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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

A Mensagem e os Meios

Os dilemas e desacertos de um falso "mito" dessa "republiqueta das bananas", onde as instituições se desfazem no maior "imbróglio" político e ético da triste História do Brasil, repleta de mentiras, bravatas, torturas e genocídios....


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Segundo Marshall McLuhan, educador, intelectual, filósofo e teórico da comunicação, "O Meio é a Mensagem"... mas neste Brasil das oligarquias dominantes, da Escravidão, do Genocídio das populações indígenas, dos sucessivos ataques aos cofres públicos e das mentiras exaradas pelas personalidades públicas, não é exatamente assim... para eles, tudo é possível, dentro da ótica míope de governantes ineptos, de jornalistas submissos aos interesses das grandes mídias, de professores equiparados a garis e "baderneiros", de pesquisadores ameaçados por uma súcia de malfeitores a serviço do "MITO e seus micos amestrados"... Há cerca de três anos, quando do esquisito e insustentável "impeachment" de Dilma, fomos levados ao paroxismo nas manifestações histéricas "em defesa da pátria" e do clamor de parte das massas pela volta da Ditadura Militar, aquela mais recente, de 1964-1985, quando milhares de pessoas (homens, mulheres e até mesmo crianças) foram presas e muitas delas torturadas, assassinadas e "desaparecidas", apenas por serem tidas como suspeitas de "conspiração contra o regime militar", sem que ninguém suspeitasse do terror que viria a seguir.

As eleições de 2018 foram marcadas por disputas jurídicas absolutamente inaceitáveis em um país republicano e democrático: o pré-candidato com maior percentual de apoiadores (Luiz Inácio "Lula" da Silva) fora excluído da disputa eleitoral pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, enquanto seu maior e mais improvável oponente, Jair Messias Bolsonaro (o "Mito"), usava dos artifícios mais desonestos ("fake news" em redes sociais, apoiadores "comprados" no Facebook, acusações falsas a seus oponentes, entre tantas outras baixarias) para assegurar sua "vitória", sem que nenhuma das esferas do Poder Judiciário (STF, STJ, TSE) se manifestasse sobre esse desmantelamento das instituições democráticas, engendrado pelo próprio candidato e seus "garotos", e apoiado, surpreendentemente, pela maioria dos empresários e dos "Supremacistas Brancos" (sim, eles também existem aqui!) deste país muito "estranho"! A eles se somavam os fascistas, adoradores das pistolas, revólveres, fuzis e carabinas, evangélicos de diferentes seitas e - PASMEM!" - mulheres, gays, negros e indígenas!!!

Pois bem, o "Mito" se elegeu e não decepcionou a nenhum de seus seguidores: começou a fazer uma "caça às bruxas", identificadas essas como estudantes de nível superior, mestrandos, doutorandos, pesquisadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros amantes da Cultura e do Saber Verdadeiro. A escolha de seu ministério comprova suas escolhas torpes e seus defeitos de caráter e de formação intelectual. Uma sucessão de trapalhadas, como seu medíocre discurso de seis minutos em Davos, diante do Mundo Civilizado, suas bizarras escolhas de ministros igualmente imbecis, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (designado para acabar com o MEIO AMBIENTE e apoiar o agronegócio), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo (de medíocre histórico no Itamaraty e "discípulo" de Olavo de Carvalho), os ministros da Educação: primeiro, o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, e depois o economista Abraham Weintraub (ambos nomeados por ordem do guru do "mito", Olavo de Carvalho, que não tem nível superior e não reside no Brasil), e a hilária "ministra" da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que, mesmo tendo sido acusada de "sequestrar" e adotar uma criança indígena, à revelia da família, passou a ser responsável pelo destino dos Povos Indígenas do Brasil, comandando a Fundação Nacional do Índio... e tantas outras lambanças, exaustivamente denunciadas pela imprensa "livre"...

