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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

A Cultura do Non-Sense (ou o ocaso da Humanidade)

Dizem que, quando a população de alguns animais aumenta de forma descontrolada, eles entram em uma neurose coletiva e começam a se matar uns aos outros até que o equilíbrio populacional se restabeleça. É um comportamento desesperado para evitar a extinção da espécie. Os seres humanos, no entanto, movem-se em outra direção, buscando encontrar saídas para sua sobrevivência, ainda que o mundo se torne tão insuportável que não justifica mais nossa própria existência.


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Vivemos um paradoxo: grande parte da humanidade chegou a seus limites de desespero e passou a reagir violentamente contra pessoas inocentes, já que atingir o âmago do poder é impossível. Assim, uns se matam em atentados irracionais, outros buscam o suicídio, sem perceber que seu mundo já se acabou antes de detonar as bombas que carregam sob suas vestes. Mundo insano...

No entanto, insistimos nos mesmos comportamentos irracionais que nos levaram a essa situação: devastação ambiental, desprezo pelos valores sociais, perda de identidade individual, familiar e coletiva... usamos nossos recursos tecnológicos para fingir que o mundo ainda é habitável, que as pessoas se relacionam harmoniosamente, e que a vida ainda vale a pena ser vivida. E nos refugiamos nos jogos eletrônicos, nas conversas vazias das redes sociais, nas manifestações coletivas por causas que não são nossas...

A Terra se tornou insuportável! As crenças fundamentalistas tomaram conta das grandes sociedades e das pequenas comunidades. A "aldeia global" preconizada por McLuhan deu errado, fracassou, assim como o mundo globalizado. Vivemos mentiras nas quais não conseguimos acreditar, mas insistimos em fazer parecer que são nossas únicas e absolutas verdades. Debatemos teses insustentáveis e nos desentendemos com aqueles que deveríamos cuidar e preservar. Destruímos amizades de juventude em nome de ideologias falsas...

O ser humano passou a cultivar a Cultura do Non-Sense, do absurdo, do irracional, e caminha para seu inexorável fim. Pessoas solitárias recusam a companhia de outros seres humanos, substituídos por cães, gatos, iguanas, salamandras, cobras e lagartos, sem se aperceberem que aos animais basta ter alimento, um lugar para dormir e o afago insensato de pessoas que desprezam seus semelhantes em busca do impossível: o amor de um animal...

O Ocaso da Humanidade encontra-se estampado nessas condutas absurdas, pois, se não somos capazes de amar nossos semelhantes, de proteger nossas crianças, de renegar o preconceito étnico, nosso futuro estará, definitivamente, selado, e caminhamos, inexoravelmente, para o fim. Não se acabará a vida na Terra, ainda que o último ser vivo seja extinto, pois isso já aconteceu várias vezes ao longo dos tempos imemoriais, mas a Humanidade, tal qual a conhecemos nesses últimos séculos, essa jamais sobreviverá...

Nem mesmo o mais trágico vislumbre dos filmes de ficção será capaz de refletir o fim da Humanidade...


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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