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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

"Moralidade de Rebanho"

“Chefe, o Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do imposto de renda. Teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos aí. Essa mídia sem caráter” - palavras do energúmeno governante desse país de mequetrefes a seus apoiadores fascistas.


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Nosso país está doente, mas não pela pandemia, que esta já tem alternativas para chegar a um bom termo, se é que podemos considerar 200 mil mortes desnecessárias um resultado satisfatório. Há um ano, sofremos de uma enfermidade colossal, avassaladora e surpreendente para uma nação que, depois de 21 anos de ditadura militar, conseguiu restaurar a Democracia, construir uma nova constituição, eleger um "príncipe" para a presidência, depois de um chefão nordestino, SARNEY, e de um caçador de marajás, o intrépido e arrogante COLLOR, retirado do poder pelo povo que o elegeu... Depois deles, o "príncipe" FHC (o déspota esclarecido), seguido por um operário (torneiro mecânico), o líder sindical LULA, que incendiou o Brasil com seus discursos avassaladores, e, finalmente, para encerrar esse "ciclo democrático", o país elegeu uma ex-guerrilheira, DILMA, torturada pelo famigerado "coronel" Brilhante Ulstra, ídolo do MITO e SEUS MICOS AMESTRADOS.

A Pandemia nos ensinou que um mero vírus pode abalar, não uma nação somente, mas toda a humanidade... estamos há meses debatendo o óbvio, enquanto a mortandade continua em seu "terceiro round", ceifando vidas, promovendo discussões inúteis, mas também incentivando a Ciência a produzir, em tempo recorde, não uma, mas várias vacinas diferentes para combater o mal maior, resgatando o direito fundamental de todo ser humano: ir e vir a qualquer lugar, abraçar amigos, festejar, ter a liberdade de cuidar de sua própria vida, sem disfarces, sem máscaras, sem se sentir culpado dessa epidemia maldita. Estamos confinados em nossas casas, quando não internados em hospitais, apartados de nossos familiares, apavorados pela hipótese provável de ser entubados e morrer sozinhos em um leito de hospital.

Além das vacinas não há salvação... essa é a mensagem que ecoa por todos os rincões da Terra, condicionando a população a se curvar diante de um ser invisível e mortal, esperando que o pesadelo se acabe para que possamos retomar o controle de nossas próprias vidas. Mas, enquanto não temos acesso às vacinas, pela incompetência de governantes imbecis, ficamos à espera do "Efeito Rebanho", a imunidade decorrente do fato de que a maioria da população tenha sido contaminada e adquirido imunidade natural à morbidez dessa praga contemporânea. Enquanto isso, as mentiras se alternam à Ciência, alardeando tolices, desacreditando a população ignorante com crendices imbecis, como "se você tomar a vacina vai se transformar em um jacaré!", ou como o mito da "cloroquina presidencial"...

O país e o mundo se dividiram entre "adoradores de mitos" e admiradores da Ciência, que está produzindo resultados fantásticos em um tempo inusitado, um esforço de milhares de pesquisadores dedicados a salvar vidas, em lugar de disseminar boatos cretinos e inconsequentes. Nesse mundo da Ciência sem fronteiras, a luta deixou de focar a multidão de cepas de vírus "Corona", que ceifaram mais de um milhão de vidas, para enfrentar o preconceito das religiões medievais, dos evangélicos fanáticos, dos políticos oportunistas, dos tiranos fascistas, dos adoradores do diabo, dos arautos do fim do mundo... nesse planeta dividido entre os bons e os maus, que sempre existiram, mas se tornaram endêmicos dessa sociedade perversa de nossos dias, surgiu um novo conceito: a "iMORALIDADE DE REBANHO", espécie de coliseu onde se digladiam vítimas da epidemia e seus familiares, com os monstros renascidos do NAZISMO e do FASCISMO de meados do século XX, remanescentes das guerras mundiais e do ódio que alimenta a sociedade doente dos seres humanos...

