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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

O Ogro está nu...

... e ejaculou fezes diante de um mundo perplexo e escandalizado com a mediocridade de um governante raivoso e despreparado para conduzir uma nação...


Brasil do Futuro.jpg

Foto: o Brasil do futuro...

Dificilmente as exportações brasileiras não serão afetadas pelo surpreendente discurso belicoso e retrógrado proferido pelo Presidente da República, diante da plateia de representantes das 193 nações que fazem parte da Organização das Nações Unidas. Estupefatos pela quebra de protocolos, pelo furor e ódio declarados pelo capitão-mor, assistido pelos seus lacaios, falou apenas para seus adeptos e não para a comunidade internacional, e quebrou uma tradição diplomática do Brasil na abertura anual dos trabalhos da ONU... em vez da usual e esperada atitude de reconciliação, um típico discurso de campanha eleitoral que o conduziu ao cargo máximo da nação brasileira.

Pela repercussão mundial de seu discurso, o agronegócio já contabiliza futuras perdas de exportação e grandes dificuldades que terá para negociar com seus parceiros europeus. Nesse momento trágico da história, acredita-se que capital estrangeiro escasseará ainda mais, enquanto a Economia não reage, mesmo com a aprovação da reforma da previdência e dos esforços de um ministro da economia enfraquecido pelos reveses e sem alternativas "mágicas" para salvar o que resta de nosso país. Caminhamos, inexoravelmente, para o abismo das incertezas, da estagnação econômica, do isolamento da comunidade internacional e da perigosa degradação de nossos biomas, substituídos por campos de soja, pastos e latifúndios desoladores do agronegócio. Em lugar de florestas majestosas, monoculturas intermináveis, desertos verdes de grãos, e 200 milhões de bois arrotando metano.... Só o arroto do boi equivale a 69% dos gases estufa liberados no Cerrado... a área de pastagens no Brasil supera 160 milhões de hectares: 18,8 % de todo território nacional, muito superior às áreas preservadas pelas unidades de conservação (cerca de 12%) e das terras indígenas (13,5%).

Enquanto isso, o radicalismo ideológico continua desmontando as instituições públicas, transferidas para as mãos de adeptos do radicalismo ideológico dos adoradores do presidente e do fanatismo religioso, anti-indígena e antiambiental de seus seguidores. A devastação da Amazônia e do Cerrado prossegue a passos largos, estimulada pelas falas inconsequentes do mandatário maior, deixando para trás o rastro desolador da paisagem monótona dos imensos campos de soja e grãos, e dos intermináveis pastos de gado produzidos pelo agronegócio. Devido à perda da biodiversidade, a disponibilidade de água no Brasil se reduzirá drasticamente, trazendo a carestia e o fim do império dos latifúndios e do próprio agronegócio. A indústria segue sucateada e sem perspectivas de redenção, pelo abandono causado por uma política suja e inepta do grupo que tomou o poder, e das falas cada vez mais raivosas do presidente, proferindo impropérios e vomitando ódio a todos que não comungam das mesmas ideias e crendices medievais.

O que será do Brasil depois de tanta ignomínia incendiária dessa Ku Klux Klan tupiniquim, que não desiste de sua doutrinação fanática e fascista? O que será das gerações vindouras, vítimas inocentes desse holocausto do qual não participaram, mas que os sufocará, inexoravelmente, em sua maturidade intelectual? O que será dos trabalhadores, dos idosos e dos intelectuais que sobreviverem à perseguição ideológica e não puderem deixar o país, desencantados e sem esperança? O que será de nossas florestas tropicais, da riquíssima fauna e dos soberbos rios e aquíferos, devastados pela desmesurada ambição de oportunistas, enriquecidos ilicitamente pela sede insaciável de ocupação e destruição de reservas ecológicas e de terras indígenas legitimamente criadas depois de muita luta e trabalho por demarcação? O que será de nós, reles mortais, desprovidos de poder e influência para interferir nos rumos da política, sem recursos para viver no exterior, fugindo dessa tresloucada “experiência” advinda dos “gurus” ideológicos que ressuscitaram das catacumbas medievais e dos infernos assombrosos do passado mais torpe de nossa história?

O futuro é incerto e tenebroso, mas nossa resiliência talvez nos salve dos desmandos e da insanidade de um grupo de oportunistas raivosos, que se utilizam de seus “livros sagrados”, interpretados da forma mais chula, tentando mudar o pensamento e o modo de vida de mais de duzentos milhões de pessoas dessa terra “abençoada por Deus e bonita por natureza”...

Ainda assim, não percamos a esperança de sobreviver e retornar à razão... quem sabe, um dia, voltaremos a ver o sol nascer no horizonte, e nossa terra ainda tenha pessoas, animais, florestas, quilombolas e indígenas... e seres pensantes, inteligentes e livres para refazer suas vidas e reconstruir uma Nação Livre, Soberana, Solidária, Honesta e Digna, não para uns poucos adoradores do demônio das religiões pentecostais, mas para toda a sociedade! Não podemos permitir que isso se repita ao fim de quatro anos, reconduzindo esse ser desprezível ao poder... é preciso e urgente que nos organizemos, tendo como bandeira a Legalidade, a Justiça e o Estado Democrático! É imprescindível encontrar um Líder verdadeiro, um Estadista competente e culto, sem máculas e sem ambições de poder, para nos guiar de volta à Democracia Social...


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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