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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Os Equívocos da Esquerda Brasileira

Desde a transição democrática de 1985, quando os generais deixaram o Palácio do Planalto, as esquerdas lutaram para conquistar o poder, fazendo crer à Nação que eles tinham um projeto de governo. Foram várias tentativas, que só terminaram por dar certo porque o neoliberalismo de Fernando Henrique sepultou de vez a ideia de que era possível unir a intelectualidade nacional em torno de um nome respeitável. FHC traiu o pensamento socialista! Mas também só deu certo porque Sarney, Collor e Itamar fizeram tamanha confusão no país que o povo até acreditou que um sindicalista poderia cuidar da Nação com mais competência.


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Os planos econômicos que tentaram colocar nossa Economia nos eixos foram um tremendo desastre! Uma sucessão de projetos mirabolantes que acabaram por derrubar o presidente Collor, envolvido até o pescoço em denúncias de corrupção, e até um episódio de conspiração capitaneado pelo seu superministro PC Farias, que acabou sendo assassinado ao lado de sua amante. Parece enredo de romance policial, mas é a pura realidade tupiniquim! FHC teve a sorte de entrar quando todas as tentativas esdrúxulas já tinham sido tentadas e... fracassado! Até Zélia Cardoso de Mello (parece que todos eram de Mello...) pisou na bola e sequestrou a poupança e o faturamento de todas as empresas. Supermercado e posto de gasolina viraram agência bancária pela falta de liquidez dos ativos financeiros...

FHC cometeu muitos erros, mas teve o bom-senso de cuidar da Economia da mesma maneira que cuidamos de nosso orçamento doméstico, ou seja, promulgando uma lei onde só se podia gastar o que se tivesse arrecadado. Lei óbvia, mas funcionou! E ficou sendo conhecida como a Lei de Responsabilidade Fiscal que, depois, os governos do PeTê cuidaram de desmoralizar e tudo voltou a ser como antes no quartel de Abrantes! Passou-se a gastar irresponsavelmente, até que o Brasil implodiu! As "belas" políticas públicas que tornaram o partido idolatrado, salve salve!, mostraram que eram apenas bolhas assassinas, prestes a explodir, como o fizeram depois da reeleição da gerentona do PAC, na maior fraude eleitoral de nossa História! Sim, porque, "nunca, na história desse país", ninguém roubou tanto, e tão descaradamente como o PeTê e sua gang de malfeitores!

Mas eles venderam bem o seu peixe, e durante anos conseguiram ludibriar não apenas o rebanho de cordeirinhos beneficiados pelo Bolsa Família, mas também boa parte do empresariado, iludido por medidas protecionistas voltadas a disfarçar a tremenda crise econômica, social e política que se avizinhava! O que não se esperava é que houvesse uma rebelião sendo engendrada nos calabouços do próprio governo: a turma da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal estava planejando uma enorme operação que marcaria para sempre a História do Brasil depois de Cabral: a Operação Lava Jato! De repente, um bando de delatores entregou o ouro, a prata e todos os tesouros guardados a sete chaves no Palácio da Alvorada! E o Brasil, finalmente, despertou!

Os escândalos da Petrobrás eram apenas a ponta do iceberg do que havia sob aquela superfície onírica da esquerda brasileira, encantada consigo mesma, imaginando-se invencível e acreditando que o Brasil, enfim, se tornara a Pátria Livre do Comunismo Tupiniquim! Aqueles que estavam por trás de Lula, e que fizeram crer a todos que Lula era, de fato, um gênio que governava apenas com sua cabeça e com suas ideias magistrais, de repente viram que o feiticeiro dera o golpe nas esquerdas e colocara uma tresloucada no poder, capaz de bagunçar todo o esquema montado para captar propinas e financiar o partido dos trabalhadores.

Dilma caiu por incompetência própria, mas teve o mérito de desvendar o mistério que envolvia o poder do caudilho Lula: ela derrotou seu próprio criador, e abriu caminho para o "golpe" do impeachment! Sim, devemos a Dilma e seu séquito de brancaleones a estupidez de "quebrar o encanto" da "intelectualidade socialista" do Brasil! Não fosse ela e o poder ainda seria deles, articulando teorias conspiratórias contra a infeliz direita, que nem líderes competentes o suficiente possui para afrontar a fúria dos sindicatos pelegos e a verborragia dos teóricos dos partidos comunistas travestidos em "democratas"!

