artefacto artefoto

O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Dane-se o mundo...

Amo alguém que não existe
Não sou quem eu penso ser
Acredito no Absurdo
Confio na Solidão
Escuto o que não ouço
Sigo os passos do Oculto
Vejo tudo na escuridão


_DSC4547.JPG

Sei que são Assombrações Nada além da Imaginação Fico cego na Evidência Sou ninguém, sou traiçoeiro Inimigo da Razão Minha senda é a Sedução

Mas não cedo à tentação De ser apenas apático De confiar na Justiça Na Bondade, na Ilusão Sou apenas prisioneiro Do óbvio, da contradição

Renuncio ao meu direito De ser o beneficiário De ser somente cidadão De ser apenas cordato Na vida que se apresenta Nesse mundo de ilusão

Enquanto tudo se esgarça Em vaidades, miséria, esbórnia Em ambição desvairada Enquanto poucos se fartam Da mesquinhez do mundo cão

Sou um simples marginal Desse mundo desigual Luto só por ideal Supondo até ser possível Um universo real Onde primam a Justiça, o Bem e a Bondade

E o Amor sem compromisso E a Vida só, sem maldade

Mas tudo isso é bobagem De um pensamento pagão

Afinal, somos apenas loucos De confiar na suposição De que além desta vida Existe a compensação De tamanho sofrimento Por um Paraíso de Amor De Paz e de Compreensão

No fundo… tudo e tão-somente São os frutos da Ilusão!


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/Poesia// //João Carlos Figueiredo