Mas o que seria essa "iMORALIDADE DE REBANHO", senão uma enfermidade intelectual? Sim, pois somente seres doentios desejam o MAL e alimentam o ÓDIO em seus corações! Somente os parvos querem o confronto, estimulam o RACISMO, desdenham da BONDADE e da JUSTIÇA em desfavor dos piores defeitos da humanidade: eles querem dominar o mundo, eliminando seus concorrentes! É a eterna luta do BEM contra o MAL... mas os super-heróis do cinema americano não existem, são apenas uma fantasia infantil de que tais heróis, dotados de superpoderes, protegeriam as pessoas comuns e do BEM, dos inimigos, seres do MAL, da sociedade em que vivemos. Infelizmente, a única defesa contra o ÓDIO é o AMOR incondicional! Porém, em nossos DEZ MIL ANOS DE CIVILIZAÇÃO, nunca tivemos um mundo de PAZ. Huxley, em seu brilhante livro "ADMIRÁVEL MUNDO NOVO", termina sua narrativa com a destruição de seu paraíso imaginário, derrotado pela GANÂNCIA que prevalece sempre, desde os tempos imemoriais, quando o HOMO ERECTUS se transformou no HOMO SAPIENS e resolveu dominar o mundo...

Infelizmente, não há salvação para a HUMANIDADE... em todos os aspectos de nosso modo de vida, somos destruidores de nosso próprio planeta, pois a população humana não para de crescer, com seu excesso de consumo de recursos naturais, com a deliberada extinção de outras formas de vida, provocada pela devastação da Natureza, pela desigualdade entre os seres humanos, perseverando na existência de uma CASTA privilegiada, que pode tudo, que domina todos os modos de produção, que submete a grande maioria dos seres humanos a uma vida indigna, injusta, cruel, de fome e escassez absoluta das condições mínimas de sobrevivência. A Idade Média se acabou no século XV, mas até hoje existem "Senhores Feudais", milionários, bilionários, encastelados em suas propriedades imensas e inúteis... ainda hoje, o poder econômico, político e militar se concentra nesses novos FEUDOS...

Por isso, diante da Pandemia, diante dos avanços da Ciência, diante da superação dessa PESTE MEDIEVAL a que estamos submetidos, quem sairá vencedor é o PODER CONCENTRADO dos países produtores das vacinas, das grandes corporações que se uniram não apenas para sobreviver, mas para crescer de forma IMORAL, na pior crise ideológica, política, ambiental, social e moral do século XXI... enquanto a imunidade de rebanho tende a afastar o ser humano dessa praga, outra desgraça será colocada em seu lugar: a iMORALIDADE DE REBANHO, liderada por MITOS OORTUNISTAS como Bolsonaro e Trump, e seus fanáticos e violentos seguidores, qual EXÉRCITOS DE BRANCALEONE a perambular nesse NOVO MUNDO nada saudável, de seres refugiados e esquecidos, nem um pouco ADMIRÁVEL, injusto e cruel para com as populações menos favorecidas e abandonadas às sua própria sorte e destino...

O Antropólogo francês, Claude Lévi-Strauss, em seu memorável livro "TRISTES TRÓPICOS", relata a desgraça causada pelo colonialismo às populações ameríndias tradicionais, um depoimento trágico da quase extinção das populações indígenas das Américas pós-Colombo. Hoje vivemos outro tipo de colonialismo, igualmente perverso e devastador: a concentração dos poderes nas mãos de uma minoria de bilionários, que controlam todas as corporações que comandam a GUERRA e a "PAZ" no mundo contemporâneo... somos como o GADO, pastando nas pradarias onde já existiu a maior floresta tropical do planeta: seguimos o troar do Berrante, o CORNO DO BOI, ecoando em nossas almas, sendo empurrados pelo gado que vem atrás, sem saber para onde, em uma épica caminhada, sem começo e sem fim, como os milhões de mamíferos nas planícies do Serengeti africano, curiosamente, local de origem dos povos negros trazidos às Américas para se tornarem escravos dos colonizadores europeus... o que mudou na alma dos seres humanos? NADA...


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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