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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

Impeachment já: o Silêncio dos Idiotas

Por que o Messias ainda se mantém no poder? Quais são as forças que persistem em apoiar o pior líder mundial da História recente? Até quando a sociedade permanecerá calada? Como evitar a tragédia anunciada pela tempestade que se avizinha no horizonte da Nação Brasileira?


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Para compreender essa questão é preciso esclarecer quais são as forças políticas que têm interesse em proteger um político cuja vida parlamentar foi caracterizada pelo ódio, preconceito, misoginia e desprezo pelas minorias desse país, e pela atração que o totalitarismo exerce sobre essa mente pervertida e depravada, além de um "projeto fascista" do qual fazem parte indelével seus três filhos engajados nesse negacionismo medieval, encabeçado pelo guru astrólogo das Américas.

No Brasil, o desastre petista serviu de gatilho para ativar essas forças das trevas, compostas de ratazanas radicais e violentas, munidas de robôs cibernéticos e fake news, para destilar seu veneno contra a Democracia e as forças políticas da esquerda socialista e progressista. Esse grupo extremista despreza a ciência, as liberdades constitucionais, os direitos fundamentais do ser humano, o Meio Ambiente, as Populações Indígenas e Quilombolas e todo arcabouço cultural adquirido pela humanidade após a Idade Média (ou "idade das trevas"), quando imperava a peste bubônica, e a "Santa Inquisição" condenava padres dissidentes e mulheres a serem queimados vivos em fogueiras nas praças públicas, acusados de traição, curandeirismo e bruxaria.

Afinal, quais grupos humanos compõem essas forças que sustentam no poder esse desprezível personagem? Para responder a essa indagação é preciso voltar às eleições de 2018 e traçar um perfil dos grupos políticos, ideológicos e religiosos que apoiaram esse"mito", como seus adeptos costumam chamá-lo. Primeiramente, os evangélicos, até hoje a maior força de sustentação desse governo. Em seguida, os militares, que acreditavam ter em Bolsonaro um fiel escudeiro de seus sonhos para voltar ao poder. A terceira força política que sustentou a campanha do "mito" foram, surpreendentemente, os empresários paulistas e sua poderosa FIESP. E, por último, mas não menos importante, o Agronegócio.

Mas, quem mobilizou, de fato os 57,8 milhões de brasileiros que elegeram Bolsonaro? É preciso destacar que ele foi eleito pela ignorância de nosso povo, por aqueles que nunca tiveram acesso à Educação, à Saúde, à Cultura e aos direitos fundamentais do ser humano: emprego, alimentação, transporte e formação profissional. Essa gigantesca parcela da sociedade está alheia a tudo que acontece no país e no mundo, tornando-se massa de manobra de tiranos e oportunistas de toda espécie, dentre eles, Bolsonaro e seu grupo de meliantes impregnados pelas ideias retrógradas de Steve Bannon (Stephen Kevin "Steve" Bannon), e Olavo de Carvalho (Olavo Luiz Pimentel de Carvalho), ambos vivendo na Virgínia, Estados Unidos, ambos adoradores de Trump, ambos igualmente toscos e fanáticos pelas ideias extremistas do fascismo e de seus métodos de engajamento "político".

Todos esses grupos, excetuando-se a parcela dos eleitores arrependidos, asseguram a Bolsonaro, até hoje, a confortável margem de 35% do eleitorado, mesmo com a extensa folha corrida de malfeitos, palavrões, grosserias de toda espécie, equívocos, mentiras e aberrações praticadas pelo seu líder, já entrando no terceiro ano de mandato e desgoverno. A parte arrependida do eleitorado não se conforma por ter desperdiçado seu voto, e se julga traída pelo governante. Mas não é verdade que foram ludibriados, pelo menos não aqueles que já tinham acesso ao conhecimento, muitos dos quais bacharéis em diferentes áreas da cultura brasileira, outros atuando como servidores públicos federais e estaduais, além do oportunismo dos soldados das PM´s e os policiais civis...

Mas, e a classe política, composta de deputados federais e senadores da república, igualmente eleitos pelo povo, por que não reage às barbaridades desse governo? Houve significativa renovação na composição das casas legislativas federais naquela eleição. No entanto, ela apenas repercutiu o mesmo erro da sociedade, que votou, maciçamente, em representantes alinhados com a "ideologia" bolsonarista, aquela que defende a Terra Plana, que carrega a Bíblia debaixo do braço, que pratica a mesma politicagem suja do "toma-lá-dá-cá, agravada pela distribuição de cargos e recursos para suas igrejas, com seus bispos e pastores evangélicos com sua moral deformada e subserviente, com seu desprezo pelas populações LGBT, negras e indígenas, mesmo que eles próprios estejam entre eles...

