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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Democracia & Liberdade: o que está em jogo?


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Durante 21 anos o Brasil foi amordaçado por uma feroz ditadura militar, que calou as vozes dissidentes, prendeu inimigos do regime, torturou e assassinou aqueles que queriam apenas Democracia e Liberdade. Até mesmo jornais conservadores e líderes religiosos que colaboraram com o golpe de 1964 foram submetidos à censura e ao terror de um regime violento e cruel. Foram os ANOS DE CHUMBO, mais de duas décadas durante as quais quase todos os países latino-americanos viram seus filhos sendo massacrados por governos totalitários e cruéis. Nesses tempos de horror, muitas famílias perderam seus entes queridos, levados na calada da noite para as dependências de tortura, como o DOPS, o DOI-CODI, a CASA AZUL de Marabá/PA, a Casa de Sâo Conrado/RJ, a Casa da Renascença/BH e a CASA DA MORTE em Petrópolis, além dos Centros de Tortura da Marinha (CENIMAR) e da Aeronáutica (CISA), todos comandados por cruéis torturadores, como o Coronel Brilhante Ulstra (do DOI/CODI), e sob orientação da CIA norte-americana.

Quando, finalmente, o Brasil recuperou a liberdade, em 1985, e promulgou a Constituição em 1988, pensávamos que estaríamos livres para sempre do terror e do ódio que os militares implantaram em nossa sociedade. A Comissão da Verdade, durante anos, tentou esclarecer todos os abusos e Crimes contra a Humanidade praticados pelos generais e seus asseclas. Porém, a Liberdade nunca foi irrestrita, e as sombras do terror continuaram a pairar sobre nós, sempre que uma crise institucional ou política recaía sobre o país. Mesmo durante os governos petistas, a cada mudança social que se tentava implementar, em busca da Justiça Social, havia o temor constante de que os militares saíssem dos quartéis e voltassem a tomar o poder.

Porém, agora, com as eleições majoritárias de 2018, quando a corrupção foi devassada, quando toda sujeira do poder foi despida diante do povo, quando a Justiça começou a alcançar os poderosos da República, surge uma aberração chamada "Bolsonaro", empunhando armas, simulando execuções em massa, prometendo extraditar a Esquerda política para Cuba, jurando acabar com todas as conquistas sociais e ambientais, destilando ódio e preconceito contra negros, índios e gays, separando a sociedade entre os raivosos e poderosos do agronegócio e velhas raposas corruptas do passado, do verdadeiro povo brasileiro, honesto e trabalhador, dividindo a Nação entre os "novos" ocupantes do poder e seu séquito de tresloucados, o Brasil se vê diante da possibilidade de enterrar de vez a jovem Democracia que nasceu em 1988, trazendo de volta seus algozes (torturadores), prometendo ser mais cruéis e desumanos que seus antecessores, tendo como únicas diretrizes a força, a violência, a arrogância e o terror!

Não se trata, porém, de uma simples troca de comando político, mas de um retrocesso radical em todos os setores da sociedade: educação, saúde, economia, cultura, meio ambiente, setores produtivos e relações sociais... o candidato chegou a afirmar que "o povo era mais feliz há cinquenta anos", um saudosismo da violência dos militares contra o Povo! Seus preconceitos jogam por terra várias conquistas sociais, como o respeito pelas minorias, a proteção do Meio Ambiente, os acordos internacionais firmados pelo Brasil, a Justiça independente, e até mesmo os direitos indígenas, assegurados pela Constituição de 1988!

Talvez a população jovem, por ignorância, não conheça a História do Brasil, e não acredite que tenha havido uma ditadura sanguinária e feroz, pois até mesmo o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Tóffoli, se vendeu aos militares ao afirmar que "prefere dizer que houve um movimento de 64" em vez de um violento golpe militar que calou a boca do povo por 21 anos de barbáries! Porém, isso não justifica o "prestígio" desse capitão reformado que só não foi expulso da Aeronáutica por condescendência dos militares, pois ele mesmo, Bolsonaro, afirmou pela imprensa que tentou explodir o quartel onde servia.

O que aconteceu com o Povo Brasileiro? Por que até mesmo os empresários e latifundiários apoiam esse ser execrável, horroroso, ignorante e totalmente despreparado para comandar uma das maiores nações do mundo? Como podem acreditar em suas mentiras, apoiar seus preconceitos, estimular suas lorotas e promessas de tortura, violência e radicalizações na Economia, prometendo até entregar nossas riquezas naturais para que empresas e governos estrangeiros venham para cá explorá-las em benefício próprio e não da nossa Nação? Que papel terá sido determinante nesse estranho resultado, além da manipulação descarada das mídias sociais, através de mentiras veiculadas em contas do WhatsApp e do Facebook? Teria, nossa sociedade, se deteriorado de tal forma, a ponto de perder suas próprias referências e aceitar esse monstro simplório como modelo para governar o Brasil?

Estamos à beira de um abismo sem retorno. Caso essa expectativa, alimentada pelas pesquisas eleitorais e estimulada por uma imprensa vendida ao agronegócio, se confirme, o Brasil perderá, definitivamente, seu lugar na História contemporânea e, em poucos anos, seremos equiparados aos países mais atrasados do mundo, seja na Economia, seja na Cultura, seja na Educação... e a culpa será de todos: eleitores e partidos políticos, que não souberam enfrentar essa ameaça inaceitável! Alguns, por incompetência, outros por egoísmo, outros ainda por ignorância ou inapetência pelos destinos da Nação. No entanto, com certeza, todos que se omitiram serão responsabilizados pela História, mas seu arrependimento não será suficiente para reverter essa desgraça nacional chamada "JAIR BOLSONARO"!


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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