Onde foi que o PeTê errou? Em que momento o partido se esfacelou e deixou que o segredo, guardado a sete chaves, fosse desvendado e tornado público para a população estarrecida? De repente, por um simples passe de mágica, o espelho se quebrou e revelou a verdadeira face de Dorian Gray: o partido envelhecera e fora incapaz de admitir sua caquética figura! Os planos de governo mostraram-se falsos, as políticas públicas "socialistas" evidenciaram sua pior face de neo-capitalistas atrelados às oligarquias centenárias do agronegócio! A realidade se desnudou na frente do espelho, mas este era transparente e o rei estava exposto à opinião pública! Suas "vergonhas" foram, afinal, apresentadas ao povo enrubescido pela vergonha!

E o que restou de verdadeiro desses 14 anos de história?

Os movimentos sociais foram, de fato, empoderados! Uma nova classe de lideranças populares aprendeu a reivindicar seus direitos, enfrentando a aristocracia neo-colonial. Os indicadores sociais melhoraram, estimulados pela oportunidade que se abrira na Economia mundial. O emprego cresceu durante 12 anos, assim como a renda média do brasileiro. O Brasil avançou entre os países dos BRICS, tornando-se uma respeitável liderança no contexto internacional. Porém, bastaram dois anos de completa desorganização política, econômica e social para se perderem todas essas conquistas, "vitórias de Pirro" desmascaradas pela insensatez de uma única governante! O "golpe" estava preparado! De um Congresso corrupto e desmoralizado surgiram os arautos da "revolução desarmada"! Um líder sem caráter conduziu esse processo, tornando-se vítima de sua própria arrogância...

Hoje podemos dizer que não houve vencedores. Quem ficou com a coroa também está "marcado para morrer", denunciado pelos mesmos crimes que cometeram os antigos "donos do poder"! Agora, esses esfarrapados "vencedores" se arrastam pelos corredores do Congresso, tentando articular uma trégua imoral como aquela dos "inocentes" dos mesmos pecados, pelos quais condenaram o PeTê: corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influências, formação de quadrilhas, enriquecimento ilícito e abuso de poder!

Mas a questão que se oferece à análise é outra: existiu de fato uma "esquerda" no poder? Quem foram os ideólogos que sacrificaram o líder sindical em nome de uma revolução cultural à brasileira? O que queriam esses conspiradores? Ainda podemos tratar a Política, em sua mais "nobre" acepção, como um dualismo esquerda-direita, como era compartilhado o poder na Revolução Francesa do século XVIII? Faz sentido essa dicotomia, ou estamos apenas lidando com uma figura de linguagem, sem ressonância ou embasamento teórico em um mundo em transformação, em que a dualidade é pobre e desprovida de inteligência?

A Ideologia, afinal, acabou?

A dinâmica social, a diversidade e a complexidade das forças políticas que interagem nessa arena do século XXI ainda permitiriam se lidar com o poder na forma que este se apresenta para o mundo dito "civilizado"? Quais seriam as principais demandas da população mundial, ameaçada pela fome, pela seca, pela exaustão dos seus recursos naturais e por um fenômeno ainda controverso chamado simplesmente de "Mudanças Climáticas"? Faz sentido lutar por um poder central quando o mundo se dispersa na diversidade de produtos, conceitos, utopias, realismos fantásticos e tecnologia avassaladora que nos comprime contra as dobras do tempo?

O mundo enfrenta, provavelmente, sua crise mais radical: a superpopulação versus a escassez de recursos. Hordas de migrantes percorrem a Europa, fugindo de uma guerra que ninguém quer, mas todos alimentam, por ódio, por vaidade, por poder, por vingança não se sabe contra o que, ou contra quem, tornando a vida, no Velho Continente, insuportável e contraditória... mata-se por nada, morre-se sem saber por que, vive-se pela simples necessidade de sobrevivência, justamente na porção mais intelectualizada e mais rica de conhecimentos que a civilização humana já produziu. O terrorismo tomou feições incontroláveis...

E ainda temos a audácia de discutir IDEOLOGIAS?


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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