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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

A compaixão do ser humano

Em apenas um século a humanidade perdeu suas referências e caminha como zumbis por um mundo desumano, caracterizado pelo egoísmo, o egocentrismo, a avareza e o individualismo que não permitem que percebamos a realidade cruel que nos cerca e nos leva ao abismo mais profundo que o Universo jamais conheceu. Quais foram as causas históricas que nos levaram a isso?


EUA_chihuahua_adocao_sacrificado.jpg "Imagem de um cão 'implorando por adoção' antes de ser sacrificado"

Tenho acompanhado publicações nas redes sociais, em particular o Facebook, onde frequentemente cenas como a da foto aparecem estimulando, pela chantagem emocional, pessoas a adotar animais de estimação. Ou então orações agradecendo a seus deuses e santos pela generosidade para com certas pessoas, geralmente bem situadas na vida. Ou ainda postando "selfies" por motivos banais e irrelevantes para a maioria dos leitores, por tratar-se de cenas pessoais cotidianas. ou também aqueles que se vangloriam de suas fantásticas viagens pelo mundo, hospedando-se em hotéis de luxo e visitando lugares paradisíacos, inviáveis para a quase totalidade da população de qualquer parte do planeta.

O que aconteceu com a Humanidade? Onde estão os valores coletivos, os princípios altruístas que deveriam conduzir o comportamento humano? Esta é a maior evidência de que esse comportamento é aceito e corroborado pela maioria dos jovens, e tolerado pelos adultos, principalmente pelos malformados (ou mal informados) que predominam nos dias de hoje. Pode-se dizer que, mais do que uma tendência, é uma evidência de que o mundo mudou... para pior. Em uma primeira (e superficial análise) poderíamos afirmar que se trata de uma fuga da realidade perversa de nossos dias, caracterizada pelas crises políticas, sociais, econômicas e morais, que ceifam a vontade de pensar e discutir, em profundidade, esses fenômenos perversos.

Mas a resposta não é satisfatória. Mudanças tão profundas não podem ser apreciadas levianamente e, por isso, me atrevo a propor algumas possíveis causas dessas disfunções que minam o comportamento do ser humano e contaminam sua personalidade, provocando atitudes inconcebíveis até mesmo para os mais liberais dos pensadores. É evidente que se trata de uma "epidemia de causas" que se espalha na velocidade dos meios de comunicação contemporâneos, cada vez mais disseminada em todas as camadas sociais.

Para compreender tais causas é preciso retroceder no tempo e tentar encontrar o momento histórico em que ocorreu a inflexão da curva de comportamento humano. Mas também há que se considerar as ressalvas: o Homem nunca foi bom, nunca se comportou com dignidade, nunca agiu com compaixão diante de seus semelhantes. Então, como admitir que houve, de fato, uma mudança? Creio que a maior evidência do declínio ético, moral e intelectual da Humanidade são esses sintomas manifestos nas redes sociais, bem como a análise da produção cultural das últimas décadas. Não estendendo a análise para além de minha longevidade, procurarei me restringir à segunda metade do século XX e aos 15 anos recentes, do segundo milênio. Embora fatores externos sejam relevantes, na medida do possível tratarei da sociedade brasileira, sem deixar de mencionar questões mais universais.

O Brasil de 1950 era essencialmente rural. Cerca de 70% da população vivia no campo, em contraposição ao início do novo milênio, quando 70% da população passou a viver em áreas urbanas. Essa inversão se processou lentamente, mas causou profundas transformações no comportamento, nos valores, na moral e mesmo no processo de transformação dos hábitos humanos, em virtude da velocidade de comunicação causada pelas novas tecnologias. Basta dizer que os meios de comunicação em 1950 eram o rádio, o telégrafo, os correios e, de forma muito incipiente, o telefone. Não havia televisão, e jornais e revistas atingiam um público limitado, além de ser um produto caro e restrito às elites sociais e intelectuais.

Essa economia rural estimulava as relações familiares em detrimento do coletivo, devido às distâncias físicas e temporais entre moradias e propriedades rurais, e aos meios de transporte, predominantemente de tração animal. Para os novatos já fica evidente que as transformações sociais se processavam lentamente, e as tradições e costumes eram facilmente preservados. Mas outro aspecto relevante deve ser analisado: a população era muito apegada à religião, a seus ritos e manifestações de fé e subordinação de condutas às normas eclesiásticas. O Estado não era laico: também subordinava-se à religião de nossos antepassados portugueses, e a própria Constituição Federal mencionava "Deus" ("Nós, os representantes do povo brasileiro, pondo a nossa confiança em Deus, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para organizar um regime democrático, que assegure à Nação a unidade, a liberdade, a justiça e o bem-estar social e econômico, decretamos e promulgamos a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPúBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL" - 1934). O "pecado" e a "confissão" eram as moedas de suborno e contingenciamento das condutas humanas praticadas pela Igreja.

