no escuro do teu quarto, à meia-noite e à meia-luz..."

E que diabos isso tem a ver com urbanismo, cidade etc? Arte? Rs, vamos lá... IMG_6144a.jpg Porto, Portugal: cidade grande, o antigo convivendo com o moderno, civilidade e gentileza sobrando nas ruas

Andei refletindo sobre isso andando pelas ruas... em metrópoles como São Paulo, mais de 12 milhões de expectativas variadas... nem arriscaria cifras quanto ao número de 'decepcionados'! Mas uma metróple como ela potencializa esse grau de insatisfação pessoal, facilmente reconhecível pela reação das pessoas em simples atos... A 'troca' com a cidade é grande.

A intolerância que acomete paulistanos nativos ou de adoção é enorme... seja no trânsito selvagem, no transporte coletivo, num acotovelamento brusco nas calçadas pouco ou nada acessíveis. É uma crescente falta de educação, civilidade, violência verbal e que descamba para a física, sempre ou quase sempre por motivos banais: pressa (in)justificada, querer levar vantagem sobre o outro, competição, auto-exposição [o famoso show-off]... enfim, "motivos" não faltam...

Urge a busca por uma equação urbana equilibrada, com pitadas de educação, bom senso, civilidade, respeito ao próximo... planejamento urbano, claro, mas eu diria que este último viria se os pressupostos anteriores fossem os ingredientes. Seria irreal nos remetermos ao conceito do slow-life, um pouquinho apenas? Nem seria preciso meter os dois pés nos freios da 'locomotiva nacional'... uma beliscadazinha com um pé apenas, aprumar um ritmo e convivência mais humanos? Seria pedir muito?

A melhor constatação de que estamos mal são os constantes e tresloucados êxodos da capital em feriados. Milhões deixando a cidade deve ser não apenas para descanso e lazer, mas a julgar pela reação de muitos, uma fuga. E como acreditar romanticamente nas declarações de amor pela cidade em todo 25 de janeiro? Onde manifesta-se esse amor durante os restantes 364 dias do ano?

Reflexões por uma cidade mais bacana, harmônica, socialmente justa... e habitável!


Edgard Georges El Khouri

Arquiteto e urbanista, adicto musical. Gosto da incisividade, não no sentido ferino, mas no encarar a realidade da metrópole como única possibilidade da melhoria urbana e social..
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