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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

ENIGMA DECIFRADO: "QUEM MATOU O PT?"


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Após refletir acerca da contradição que vejo em intelectuais apoiarem um governo corrupto e atribuírem a quem pretende destituir Dilma e o PT a pecha de golpistas, creio ter chegado a uma conclusão plausível. Sempre me pareceu estranho esse fanatismo exacerbado da esquerda por um líder decadente e uma criatura malformada e incompetente, mas parece existir uma explicação. Talvez não agrade a ninguém, pois, para concluir o que direi também terei que criticar a direita, conservadora e acomodada, mas vejamos...

Em primeiro lugar, antecipo meu voto ao afirmar que não existe solução satisfatória para nenhum setor do espectro ideológico. A alternativa mais razoável seria trocar a população do Brasil. Mas isso também se aplicaria ao resto do mundo, igualmente torpe e perdido em suas elucubrações... e obviamente, não seria viável. Descartada essa hipótese, vamos tentar compreender as esquerdas, uma vez que a elas dirigimos nossa metralhadora rotatória. Depois de investir mais de duas décadas em um modelo socialista, sem optar pela "revolução do proletariado" e sua consequente ditadura, intelectuais construíram um mito: o líder perfeito, algo similar a Lech Walessa, da saudosa Polônia dos idos de 1990. Sindicalista, Walesa fundou o sindicato "Solidarność" (Solidariedade) e tornou-se um líder carismático, chegando à presidência da república.

Nosso líder perfeito, o "salvador da pátria", teria que radicalizar: seria um operário sem instrução formal, inteligente, carismático e dono de uma retórica impecável... e o melhor: já existia e comandava o poderoso sindicato de metalúrgicos de São Bernardo do Campo, onde se concentrava a indústria automobilística brasileira. Seu nome? LULA (Luiz Inácio)!

Filho de retirantes nordestinos, Luiz Inácio (Lula) da Silva, nascera na cidade de Caetés, Pernambuco, zona de transição entre o Agreste e o Sertão, em 27 de outubro de 1945, dez dias depois da comemoração do aniversário da revolução comunista de 1917, na antiga Rússia dos Czares, e alguns meses depois do término da 2ª Guerra Mundial. Sua efeméride parecia caber na personagem que lhe seria reservada pela História. Quis o destino que sua carreira como operário durasse pouco, atirando-o no sindicalismo pós-ditadura militar, rejuvenescido pela proposta de emancipação político-ideológica da Nação, que sucumbira nos porões da tortura e assassinatos de líderes estudantis, militares insatisfeitos, intelectuais, artistas, sindicalistas e guerrilheiros despreparados e altruístas.

Para não me alongar na História, Lula caiu na bandeja dos movimentos libertários como o néctar da Nova Democracia, ou da Nova República. E imediatamente correspondeu às expectativas, não apenas pelo talento que já demonstrava, mas porque tais correntes intelectuais o assessoravam, polindo seu jeito rude e ensinando-lhe as primeiras lições da cartilha de comando, da política, da ideologia marxista e da conquista do poder. Era um plano engenhoso, sofisticado e de longa maturação. No começo, Lula perdeu várias batalhas políticas, e mesmo como deputado, sua atuação não foi das melhores. Mas logo foi aprendendo, "pegando o jeito", como se diz no interior, e assimilando sua nova personalidade, misto do fanfarrão bem humorado com o comandante da revolução sem armas.

Depois do fiasco de 1990, coincidentemente na mesma época em que Lech Walessa ascendia politicamente na Europa, e diante da avassaladora carreira de Fernando Collor de Mello, Lula foi retirado do cenário político e "retocado" por seus criadores da elite intelectual da época. Amargou mais duas derrotas para Fernando Henrique Cardoso, esse um verdadeiro intelectual, o "Príncipe" de nosso "Iluminismo", um sociólogo imbatível, lapidado pela Universidade de São Paulo, de saudosas recordações. Lula enfrentou o candidato de FHC.

Lula venceu as eleições, não porque fosse o melhor candidato, mas pelo desgaste dos governos FHC, decorrentes da crise internacional da Economia, do escândalo do descongelamento do dólar, das privatizações polêmicas e mal executadas e da síndrome do final do segundo mandato. E FHC lhe deixaria um legado precioso: moeda forte, estabilizada, leis robustas de responsabilidade fiscal e renegociação das dívidas internas e externas. Lula só precisava não errar muito, e seus assessores intelectuais o aconselharam a escolher um Presidente do Banco Central conservador e alinhado com as políticas de FHC. Seu Ministro da Fazenda seria um médico sanitarista, Antônio Palocci (que deveria repetir a proeza de FHC, sociólogo, no governo Itamar Franco), incumbindo-se da condução da política econômica do governo.

Surgia o "Lulinha Paz e Amor"! Durante quatro anos, Lula reinou vitorioso, mas logo se esqueceu das lições recebidas e rompeu com FHC e todos seus seguidores Socialistas Neoliberais. Lula se isolou com seu partido político e seus assessores intelectuais. Começava a se formar a casta dos "eleitos do PT"! Os anos que se seguiram foram apenas consequência dessa desastrosa decisão de segmentar a sociedade brasileira. Surgiram as bolsas assistencialistas, engendradas pela ex-primeira dama de FHC, Ruth Cardoso, e descaracterizadas para se tornarem a poderosa máquina eleitoral do PT.

