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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

O Ocaso das Esquerdas e do PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) é um partido político brasileiro, fundado em 1980, e integra um dos maiores e mais importantes movimentos de esquerda da América Latina. No início de 2015, o partido contava com 1,59 milhão de filiados, sendo o segundo maior partido político do Brasil, depois do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com 2,35 milhão filiados. É o maior partido na Câmara dos Deputados. [fonte: Wikipedia]


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Quando surgiu, em 1980, o PT representava a Mudança de Paradigma pela qual toda juventude socialista brasileira se mobilizava, tanto sob o ponto de vista ideológico, como político e ético. Estávamos em plena ditadura militar, já em processo de dissolução, abalada pelos próprios métodos de combate aos movimentos de esquerda, sobreviventes da forte repressão política dos anos 1964-1975, denominados "Anos de Chumbo" devido às torturas e assassinatos promovidos pelas forças militares, que acreditavam ser donas de toda verdade que existia nesse mundo, dentro e fora das casernas.

Muitas foram as lutas e os debates que cercaram a formação desse partido emergente, ora sem uma ideologia declarada, ora de extrema esquerda, o que se evidenciou, com o tempo, nas diferentes correntes ideológicas que se formaram em seu interior, caracterizando a "democracia" do partido em todas as suas fases posteriores. Na verdade, o PT nunca participou da luta armada contra a ditadura militar, e nem mesmo Lula teve uma posição ideológica definida durante sua vida política como líder sindical. Poderíamos dizer que a ideologia se infiltrou no PT para ganhar as eleições.

A esquerda brasileira se desintegrou ao longo desse processo, formando diversos partidos políticos, como o PCB de Luiz Carlos Prestes, o PCdoB de João Amazonas, o PSTU, o PCO e o PSOL. Outros se alinharam ao modelo europeu da Social Democracia, porém sem que a ideologia socialista fosse determinante em sua ação político-partidária, como é o caso do PSB, do PDT, do PPS e do PSDB, cujas lideranças surgiram à esquerda, mas migraram para o centro ao longo de sua história.

O Brasil nunca foi socialista, nem mesmo durante o auge dos governos petistas recentes. Isso se deve ao fato de a consciência político-ideológica do povo brasileiro ser fraca e desprovida de fundamentos teóricos. O apoio conquistado pelo PT no primeiro governo Lula foi decorrente de sua característica populista, sua linguagem simplória e os programas assistencialistas consolidados em sua primeira gestão de 2003-2006, o que lhe rendeu projeção mundial.

Ocorre que esses programas de "distribuição de renda" não modificaram o status da população miserável do país, pois não eram estruturantes e não permitiram a ascensão dessas pessoas "beneficiadas" para classes sociais auto-sustentáveis e estabilizadas como mão de obra produtiva. Eram apenas "bolsas de misericórdia", na medida em que distribuíam "benefícios" em troca de coisa nenhuma, nem mesmo a obrigatoriedade de capacitação para o trabalho.

Ao final de seu segundo mandato, no entanto, Lula, entusiasmado com a fama adquirida no Brasil e no mundo, acreditou ter se tornado imbatível e insubstituível no cenário político nacional. Lançou dois candidatos sucessivos e conceitualmente "improváveis": Dilma, à presidência da república, e Haddad à prefeitura de São Paulo. Ambos venceram as eleições, não por mérito próprio, pois se tratavam de figuras desconhecidas e despreparadas para o poder, mas por terem surgido à sombra do "grande líder populista" que era Lula! Ambos cometeram os piores erros administrativos atuando no poder.

Dilma, porém, não aceitou viver na sombra de seu criador, e tentou formar imagem própria como dirigente máximo do país. No entanto, as "marolas" da grande crise econômica mundial logo se tornaram "tsunamis" nas praias brasileiras, inundando os porões da nossa Economia. Ao invés dos instrumentos tradicionais de proteção, embasados nos fundamentos econômicos, Dilma e seu ministro Mantega decidiram inovar, seguindo o "mestre" Lula, e acreditando que o consumo interno garantiria a indústria nacional. Para estimular a produção e o consumo interno, Dilma reduziu juros, concedeu subsídios, baixou tarifas e impostos, desorganizando definitivamente o equilíbrio fiscal e as contas públicas.