Enquanto isso, o Ocidente emergia da 2ª Guerra Mundial, que causara 70 milhões de mortos e destroçara a Economia das nações envolvidas no conflito. Na Europa, a presença de "inimigos" (fossem quais fossem) e as barbaridades por eles praticadas causaram o desmoronamento dos valores individuais, e a "vergonha" das suas vítimas perante a sociedade estarreceu a sociedade e desmantelou os laços familiares. A transformação das fronteiras mudou a geopolítica do "Velho Mundo" e submeteu povos a tradições e costumes exógenos, impondo mudanças que demorariam a ser assimiladas pelas novas nações emergentes.

É evidente que a guerra não trouxe apenas sofrimento e transformações sociais. Em seu rastro ocorreram expressivas mudanças tecnológicas provocadas pelo desenvolvimento acelerado da indústria bélica, que se tornaram as sementes da evolução dos meios de comunicação, de produção e de transporte da segunda metade do século XX. A televisão, a aviação, os equipamentos eletrônicos e as máquinas industriais foram o embrião da nova era que surgia dos escombros das cidades destruídas pelos bombardeios. A geopolítica também se transformava, aumentando a distância entre o Capitalismo Ocidental e o Comunismo Oriental. O mundo se dividia em dois blocos, e a instabilidade política geraria dezenas de novos conflitos que seriam a marca da Guerra Fria entre a União Soviética, com seus "satélites" socialistas, e a Europa Ocidental e Estados Unidos (este, o maior beneficiário do pós-guerra pois, embora tenha se comprometido na luta dos "aliados", situava-se do outro lado do Oceano Atlântico, não tendo sofrido a violência dos ataques aéreos da Alemanha nazista).

O que aconteceu em todo o mundo depois de 1945 foi o resultado do maior conflito da História do Homem. Todas as mudanças tecnológicas, científicas, sociais e econômicas foram consequência da nova distribuição de forças entre o oriente e o ocidente, bem como do arcabouço militar desenvolvido para o conflito. Mas o principal deles, se é que se pode estabelecer uma precedência, foi a invenção da bomba atômica e seu lançamento contra cidades japonesas - Hiroshima e Nagasaki - cujas populações foram dizimadas pelas maiores explosões nucleares que o mundo já conheceu. Foi uma vitória militar e uma derrota moral, pois as únicas vítimas foram a população civil - mulheres, crianças, idosos -, pessoas inocentes e não envolvidas no conflito mundial. Suas consequências se prolongaram por décadas, devido às deformidades e as doenças provocadas pela radiação nuclear.

Se o mundo nunca teve um período de Paz, as duas guerras mundiais foram, certamente, o ponto de inflexão que buscávamos no início de nossa análise para as transformações sociais que afetaram profundamente a sociedade contemporânea. Não apenas pelo conflito e violência, mas porque as fronteiras se modificaram, as famílias se desagregaram, as diferenças étnicas se acentuaram, as crenças e o fanatismo se intensificaram e os valores éticos, morais e sociais se perderam nos campos de batalha. Surgia uma nova sociedade, mais pragmática, menos puritana, mais egoísta, menos complacente, mais ambiciosa, menos solidária, mais eficiente, menos justa, mais desigual, menos tolerante.

Voltamos ao Brasil, cuja participação na guerra foi apenas simbólica, mas onde suas consequências também se fizeram sentir, seja pelo aumento da imigração de foragidos do nazismo, seja pela perseguição de antigos imigrantes e seus descendentes, pelo fato de seu país de origem ter escolhido o lado errado do conflito (como é o caso dos japoneses), seja pelas escolhas políticas dos governantes, simpatizantes do nazismo (como foi Getúlio Vargas), ou até mesmo pelo ingresso, cada vez mais intenso e revolucionário, das novas tecnologias provenientes da guerra. Além disso, o Brasil saiu do conflito como credor, mas não soube aproveitar essa vantagem; desperdiçou-a, mais uma vez, pela incompetência do Estado.