Já existem mais de 60 (sessenta) pedidos de impeachment contra Bolsonaro, aguardando serem colocados em pauta e votados pela Câmara dos Deputados. Porém, seu presidente, Rodrigo Maia, membro do DEM, recusou-se a colocar pelo menos um desses pedidos em votação, seja por excesso de cautela, seja pelo seu próprio comprometimento e de seus correligionários políticos, com os escândalos da Lava Jato. Rodrigo Maia sempre foi uma incógnita, apesar de seus frequentes atritos com o presidente, pois seus atos contradizem suas declarações públicas. Suas mágoas fizeram com que ele afrontasse o presidente, mas nunca a ponto de comprometê-lo com seus crimes e deslizes de conduta diante das câmeras.

Por seu turno, a população permanece calada, sufocada pela vergonha de ter comandado a deposição de Dilma Rousseff, e por ter levado ao poder essa súcia de políticos comprometidos por interesses escusos e inconfessáveis. Há material comprometedor de sobra para um impeachment, muito mais do que as "razões" alegadas para depor Dilma e demonizar o PT. Vale lembrar que, nas falcatruas do Partido dos Trabalhadores, estão inseridos, além do PT, PMDB e PSDB, todos os partidos do Centrão: DEM, PSC, PP, PROS, PMDB, PTB, PL, PR e Solidariedade. Já o vice-presidente Michel Temer, o grande responsável pelo impeachment de Dilma, em seu mandato tampão, foi flagrado em uma conversa suspeita com um dos donos da JBS, em uma transação de propinas descoberta pela Operação Lava Jato.

Essa retrospectiva é para lembrar que, se houve um golpe, esse foi dado por aqueles que se sujaram com o dinheiro das empreiteiras (Odebrecht, OAS, Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão...), empresários do agronegócio (Blairo Maggi, Monsanto, Bayer, Bunge, Cargill, Copersucar, Klabin, Cutrale,...) e outras empresas apoiadoras do "Mito" (Luciano Hang da Havan, Flávio Rocha da Riachuelo, João Appolinário da Polishop, Sebastião Bomfim da Centauro, Edgard Gomes Corona da Bioritmo e Smart Fit, Afrânio Barreira e Eugênio Veras Vieira da Coco Bambu, Meyer Joseph Nigri da Tecnisa...), além de grandes fazendeiros, grileiros, garimpeiros e madeireiras, todos interessados em acabar com a Amazônia, e que hoje se mostram generosos com a política predatória e infame do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, certamente o pior elemento desse bando de imbecis e energúmenos...

E por falar em ministros incompetentes e fascistas, é necessário lembrar os nomes daqueles que mais envergonham a política brasileira, não apenas no Brasil, como em nível mundial, como Ernesto Araújo (Relações Exteriores, o "Itamatary"), Sérgio Moro (ex-Justiça e ex-juiz da Lava Jato, saído brigado com o "mito" e seu possível oponente em 2022), André Mendonça (ex-AGU e agora da Justiça), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos, aquela que diz "menino veste azul, menina veste rosa"), General Augusto Heleno (GSI), General Eduardo Pazuello (Saúde), Ricardo Vélez (ex-Educação), Abraham Weintraub (ex-Educação e agora Banco Mundial), Osmar Terra (ex-Cidadania e ex-UDR), dentre tantos outros sequer lembrados...

Resta a pergunta: se Bolsonaro conseguir se sustentar no poder até o final de seu mandato, apesar de sua total incapacidade para o cargo máximo da Nação, apesar de seu envolvimento com o crime praticado pelas milícias do Rio de Janeiro (que assassinaram Marielle Franco), apesar dos conchavos de seu filho (e dele próprio) com o Fabrício Queiroz, que também comprometeu a esposa de Bolsonaro em suas tratativas ilegais, o que se pode esperar para 2022? Eu ousaria afirmar que, se nada for feito para impedi-lo, esse incompetente e corrupto líder da extrema direita nazifascista permanecerá no poder até 2026 ou até dará um golpe, apoiado pelas Forças Armadas, que permanecem caladas a despeito de tudo que acontece em nosso país, apesar de seu envolvimento absoluto com esse governo, ocupando mais de 6.000 (seis mil) cargos de confiança nas diferentes esferas do poder central.


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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