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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

O Bloco dos Aloprados

Bostossauro está conseguindo aniquilar 21 anos de lutas pela Democracia durante o regime militar, e 32 anos de tentativas de preservar a Constituição Federal de 1988, Carta Magna que assegura que o BRASIL é um país democrático e civilizado, e não um manicômio depravado. Seus blocos de aloprados se alternam nas tentativas radicais de desestabilização institucional, apoiados pelas alas dessa pantomima grotesca e inexplicável...


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Quando tudo terminou, com o fim da Ditadura Militar de 1964, permanecemos atentos, embora não tão fortes, para compreender melhor a situação criada com a transição para a Democracia e a Liberdade, tantas vezes estuprada nas prisões, nas Casas de Tortura, nas lutas campesinas, nas Universidades, nos centros acadêmicos das escolas públicas de segundo grau... afinal, foram 21 anos de pesadelos e terror, manipulados com "maestria" pelos algozes fardados que comandavam a Repressão. Jornais, revistas, teatros, meios de comunicação os mais diversos, e até mesmo centros culturais foram devassados pelos truculentos sargentos e cabos a serviço das Tenebrosas Forças que se esgueiravam pelos porões da violência, seja contra guerrilheiros, mulheres, crianças, jornalistas, estudantes, filósofos, arquitetos e socialistas de todas as matizes ideológicas de esquerda.

Passados mais de 65 anos do Golpe Militar, ainda restamos nós, testemunhas da História, para relembrar os terríveis acontecimentos dos Anos de Chumbo. Já acreditávamos que o pior havia passado, que as instituições democráticas estavam consolidadas, que as tropas não sairiam mais dos quartéis para massacrar a população brasileira, razão fundamental da existência de uma Nação. Mas estávamos errados: bastou um vacilo da classe política, corrupta e desmoralizada, para que os fantasmas da Ditadura despertassem de seus túmulos e voltassem a perambular pela Praça dos Três Poderes, corrompidos por grandes corporações nacionais e internacionais, e acobertados pelos partidos políticos do Centrão, um aglomerado disforme e monstruoso de deputados, senadores, magistrados, governadores, prefeitos e até vereadores (os aprendizes de feiticeiros). Importante destacar que o PT cometeu graves erros sim, mas não foi o único, nem o primeiro...

Nesse vacilo histórico, ergueu-se das cinzas um monstro inominável, conhecido pela alcunha de O MITO (mito???), cuja trajetória política estava entrelaçada por palavrões, baixarias, preconceitos, vulgaridades e a mediocridade de quem não mereceria sequer uma lápide num cemitério desconhecido... mas, para surpresa geral, as elites econômicas de São Paulo, os empresários do Agronegócio, as Igrejas Evangélicas Pentecostais não perderam tempo para colocá-lo em confronto com a decadência do Partido dos Trabalhadores e com o que existe de mais podre nas classes dominantes desse país decadente e retrógrado! Não foi o PT a causa de tudo, mas os partidos políticos gerados pela Carta Magna de 1988, concebida pelos mesmos políticos que coabitam essa Nação que teria tudo para ser um paraíso, mas é, na verdade, um inferno monstruoso, capitalizado pela herança de Portugal, França, Espanha, Itália, Inglaterra e Holanda, ávidas de roubar as riquezas que se escondiam nas selvas das Américas, da Amazônia e Mata Atlântica e dos demais territórios ainda virgens, embora ricamente ocupados pelos Povos Originários (Incas, Maias, Astecas e indígenas do norte e do sul do continente) quando da chegada desses verdadeiros Piratas e Assassinos Medievais.

Pois o "monstro da lagoa" despertou a avidez das piores cabeças dessa terra sem leis e sem ordem, para assumir esse Carnaval Patético e Deplorável que agora presenciamos: a Ala dos Aloprados é conduzida por um falso astrólogo e "filósofo", que escolheu a América do Trump para montar seu Bunker, onde destila seu ódio para uma horda de fanáticos ignorantes; a Ala dos Micos Amestrados é comandada pelo filhote mais imbecil do poderoso chefão (Número DOIS, versão primata), chefe também do Gabinete do Ódio; a Ala dos Carbonários tem como comandantes os Bispos Edir Macedo, Silas Malafaia entre outros maníacos; a Ala dos Milicianos é comandada pelo Número UM, suposto mentor intelectual do assassinato de Marielle Franco; a Ala dos Soldadinhos de Chumbo é comandada pelo General Ancião, de tristes memórias; e o Santo da Procissão é o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, incensado pelo Bostossauro desde seus tempos de ostracismo nos 27 anos que frequentou a Câmara Federal.

Ah... não podemos nos esquecer daqueles que seguem os rastros do Chefão da Irmandade, às cegas, desqualificando a História do Brasil: Abraham Weintraub, Damares Alves, Ernesto Araújo, Rodrigo Salles, só para citar os mais hilários e asquerosos...

E para refrescar nossas memórias, deixo-lhes a Letra / Hino de Chico Buarque de Holanda: VAI PASSAR

Vai passar / Nessa avenida um samba popular / Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar / Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais / Que aqui sangraram pelos nossos pés / Que aqui sambaram nossos ancestrais / Num tempo, página infeliz da nossa história / Passagem desbotada na memória / Das nossas novas gerações / Dormia a nossa pátria mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída / Em tenebrosas transações / Seus filhos erravam cegos pelo continente / Levavam pedras feito penitentes / Erguendo estranhas catedrais / E um dia, afinal / Tinham direito a uma alegria fugaz / Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval, O carnaval, o carnaval (Vai passar) / Palmas pra ala dos barões famintos / O bloco dos napoleões retintos / E os pigmeus do bulevar / Meu Deus, vem olhar / Vem ver de perto uma cidade a cantar / A evolução da liberdade / Até o dia clarear / Ai, que vida boa, olerê ai, que vida boa, olará / O estandarte do sanatório geral vai passar / Ai, que vida boa, olerê ai, que vida boa, olará / O estandarte do sanatório geral vai passar vai passar!


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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