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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

SONS INESQUECÍVEIS

Ouço o silêncio obscuro de meu interior
Que os sons deste mundo já não ouço mais
Parecem-me ruídos, gritos esganiçados,
Ofendem meus ouvidos já cansados...


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Ouço o som do Universo ao meu redor Meu pai diria: “ouça o som das esferas” E vejo os mundos a rodopiar nos céus E o brilho inconfundível desses astros E o som inaudível da luz cortando o éter

Ouço o murmúrio das águas pelas pedras E sinto a paz que já não existe mais Ouço o burburinho das crianças Algazarra feliz, descontraída e bela Cantigas ancestrais trazidas da lembrança Bailam em roda, despreocupadamente Ainda não perderam a pureza dos anjos Nem se tornaram perversas como os pais Ouço o farfalhar das folhas na floresta E o sublime cantar dos passarinhos A chamar suas fêmeas, a tecer seus ninhos Percebo a sombra dos grandes animais E suponho suas vozes, a rugir, medonhos… A espantar inimigos… a impor domínios… Apenas sons imaginários… nada mais


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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