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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Os delírios de um mentecapto

Não se muda a Nação sem transformar profundamente a alma de seu Povo...


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Mais uma vez, as Forças Armadas se envolveram em uma aventura irresponsável pelo poder, usando, como escudo, um marionete incapaz de ter uma só ideia inteligente. Ainda que supostamente bem intencionados, os militares não compreenderam que uma Nação é muito mais do que um território, um povo e uma bandeira. Uma Nação é um ser complexo, difuso, controvertido em sua natureza heterogênea e, sobretudo, um cadinho de culturas, raças (etnias), crenças, ideologias, história, tradições e espiritualidades.

Já foi assim com a Proclamação da República em 1889, com a ditadura Vargas em 1930, com a ditadura dos generais em 1964, todas elas supostamente imbuídas de bons propósitos, mas sem um embasamento cultural que compreendesse que as verdadeiras transformações sociais ocorrem nas profundezas dos espíritos, nas almas das pessoas, na transformação esotérica de seu âmago, e não na superfície dos seres malformados e desprovidos de bondade.

Desta vez, sua "aventura" começou mal, na escolha de um patife desprovido de qualquer qualidade que o credenciasse a conduzir a Nação e seu povo complexo e heterogêneo. Escolheram, justamente, um capitão quase transformado em terrorista enquanto era militar, quase expulso dos quartéis por indisciplina e por planejar um atentado, com objetivos mesquinhos de aumento de seu soldo e de seus colegas de farda. Esse mentecapto passou a maior parte de sua vida no Congresso, como deputado, sem nunca ter apresentado um projeto sequer que o credenciasse a se candidatar à Presidência da República, cargo máximo da Nação, honraria a que poucos possuem o mérito, a cultura, a sabedoria e o idealismo indispensáveis para o exercício pleno do poder.

Por ser tão medíocre, os militares viram, nessa pessoa desprezível, um fantoche de uso fácil e descartável para se apropriarem do poder, sem o ônus de um golpe de estado, e sem a necessidade de enfrentar as urnas, mostrando suas qualificações, propostas, projetos, convencendo seus eleitores que seu objetivo era altruísta e democrático, compatível com o Estado de Direito, que os militares anteriores não demonstraram ao se desviarem para o caminho fácil e cruel das ditaduras sangrentas e, igualmente, corruptas do poder não concedido, mas usurpado de maneira torpe e mesquinha.

Pois esse Messias, o Mito dos psicopatas que o seguem às cegas e, inebriado do poder que não merece, esse medíocre ser convenceu 57 milhões de brasileiros de que ele seria melhor do que aqueles que o antecederam, e que também traíram suas bandeiras democráticas e populistas. Mas seu passado torpe não justifica os votos irresponsáveis daqueles que sufragaram seu nome nas urnas, ignorando o óbvio: suas ideias medievais, captadas de um falso "filósofo", tosco "guru", fracassado "astrólogo" que sequer reside em nosso país, e sua religiosidade falsa, "inspirada" nos corruptos bispos evangélicos, cujo enriquecimento se deu às custas da ingenuidade de seus fiéis, e cujo sermão contradiz a Bíblia que carregam debaixo de seus braços; suas palavras, embebidas do ódio, enaltecem as ditaduras militares e reverenciam seus ídolos de barro, como o coronel Brilhante Ulstra, torturador e assassino a serviço da oligarquia militar que permaneceu 21 anos no poder, e nos legou uma juventude sem esperanças, e milhões de brasileiros atormentados pelo medo e pelo pavor das catacumbas desse poder maldito.

Diante do fiasco desse período trágico de nossa História que, além dos mortos e estropiados pelo terror, nos legou obras faraônicas e um endividamento monstruoso, os militares resolveram colocar esse boneco inflável no poder, "aparelhando" todos os setores da administração pública com oficiais de diferentes patentes e de visão limitada aos quartéis e à vida na caserna. Evidentemente, com menos de um ano e meio de desgoverno e centenas de nomeações espúrias, o Brasil entrou ladeira abaixo no caos, na desordem e nos desmandos irresponsáveis desse infeliz, que transformou o país em campo de experimentações de suas ideias medievais.