A ideologia marxista se espalhou pelo mundo, principalmente entre os países subdesenvolvidos, e os dois eixos da política internacional, URSS e EUA, se esforçaram por se beneficiar desse processo, cooptando uns e outros povos, e gerando novos conflitos, como a Guerra da Coreia, do Vietnam, do Laos e do Cambodja, as guerrilhas e os golpes militares na África e na América Latina, e a Revolução Cubana, que viria a alimentar novos conflitos na América e na África, disseminando sua "Revolução Socialista". Esse processo ficou conhecido como a "Teoria do Dominó", alegoria que simbolizava a conversão de países sucessivos à doutrina comunista, através da luta armada e da implantação da "Ditadura do Proletariado". Durou cerca de 45 anos, e terminou com o esfacelamento da União Soviética, e com a derrubada do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. Ao longo dessas décadas, o conflito entre os dois blocos propiciou uma "corrida" por novos desenvolvimentos tecnológicos, não apenas na indústria bélica, mas também na indústria espacial, que culminou com a chegada do Homem à Lua. A dialética marxista produziu os mais profícuos debates ideológicos, enriquecedores do pensamento humano, embora restrito às camadas mais intelectualizadas do mundo civilizado, embora também tenha gerado a "Revolução Cultural" chinesa, um assassinato em massa de inimigos do regime, sob a alegação de que a Pátria estaria acima de seus cidadãos, e as velhas tradições deveriam ser aniquiladas para dar lugar ao "Paraíso Comunista". Algo semelhante às perversidades do Estado Islâmico na destruição de templos e estátuas milenares na Síria e no Iraque...

Na direção oposta, no Brasil sofremos a mais longa e violenta ditadura de nossa história, com práticas da mais cruel e covarde tortura, de assassinatos de estudantes e intelectuais, do desaparecimento de "inimigos do regime" e do sufocamento de qualquer oposição ideológica ao governo militar. Apropriando-se de slogans ufanistas e nacionalistas ("Brasil: ame-o ou deixe-o!"), os generais ditadores permaneceram por 21 anos no poder, produzindo riquezas, construindo grandes obras de engenharia, interiorizando o desenvolvimento, mas também endividando o país com empréstimos estrangeiros que viriam a comprometer toda década de 1980, considerada a "década perdida" pelos analistas econômicos, pela estagnação provocada pelo excesso de gastos na construção de gigantescas hidrelétricas (como Itaipu), de rodovias que atravessaram e fatiaram a floresta (iniciando o processo de desmatamento da Amazônia), de enormes pontes (como a Rio-Niterói) e outras obras faraônicas que causaram um endividamento muito além da capacidade de honrar os compromissos, que se propagou pelos anos posteriores até o advento do Plano Real.

Foi também nesse período que, por orientação norte-americana, o Brasil mudou seu sistema educacional, tradicionalmente humanista, por um modelo positivista, de gosto dos militares, e apoiado pelos Estados Unidos, através do Acordo MEC-USAID: "Os Acordos MEC-USAID foram implementados no Brasil com a lei 5.540/68. Foram negociados secretamente e só se tornaram públicos em Novembro de 1966 após intensa pressão política e popular. Foram estabelecidos entre o Ministério da Educação (MEC) do Brasil e a United States Agency for International Development (USAID) para reformar o ensino brasileiro de acordo com padrões impostos pelos EUA. Apesar da ampla discussão anterior sobre a educação, iniciada ainda em 1961, essas reformas foram implantadas pelos militares que tomaram o poder após o Golpe Militar de 1964." (Fonte: Wikipedia). Essas mudanças forjaram o futuro das novas gerações, cuja cultura foi moldada com o propósito de eliminar a capacidade de análise crítica e, com isso, evitar a formação de novas lideranças que poderiam questionar a truculência das forças militares que governavam o Brasil.

A mudança do século teve uma motivação e uma contribuição inusitadas, causadas pela tecnologia da informação: o "Bug do Milênio", uma falha tecnológica que provocou a substituição de quase todo parque computacional brasileiro, devido a um erro de concepção de analistas, que poderia causar um colapso nos programas e sistemas de praticamente todas as empresas brasileiras e mundiais na virada do milênio. Essa atualização compulsória de "hardware" e de "software" acarretou custos imensos às organizações, mas benefícios ainda maiores, que viriam a influenciar até mesmo os modelos de administração de fábricas, os MRP (Manufactoring Resource Planning), e a implantação de novas metodologias de gestão de negócios nas empresas, os ERP´s (Enterprise Resource Planning) e os CRM (Customer Relationship Management). Essas transformações mudaram profundamente o ambiente empresarial do Brasil e do resto do mundo.

No entanto, as empresas se tornaram menos "familiares", vitimadas pelas multinacionais que se espalharam pelo mundo nas décadas de 1970-90, aniquilando organizações tradicionais e mesmo centenárias. O paradigma de "estabilidade no emprego" se converteu em insegurança para o trabalhador, e na busca por aperfeiçoamento de métodos, técnicas e conhecimentos especializados. A regra passou a ser "valorizar aquele que é mais preparado, que tem mais conhecimento e experiência diversificada". Permanecer em um só emprego passou a significar "acomodação e incompetência para enfrentar novos desafios". É evidente que esse novo modelo estimulava o egoísmo, a ambição e a falta de pudor em galgar posições, mesmo em detrimento de colegas de serviço que seriam por eles substituídos. Esse comportamento repercutiu em toda sociedade, não apenas nas relações profissionais, como também nas relações sociais e familiares.