Já no segundo mandato, a inércia do Plano Real se exauriu e a Economia mundial entrava em uma crise só comparável à quebra da Bolsa de New York de 1929. Para Lula, não seria um Tsunami, expressão em voga na época, mas apenas marolas que passariam por nós sem afetar a Economia. E Lula gastava o que não podia, construindo sonhos, como o de solucionar o problema da seca do nordeste, sua terra natal e seu eleitorado mais cativo, com a faraônica obra de Transposição do rio São Francisco, até hoje inacabada. Estimulando o mercado interno com taxas de juros generosas, Lula chegou bem, ao término de seu mandato, mas já com o fantasma do Mensalão a rondar pela Esplanada dos Ministérios.

Arrogante e audacioso, Lula deu sua cartada de mestre e lançou Dilma, a Gerentona do PAC, desconhecida e inexperiente, para sucedê-lo na presidência, contrariando seu partido, seus assessores intelectuais e o bom senso. Deu certo, e Dilma emplacou a Presidência da República! Os anos seguintes foram o princípio do desmoronamento de seu castelo de areias... as marolas chegaram à sua praia e começaram a minar os alicerces políticos do PT, até então imbatíveis em sua estratégia de montagem de coligações esdrúxulas com partidos e políticos de direita e comprometidos em suas imagens pregressas, como no caso de Collor, Sarney, Renan, Cunha, Maluf... qualquer um que quisesse se aliar em troca de cargos seria bem vindo, desde que jurasse fidelidade ao Partido dos Trabalhadores.

Dilma, certamente, não emplacou. Em seu primeiro mandato apenas seguia as ordens do "chefe da facção", mas na sua reeleição decidiu que era hora de estabelecer a sua marca, sua personalidade. Sem nenhum talento para negociar, muito menos na arena corrupta do Congresso, Dilma "meteu os pés pelas mãos", soltou o timão da embarcação, desgovernou-se e perdeu o rumo em direção à "derrota"! Sucessão de erros, ou "comédia de erros", o fato é que, paralelamente, surgiram crises e denúncias que esgarçaram o tecido podre da "República dos Petralhas", despontando, com toda força, a "República de Curitiba", composta do Juiz Federal Sérgio Moro, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, na mais audaciosa e avassaladora Operação Lava Jato! As entranhas do poder passaram a ser devassadas.

O resto todos sabem, mas minha avaliação final é o que importa: por que os intelectuais não abandonaram o navio, junto com os ratos? Na minha concepção, o investimento fora elevado demais para ser jogado ao mar das tormentas... melhor morrer afogado do que sucumbir na vergonha insuportável do fracasso do grande projeto da "Revolução Socialista 'morena' do Brasil"! O plano de vinte anos de José Dirceu estava acabado.

Convenci a todos? Certamente não... da mesma forma que o assassinato de Celso Daniel, as razões da elite intelectual permanecerão sem esclarecimento ainda por muitos anos, até que alguma vítima do "Exército de Brancaleone" resolva colocar tudo em "pratos limpos"!...

Observação: "DERROTA", no texto, significa o sentido do caminho que a nau deve percorrer para chegar a seu destino.

Acrescentarei alguns comentários que julgo necessários para esclarecer a parte oculta de meu texto, mas que espero que todos compreendam para elucidar o grande mistério:

Existe um plano de transformação do Brasil em um país socialista, arquitetado por um grupo de intelectuais de esquerda, oriundos dos movimentos de 1964. Por isso eles são tão apegados ao poder! Eles precisavam de, pelo menos, vinte anos para consolidar as mudanças. Quando dizem que "o Estado está aparelhado pelos sindicatos", é isso que eu entendo que deveria significar.

Para esse grupo, inclusive da linha de frente de ex-guerrilheiros, como Zé Dirceu, Zé Genoíno, Dilma Rousseff e outros, "os fins justificam os meios" sim! E a nova e muito mais inteligente opção deles não seria assaltar bancos, o que ensejaria pronta resposta das Forças Armadas, mas coagir grandes empresas a entrar para o esquema, trocando obras por propinas! Por que tantas hidrelétricas gigantes, se as novas formas de energia renováveis são muito mais eficientes e muito menos impactantes para o Meio Ambiente?

Porque energia eólica e solar não custam caro, pois se compõem de miríades de pequenas "fazendas" de placas solares ou moinhos de vento! Por que uma obra do tamanho da Transposição do Rio São Francisco, se todos sabemos que não há mais volume de água suficiente para retirar do rio? Só mesmo um objetivo não declarado poderia justificar tal obra... e esse objetivo era o de engendrar um plano "soberbo" de cooptação do empresariado, sem que eles mesmos soubessem dos propósitos magnos do plano, de forma que enormes somas de recursos fossem canalizadas para o "projeto", que consistia em transformar de tal forma, e tão profundamente as instituições federais, que dificilmente seriam descobertos, pois as mudanças se processariam de forma tão discreta e lenta, simultaneamente em todos os setores da Administração Púbica. É isso que estava sendo feito, e que a Operação Lava Jato interrompeu. Nenhum plano é tão secreto que não possa ser desvendado...

Disso se conclui que LULA não seria o Pai da Facção... talvez o "TIO"...

E continua o mistério: quem seria, de fato, o PAI DA FACÇÃO???


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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