arquitexturas musicais e a vida...

Quando os sons que permeiam a vida arquitetam nossa forma de ser

Edgard Georges El Khouri

Arquiteto e urbanista, adicto musical.

Gosto da incisividade, não no sentido ferino, mas no encarar a realidade da metrópole como única possibilidade da melhoria urbana e social.

Quando descobrimos que o Brasil é uma doce ilusão

Intolerância radical, partidarismo cego e absolutismo como meio de divisão social


wc2014.jpg Foto retirada do artigo "Copa do Mundo: a Nossa Alegria, o Nosso Fardo", postada em 25 de junho de 2014, de autoria de Magno Karl

Curioso como certos eventos sazonais tem a capacidade de mexer com o emocional das pessoas, de um país.

Sempre tive uma especial predileção pelo natal, e tanto incrível quanto antagônico, também pela Copa do Mundo de futebol, mas nem tanto pelo esporte em si. Explico.

Nestes dois casos, curiosamente as pessoas são tomadas por um repentino sentimento de alegria e certa solidariedade pelo momento vivido, algo como uma catarse nacional, quase como uma redenção momentânea. É como se as pessoas se permitissem acreditar, em meio ao caótico e acelerado ritmo urbano, que sorrisos e gentilezas são possíveis... mesmo que por um tempo limitado. Ok.

grafite-anti-copa-do-mundo_3.jpg Foto de grafite, retirado do blog Resistência Democrática, do post "As razões do desânimo", de 4 de junho de 2014

Mesmo sabendo tratar-se de aspecto efêmero e momentâneo, gosto deste sentimento, ainda que temporário. Afinal, como não se deixar seduzir por abundantes sorrisos ao léu, entusiasmo intenso, um acreditar naquilo que parece possível, ainda que seja por um jogo de futebol? E o que dizer dos ensejos aleatórios de feliz natal e ano novo, feitos por desconhecidos na rua? Mas é claro, isso não dura muito tempo, é limitado aos eventos em si...

2012-07-24t071959z_81509889.jpg Nacho Doce/Reuters

Forçosamente, tudo isso me remete àquela máxima tão propalada, de que o Brasil é o "país da tolerância". Sério mesmo, verdade?

Antes, durante e depois das últimas eleições por aqui, nunca pôde se ver e sentir uma divisão tão grande em função de preconceitos, via diferentes classes sociais. Intolerâncias no... Brasil, pasmem!

Reinaldo Canat.jpg Foto de Reinaldo Canato/UOL

Nunca acreditei que nosso país fosse esse grande exemplo de tolerância e convivência pacífica. E hoje temos pessoas defendendo partidos políticos ou pseudo ideologias como se fossem ferozes oponentes de torcidas uniformizadas (de futebol), onde no vencer vale absolutamente tudo. E muitos se aproveitam das redes "sociais" para exercer seu ódio e intolerâncias virtuais, que ao mesmo tempo também transcendem esse meio para a vida real, o Brasil real. A democracia perde um round.

Diferenças odiosas pela origem regional, racial, social, partidária, sexual e tudo o mais que se possa imaginar, afloraram de forma tão clara, tão nítida, que é impossível continuar a imaginar lindos refrões típicos da bossa-nova, onde se imaginava (ou se fingia?) num Brasil idílico, quase perfeito, abençoado por Deus. E bonito por natureza, geográfica. Aliás, essa mesma natureza geográfica que tanto nos esforçamos para destruir. Mas esse último é base para outro tema, tão complexo quanto sombrio. Ou seria eu o intolerante?

carlosKato.jpg Fonte luminosa multimídia do Parque Ibirapuera, São Paulo - Carlos Kato

Adoro as luzes, o clima de natal... a cidade à noite nesta época! Ainda que neste Brasil tão real, desejo boas festas, sorrisos sinceros e gratuitos a todos os amigos e aos desconhecidos!


Edgard Georges El Khouri

Arquiteto e urbanista, adicto musical. Gosto da incisividade, não no sentido ferino, mas no encarar a realidade da metrópole como única possibilidade da melhoria urbana e social..
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