Agora, depois de suas trapalhadas tragicômicas que paralisaram o país por seis meses, em sucessivas crises políticas e embates espúrios contra o Congresso e a Justiça, parece que seu "arsenal de boas ideias" (com todas as ressalvas) chegou ao fim... se a inflação, os juros e o dólar se mantiveram estáveis, da mesma forma (e no lado oposto do espectro dos resultados) o desemprego continua em mais de 12% da população (índice oficial, que não contempla os subempregos, da ordem de mais 13%) e a Economia permanece estagnada, em provável recessão (já com um PIB negativo para o primeiro semestre), evidenciando um cenário alarmante, ainda que a reforma da Previdência seja aprovada. Para surpresa de todos, o Ministro da Economia só agora sinaliza para medidas a serem enviadas ao Congresso para combater o desemprego e a recessão... mas este ano e os próximos três da gestão fascista-liberal já foram prejudicados, e essas medidas só teriam efeito a médio e longo prazos, quando já estaremos envoltos nas névoas de outro processo eleitoral suspeito, obscuro e vicieado.

Finalmente ("last, but not least"), depois desse preâmbulo, chegamos aos fatos recentes, denunciados pela revista eletrônica "The Intercept Brasil", que afirmou estar de posse de um grade volume de informações acerca de Moro (o Juiz "Mito"), da Procuradoria Geral da República (através de sua equipe da Operação Lava Jato) e da grande imprensa. Segundo "The Intercept", as relações promíscuas entre o juiz e os promotores-acusadores de Lula sinalizavam questões nada republicanas de indução de linhas investigativas voltadas à aniquilação da imagem pública de Lula (que terminou seu segundo mandato com mais de 80% de aprovação) e à condenação do ex-presidente! Denúncias que, se forem verdadeiras, trarão à tona o maior escândalo de discriminação ideológica e de parcialidade jurídica de que se tem notícia, fora dos regimes totalitários de Vargas e dos Generais de 64!.

Curiosamente, porém, ao invés de se abrir uma investigação para verificar se as denúncias são verídicas, organizam-se a Polícia Federal e a Procuradoria Federal, por ordem do próprio elemento sob suspeição, o Ministro Moro, para tentar descobrir as fontes das denúncias contra ele mesmo! Ou seja, outra anomalia nada republicana... e para nosso espanto, a imprensa, que nunca foi isenta (mas deveria ser), passa a alternar as diferentes interpretações dessa página vexatória da História de nosso país, fomentando o debate, não da veracidade e dos impactos de tais denúncias, mas sim da disputa entre acusações (da Revista) e acusados (da Justiça)... O que é o mais importante, afinal: o MEIO ou a MENSAGEM? O que vale a pena investigar: o Juiz Sérgio Moro e suas relações promíscuas com Procuradores Federais, ou a fonte dessas denúncias, provavelmente de origem ilícita, mas não necessariamente mentirosas?

Estamos, portanto, diante de um dilema insuperável: ou deixamos de acreditar em MITOS e assumimos nosso próprio papel no destino, ou esse país se degenera em escândalos sucessivos e extremos, ora culpando a "ESQUERDA COMUNISTA", ora tentando ocultar as mentiras do FASCISMO que se avizinha cada vez mais de nossa realidade pública. Somos uma nação de analfabetos funcionais, submissos a religiões messiânicas (inevitável a analogia) e a super-heróis desprovidos de caráter... de qualquer modo, nosso "mito" está NU, assim como nossa "democracia"... se é preciso uma revolução, ela jamais poderá ser feita pelas ARMAS mas sim pela nossa dedicação absoluta à CULTURA! O resto é APENAS demagogia... __________________________________________________________

NOTAS

1. Sobre a "sucessão de trapalhadas" - Confira 36 trapalhadas dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro

2. "O Meio é a Mensagem" - fonte: Wikipedia

3. Empresários financiaram disparos em massa pró-Bolsonaro no Whatsapp, diz jornal “El País”


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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