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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Convicções Essenciais

Quais são suas Convicções Essenciais? O que justifica a sua existência nesse mundo? Qual seria seu epitáfio para assegurar que sua vida terá valido a pena?


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ESPIRITUALIDADE

A impermanência da vida, manifestada por não sabermos nossas origens, nem o destino daqueles que já se foram, a curta existência a nós legada e o vazio das almas que restou dos que partiram, aliados ao desejo de que a vida não se resume nisso, leva os seres humanos a idealizar a falsa ideia de uma vida após a morte, e a possibilidade de um deus onipotente, onipresente e onisciente, fonte e razão de tudo que existe.

Para fundamentar suas crenças, a Humanidade gerou suas escrituras sagradas, cada qual com diferentes versões dessas divindades, a quem é atribuído o poder absoluto de fazer do Universo aquilo que desejar. Para esses humanos, foi um Deus quem criou os universos e tudo que existe, inclusive animais, plantas, rochas, vazios imensos, astros, águas e... nós!

Cada texto sagrado contém as explicações e as leis que, supostamente, regem o Universo e suas criaturas, explica suas origens, pune seus erros, domina suas vontades, construindo um arcabouço absoluto das obrigações e direitos de seus vassalos que, acima de tudo, devem adorá-lo, idolatrá-lo e servir às suas vontades, sempre incondicionalmente.

Paradoxalmente, as versões dessas divindades primordiais não são complementares, mas contraditórias, conforme o passado de cada civilização, mas tendo em comum as lutas entre o"bem" e o"mal", complementando seus reinos com santidades dotadas ou não de poderes sobrenaturais. São esses livros"sagrados", muitas vezes, a causa dos maiores conflitos entre povos com diferentes concepções de suas divindades.

Contrapondo-se às crenças populares, algumas pessoas não aceitam ser dominadas por tais lendas, e se dizem ateus, ou seja, sem um Deus para conduzir suas vontades. Representam, no entanto, menos de dez por cento de toda população do planeta. Esses seres humanos são banidos da sociedade pelo desprezo de todos que se submetem às crenças primitivas do resto do mundo.

IDEOLOGIA

A História da Humanidade, segundo Karl Marx, é a história das lutas de classe. Esse filósofo do século XIX construiu uma doutrina que iria dominar os debates durante quase duzentos anos, estimulando a emancipação dos trabalhadores diante do poder econômico e da situação precária daqueles que não pertenciam às classes dominantes. Ainda que não fossem escravos, eram os parias da sociedade, e instrumentos de exploração da mão de obra utilizada nas minas de carvão, nas fábricas e no trabalho agrícola.

A distância social entre os trabalhadores e os patrões era intransponível, herança da Idade Média e dos Impérios anteriores. A sociedade sempre foi composta de uma casta de reis, imperadores, faraós, czares e outros mandatários ungidos por seus deuses, com uma plêiade de nobres, além de sacerdotes com diferentes concepções, soldados, igualmente comandados por toda uma hierarquia militar, e o povo, essa massa disforme que assegurava o funcionamento da estrutura social. Para completar o cenário havia os escravos, seres sem nenhum direito, nem mesmo à própria vida, levados a essa situação por terem sido vencidos nas batalhas ou por serem devedores de quantias impagáveis. Assim era a estrutura social de antigamente.

Nesse contexto surge Karl Marx, que propõe uma nova sociedade, sem propriedades particulares, sem hierarquias sociais, e sem partidos políticos, cuja estrutura de poder era como uma pirâmide de representantes do povo, que decidiriam tudo em assembleias, inclusive a destinação dos recursos financeiros a serem aplicados para o bem comum. Todas as pessoas tinham direito à moradia, ao transporte, educação, saúde e ao emprego.

É claro que esse"Admirável Mundo Novo" fracassou, tanto porque os defeitos humanos permaneceram os mesmos, como também o resto do mundo não aceitaria essa igualdade e a perda de suas fortunas, mordomias, riqueza e poder. Hoje temos países que se dizem socialistas, mas os conceitos de Marx, Engels e outros pensadores que se seguiram tornaram-se intoleráveis para o mundo capitalista. E a História da Humanidade continua sendo a história das lutas de classe...

CULTURA

O que se entende por Cultura? É um conceito complexo, mas imprescindível para se compreender a formação das nações, desde sua origem entre as sociedades históricas, ou seja, desde que o ser humano se tornou sedentário, surgiu a agricultura, organizou-se as sociedades humanas. Podemos afirmar que uma Nação é composta por seu povo, suas crenças, tradições, culturas, sistema de governo, língua falada e escrita, sua arte, sua história e seu território, entre outros valores.

Portanto, quando um governante define esse mesmo povo como, simplesmente um território, um povo e uma bandeira, certamente algo está errado. A Cultura de um povo seria o ápice de sua civilização, pois compreende os bens materiais e imateriais que foram produzidos ao longo da sua história. Um povo sem memória não é uma Nação. Um povo sem a Cultura, em todas as suas manifestações não pode ser considerado uma Nação.

Porém, um Povo sem exércitos continua sendo uma Nação! O Tibet e o Nepal já foram países independentes, e nunca tiveram exércitos... depois de serem invadidos pela China, tornaram-se vassalos da poderosa dinastia dos tiranos que dominaram a China através dos milênios...

Falando de Brasil, temos cerca de 300 etnias Indígenas, com mais de 150 línguas faladas e vivas, com uma riqueza cultural incalculável, com suas tradições belíssimas, seus cantos e danças, seu conhecimento ancestral de ervas medicinais, suas habilidades de caça, seu conhecimento ancestral preservado pela tradição oral durante séculos... Mas não valorizamos esses valores e esse povo que teve papel determinante na formação do Povo Brasileiro...


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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