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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

CONFABULAÇÕES


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A se depreender das manchetes das mais importantes mídias, o futuro se nos revela assustador. Ataques mundiais de hackers, assassinatos em massa, crimes de colarinho branco, desestabilidade econômica em nível mundial, ameaças de guerra nuclear, organizações criminosas fora do controle, igrejas fundamentalistas, terrorismo internacional, hordas de migrações humanas, corrupção generalizada, ressurgimento dos partidos fascistas no “primeiro mundo”, avanço devastador do agronegócio no Brasil, aquecimento global crescente, decisões elitistas e preconceituosas do governo brasileiro… parece-nos que os alicerces da sociedade contemporânea desmoronam diante de nós!

O que terá acontecido com a Vanguarda Socialista? Onde estará a Arte Revolucionária? O que restou de ideológico no Pensamento Ocidental? De olho no retrovisor, sentimos saudades dos anos 1970, mesmo com o terror da ditadura, pois lá, no passado quase remoto das nossas memórias, havia a MPB de Chico Buarque em sua mais criativa fase, ao lado de Milton Nascimento, Ivan Lins, Vinícius de Morais, Tim Maia, Tom Zé, Tom Jobim, Gonzaguinha, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Elis Regina, Maria Bethânia, Raul Seixas, Wagner Tiso… também havia o Cinema de Arte de Antonioni, Bergman, Fassbinder, Herzog, Altman, Polanski, Kulbrick, Woody Allen, Bertolucci, Pasollini, Coppola, Fellini, Kurosawa… a Literatura Latinoamericana e mundial de Gabriel Garcia Marquez, Jorge Luiz Borges, Julio Cortázar, Octavio Paz, Umberto Eco, Vargas Llosa, Saramago…

Como chegamos a esse deserto cultural que nada oferece de relevante para a Arte e a Cultura em geral? Como, paralelamente, e pelas mesmas razões, fomos levados a essa degradação de costumes e depravação moral e ética da política e da sociedade? Qual será, enfim, o futuro da Humanidade, diante de tantos e tamanhos retrocessos no Pensamento Filosófico e na Criação Humana?

Enquanto a Ciência e a Tecnologia avançaram além das fronteiras do imaginável, oferecendo soluções e invenções jamais pensadas ou previsíveis no século passado, o desenvolvimento intelectual dos povos do mundo se encolheu em sua mediocridade. E os efeitos dessa degeneração do homo sapiens se propagam pela degradação ambiental, jamais concebida há apenas um século, ameaçando o próprio futuro da raça humana, tão decantada em prosa e versos por toda extensão do tempo histórico que nos precedeu.

Parece que a superpopulação da Terra, aliada a um processo de consumismo intolerável, estimulado pelas novas tecnologias da informática e das telecomunicações, produziu efeitos colaterais insustentáveis à sobrevivência do ser humano no planeta. A tecnologia foi o gatilho que provocou essas mudanças, e parece que não haverá retorno para esse processo devastador. A existência humana se tornou fútil, frívola e amesquinhada por um egocentrismo predatório.

Na pequenez desse raciocínio parece não haver saída, e a Humanidade haverá que encarar sua própria destruição. Porém, na infinitude dos tempos arqueológicos, nada disso importa. Essa raça humana será extinta, com certeza, e provavelmente, levará consigo o Meio Ambiente inteiro, tal como o conhecemos, com sua fantástica diversidade biológica, inestimável riqueza e incomparável beleza… mas a Terra, na totalidade de seus elementos físicos e químicos, permanecerá praticamente intocada, com as mesmas potencialidades que produziram o ser humano e demais seres viventes (animais, micróbios, florestas), rios, mares, atmosfera e recursos minerais.

E depois de nossa extinção, milhões de anos passarão até que novas formas de vida se manifestem, com toda sua potencialidade criativa, diante de um futuro inimaginável de alternativas de vida no planeta. E, mesmo assim, não teremos consciência dessa beleza incompreensível, nem teremos tido a oportunidade de desvendar sequer uma fração irrelevante desse Universo que nos cerca, repleto de outras vidas e de outras possibilidades… e assim, a pequenez dos terrenos seres humanos impedirá que solucionemos as três indagações fundamentais de nossa frágil e vã Filosofia, irrelevantes diante de absoluta insignificância terráquea no concerto desse infinito Universo: “De onde viemos?”, “Por que existimos?”, “Para onde iremos depois da morte? (haveria, afinal, um deus a nos proteger e nos salvar dessa desgraça?)”


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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