Voltando, finalmente, às redes sociais, ao comportamento estereotipado e ao tema de nossas reflexões, o individualismo que se tornou atributo desejável também fragilizou relacionamentos. A sociedade, que tinha superado a migração do campo para os centros urbanos, que incorporou a mão de obra feminina, que suportou o desemprego em massa causado pela automação e pelo aumento de produtividade dos computadores e sistemas de informação, agora enfrentava a perda de identidade causada pela degeneração de seus princípios, valores e dogmas em favor de vantagens pessoais. As redes sociais apenas evidenciam os fatos, as realidades e as verdades incômodas desse novo ser humano que passara a existir.

Afinal, a compaixão teria desaparecido do homem contemporâneo? Vejamos outro fenômeno recente: o terrorismo. Não devemos confundi-lo com a guerrilha dos anos 1960-80, cuja ideologia e anseios idealistas buscavam, precisamente, criar um mundo mais justo, mais humano, menos desigual, embora utópicos. O terrorismo surgiu do desajuste dos indivíduos a um mundo com o qual eles não pactuavam. E esse desajuste não era ideológico, em sua acepção política, mas sim baseado em valores que se julgavam superados, anacrônicos, incompatíveis com a realidade atual: o fundamentalismo religioso e as contradições regionais. O primeiro caracterizaria o terrorismo do médio Oriente e das religiões que povoam aquela região desde tempos imemoriais: o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo, todos baseados em escrituras sagradas milenares, publicizadas pelos seus profetas. O Islamismo, enquanto radical, projeta seu ódio nas culturas mais desenvolvidas do mundo ocidental, em particular dos países europeus e dos Estados Unidos. Já o segundo se manifesta entre etnias regionais, como curdos, bascos, saxões, ou em guetos inseridos na sociedade mais desenvolvida do mundo, os Estados Unidos, onde o direito de comprar, possuir e portar armas não tem limites, e em que pessoas desequilibradas praticam seu ódio irracional contra vítimas inocentes.

Mas a compaixão não desapareceu. Prova disso é a tolerância, mesmo a contragosto, dos países europeus, com os migrantes oriundos das zonas de conflito no Oriente Médio e no norte da África. Sabem, os europeus, que todos esses conflitos foram causados pelo colonialismo expansionista dos séculos passados. Não apenas a prática da escravidão, mas a exploração das riquezas naturais daqueles países, usurpadas pelas nações europeias durante décadas, tendo causado o mais profundo estado de miséria, de fome e de desespero nessas populações vitimadas pelo imperialismo capitalista. Agora, milhões de refugiados assombram a Europa com seu desespero, impondo sua presença indesejada na Zona do Euro e aos olhos do mundo dito "civilizado"! Deixá-los morrer à mingua ou afogá-los no Mediterrâneo?

Mesmo que a contragosto, a "compaixão" por esses mortos-vivos é imperativa. Enquanto isso, nossa população brasileira vive situação diferente: décadas de repressão e de ignorância formaram gerações de alienados, incapazes de estabelecer um objetivo, um norte, um destino a ser alcançado, e se refugiaram na proteção aos seus "brinquedos" PET´s, enaltecendo-os nas redes sociais, enquanto um bando de políticos, pervertidos pela mesma política perversa, se apropriam das terras, das riquezas, dos empregos apadrinhados, das verbas públicas, em proveito próprio e desavergonhadamente, sem se preocuparem com sua imagem pública, certos da impunidade em um país que se perdeu no seu passado inglório.

É por isso que, mesmo as causas mais relevantes e necessárias à nossa própria existência ficam adormecidas no desencanto dessas gerações degeneradas. E, ainda que o horizonte prenuncie a tempestade, ninguém se compadece dos pobres, das vítimas de preconceitos e atrocidades, mas pedem, publicamente, que adotemos animais em lugar de seres humanos. E curtem "selfies" estúpidas, apreciam "músicas" idiotas, e se promovem por visitar lugares sofisticados e famosos, enquanto nosso povo é enganado por políticos inescrupulosos que "vendem bolsas de benefícios" que jamais tirarão essas pessoas da miséria e da marginalidade. Essa "elite" se compadece de que (ou de quem)? De animais que já foram selvagens e agora, "domesticados", se tornaram dependentes das esmolas humanas? De outros animais "exóticos" (como porcos, salamandras, cobras e "ornitorrincos") que carregam consigo para lugares em que, no passado, nem mesmo seres humanos eram admitidos, apenas por serem negros, mamelucos ou índios?

Que compaixão é essa que torna cegos os homens para a realidade que nos choca, porém não os atinge?


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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