Com vários ministros de inegável "competência" para o MAL, Bolsonaro exala, em suas falas medíocres, o ódio e a vingança como suas "qualidades" mais relevantes, ameaçando a soberania do Brasil, pela destruição de nossas reservas naturais pelas "espertezas" de Sales, seu ministro do Meio Ambiente, que se curva ao agronegócio para ocupar as florestas Amazônica e Atlântica, e devastar o Cerrado, com a perda de sua riqueza e diversidade; da mesma forma, Weintraub, o ministro da Educação, obviamente fascista e arrogante, ignorante em questões educacionais, exibe seu fascínio pelos nazistas de Hitler e Mussolini, enquanto despreza nossos filhos, condenados ao analfabetismo cultural dos inocentes; e a patética Damares, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, cujas asneiras e estultices enrubesceriam qualquer intelectual, e cujas ideias "exóticas" envergonhariam qualquer pessoa medianamente inteligente; Ernesto, "o Parvo", ministro das Relações Exteriores, cujas decisões irresponsáveis e preconceituosas levaram nosso Itamaraty à miséria intelectual, sepultando séculos de brilhantismo e sabedoria.

Estamos à beira de uma crise constitucional, declaradamente exarada, não apenas por Bolsonaro e seu séquito de seguidores desvairados, mas principalmente pelos seus filhos, intelectualmente malformados, que se escondem na medíocre sombra de seu pai, e afirmam categoricamente que "não se trata de SE a ruptura democrática ocorrerá, mas de QUANDO ela virá a acontecer". Não é apenas uma afirmação irresponsável, mas uma verdadeira ameaça à Democracia e ao Estado de Direito, tão duramente conquistados, com as milhares de perdas de vidas humanas de intelectuais presos, torturados e assassinados pela última ditadura militar.

A cada dia novas ameaças, vindas das mais diversas fontes políticas, alertadas pelos mais conceituados veículos de comunicação, como os editoriais do jornal conservador de direita, "O Estado de São Paulo", e sua brilhante colunista, comentarista política da GloboNews, Eliane Cantanhêde. Não é simplesmente um temor infundado, mas evidências declaradas por essa súcia de maus políticos, mal-intencionados e dispostos a tudo para permanecer no poder, que utilizam, não por idealismo, mas para usurpar os bens e direitos dos cidadãos brasileiros. Ameaças ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal, e também a seus Senadores, Deputados, Ministros e a seus familiares, declarações do próprio presidente, que afirma publicamente que pretende armar a população para "evitar uma ditadura"! (pasmem!) Não tenhamos dúvida: está em curso um processo de Golpe e tomada do Poder, seja pela força, seja pela covardia ou inércia dos setores da sociedade que ainda permanecem calados, como a poderosa FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, ou a CNBB - Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, da Igreja Católica, ou dos próprios governadores, deputados, senadores, juízes e ministros, cujas reações pífias e acovardadas não impedirão que essa tragédia nacional venha a acontecer, mais breve do que se imagina.

"Os delírios de um mentecapto" pode ser minha última publicação, caso essa desgraça aconteça. Na ditadura militar de 1964, por muito menos já se prendia e torturava pessoas, apenas por serem intelectuais de esquerda. Naqueles tempos de obscurantismo, possuir um livro de Marx, publicar um texto no Pasquim, escrever um livro de cunho socialista, reunir amigos igualmente marxistas, frequentar a Universidade de São Paulo, em um curso de Ciências Sociais, seriam motivos suficientes para "desaparecer" e nunca mais ser encontrado, ou ser achado morto em um cemitério clandestino da periferia de São Paulo.

Não se muda uma Nação sem transformar profundamente a alma de um povo. Não se constrói uma Democracia sem que haja liberdade irrestrita para o pensamento de seus cidadãos. Não se edifica um País sem que a liberdade de pensamento e de expressão sejam absolutas, respeitados os direitos de outros cidadãos, sem ofender a honra e a dignidade de pessoas e autoridades. Não se conquista o Estado de Direito sem que os direitos de todos, brancos, negros, indígenas, mulatos, cafuzos, mamelucos, quilombolas, orientais, pobres, miseráveis, idosos, crianças, deficientes... toda sorte de seres humanos sejam plenamente respeitados!

Ditadura? NUNCA MAIS!


João Carlos Figueiredo

Um escritor e uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: arte e foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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