O resto da história é de domínio público. O que não se discute, no entanto, é onde estaria a ideologia marxista nessa história toda, pois ela não existe! As bases ideológicas dos governos petistas não estavam na estatização da Economia, na Infraestrutura ou na Superestrutura, conforme concebidos por Marx e Engels, mas sim no populismo fanático de seus seguidores, no aparelhamento do Estado através dos movimentos sindicais e de seu peleguismo histórico. Esse aparelhamento compreendeu o inchaço da máquina administrativa através de sucessivos concursos públicos e da contratação de mais de cem mil funcionários em cargos de confiança (DAS - Direção e Assessoramento Superior), desprezando os servidores concursados, que não tiveram acesso a cargos de chefia.

O custo da máquina pública cresceu exponencialmente, enquanto a arrecadação de impostos despencava e a indústria desabava pela competição desigual com produtos importados. O Brasil entrava em processo de entropia, não por incapacidade da iniciativa privada, mas por incompetência do Estado em gerir as constas públicas e em estimular a Economia. Os seis anos seguintes de Dilma no poder foram catastróficos. Se tudo isso não bastasse, a imagem do PT como partido "Ético" se desfazia nos escândalos da corrupção. Inicialmente, o Mensalão expôs as entranhas de um partido que se sustentava nas propinas extorquidas de empresários igualmente corruptos. Depois, muito mais avassalador, veio o Petrolão e seus desdobramentos em quase todas as obras públicas de vulto em construção no pais, como as Usinas Hidrelétricas, as Refinarias de Petróleo, a Transposição do Rio São Francisco, tudo isso em meio à maior crise do petróleo em escala mundial, que levou a Petrobras à bancarrota e à humilhação internacional.

As eleições de 2014 se mostraram a maior farsa eleitoral de nossa história, colocando antigas práticas eleitoreiras em nível infantil se comparadas aos absurdos da manipulação da consciência coletiva perpetrados pelo PT e seus aliados. Na verdade, por trás de um falso idealismo, havia um poderoso esquema de corrupção e enriquecimento ilícito de todas as lideranças políticas e empresariais do Brasil, centradas no PT, no PP e no PMDB, mas irradiando-se pelas demais legendas.

Hoje, podemos afirmar que nenhum político pode ser considerado "inocente" nesse escândalo que ainda está em processo de levantamento da extensão dos danos que causou ao país. Ninguém se atreve a especular, sequer, onde terminará a "Operação Lava Jato", pelo simples fato de nem mesmo a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça Federal saberem onde vai dar esse poço de lama e podridão! E onde está a IDEOLOGIA? Por que, então, esses partidos ditos de ESQUERDA, capitaneados pelo PT e pelo PCdoB, afirmam ser GOLPE o IMPEACHMENT que se anuncia, inevitavelmente?

Muito além da ideologia, o que move esses marionetes da política nacional é a necessidade de sobrevivência e a tentativa de barrar as investigações antes que seja tarde demais. Esse é o VERDADEIRO GOLPE que está sendo praticado contra as instituições brasileiras! Até porque não faz sentido se falar mais em IDEOLOGIA nos tempos modernos. O conceito anacrônico de ESQUERDA e DIREITA não cabe mais no entendimento político-ideológico! O que seria, afinal, a esquerda? Com relação a que se poderia chamar "esquerda" ou "direita" a posição ideológica de cada parlamentar? Não estamos nas cortes do século XVIII, antes da Revolução Francesa! Não temos a Câmara dos Lordes e dos Comuns em nosso Parlamento!

A Humanidade precisa repensar suas ideologias para o momento atual, contemporâneo, sem os vícios e preconceitos dos Impérios, dos Burgos medievais, das Cortes Reais europeias! Estamos no Brasil, não temos as tradições imperiais nem vivemos o feudalismo, embora tenhamos herdado suas piores "habilidades"! É preciso reconstruir conceitos e estruturas de poder para que, daqui a vinte anos ou mais, uma nova Nação se recomponha dos escândalos da contemporaneidade...


João Carlos Figueiredo

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