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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

A Frágil Democracia Brasileira

A fragorosa derrota da Democracia nas eleições de ontem, primeiro de fevereiro de 2021, no Congresso Nacional, prenunciam a pavorosa permanência de Bolsonaro por mais seis anos no poder... ainda que os votos tenham sido comprados com uma verba de 3 bilhões de reais, distribuídos, descaradamente, entre 35 senadores e 250 deputados federais que elegeram esses presidentes do Legislativo, isso não exime a classe política dessa vergonhosa atuação.


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Aconteceu o esperado, e aquilo que afirmávamos insistentemente, e que a boa imprensa nacional alertava, tornou-se realidade: os partidos políticos e suas lideranças não têm poder sobre seus correligionários. O que se viu ontem, com a cooptação de políticos inescrupulosos para garantir a vitória desse desgoverno fascista, confirmou as mais "tenebrosas transações" que ocorrem dentro dos círculos do poder político: a volta da política rasteira que sustentou Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro, desmentindo as afirmações de que "a Democracia brasileira estaria consolidada".

Na curta história dessa democracia, recuperada da ditadura militar de 1964-1985, e efetivada pela promulgação da Constituição Federal de 1988, o que se viu foi uma sucessão de erros e crimes lesa-pátria daqueles que se elegeram para cuidar da Nação e proteger a população dos ataques sibilinos de políticos corruptos e "profissionais", para se locupletarem de cargos "de confiança" para determinar os destinos de nosso povo. Povo ignaro, massa de manobra dessas forças políticas irresponsáveis e interesseiras, que levaram Sarney, Collor e Bolsonaro ao poder.

Ontem, o que vimos foi o recrudescimento dessas correntes subterrâneas do poder, aflorando, descaradamente, à superfície, discursando desavergonhadamente aos seus comparsas parlamentares, em uma sucessão de cenas ridículas e discursos horrorosos, mentirosos, humilhando a Democracia que nunca existiu nessa republiqueta das bananas... desavergonhadamente, essas "alianças" espúrias destilavam seus discursos venenosos e debochados perante os olhares perplexos do que resta de forças democráticas no Brasil: intelectuais de esquerda, idealistas inconformados e o povo...

Povo infeliz, mais do que nunca jogado no ostracismo das favelas, dos becos e das esquinas dos centros das cidades, abandonados à própria "sorte", desempregados ou subempregados, comendo restos da chepa das feiras livres que nem mesmo os animais se arriscam a comer, essa imensidão de zumbis que perambulam à nossa volta sem que os percebamos, sem que sintamos a dor e o sofrimento de quem não tem onde dormir, nem o que comer dignamente, esquecidos ou explorados pela camada mais vil de uma imprensa marrom, mais interessada em promover seus interesses mesquinhos, e de um empresariado que só se interessa por enriquecer, ainda que às custas do empobrecimento geral da população e do país...

Hoje o Brasil nasce mais pobre, mais humilhado, sem esperanças, sem vontade sequer de lutar para salvar o seu destino. Em menos de dois anos essa população será compelida a votar para presidente da república, e tem, em Bolsonaro, essa personagem dos esgotos, esse ser abjeto e asqueroso, o seu principal concorrente. Enquanto isso, os partidos de esquerda, que apoiaram, vergonhosamente, os candidatos do Planalto nas eleições de ontem, dia 1º de fevereiro de 2021, se digladiam para pegar as sobras do poder que lhes resta dessa disputa vergonhosa... quem sabe, uma comissão na Câmara ou no Senado...

Ainda temos quase dois anos de mandato desses nazifascistas que percorrem as ruas das grandes cidades em carros barulhentos, com roupas verde-amarelo e bandeiras desse país, vociferando impropérios contra todos que não "rezam na mesma cartilha" de ódio, rancor e violência contra os Direitos Fundamentais da Pessoa Humana... Agora, mais do que nunca, as grandes florestas brasileiras, que já foram o "Pulmão do Mundo", estarão severamente ameaçadas por esse arremedo de ministro chamado Ricardo Salles. Agora, mais do que nunca, os programas sociais que ainda mantêm vivas essas pobres criaturas das ruas, dos becos, das favelas, serão esquecidas, definitivamente, em sua miséria e desconsolo...

Agora, acima de tudo, as populações indígenas e quilombolas serão submetidas às mais cruéis práticas de extorsão, catequização, evangelização, por uma horda de "missionários" que, desavergonhadamente, adentrarão seus territórios para roubar suas maiores riquezas: sua dignidade, suas tradições, suas culturas, seu saber ancestral e seu amor incondicional pelas florestas e animais selvagens... esses mesmos fanáticos evangélicos servirão de pano de fundo para a exploração descontrolada e fatal das riquezas naturais de nossas terras: exploração de ouro, diamante e outros minérios igualmente valiosos para aqueles ambiciosos e inescrupulosos personagens dessa sociedade corrupta...

O que nos reserva o futuro, se já não podemos contar com os políticos que nos governam? Qual será o destino desse povo que não tem motivos para sonhar com um futuro digno e justo? O que nós, reles mortais, sonhadores, pensadores, arquitetos das grandes ideias desse país, poderemos esperar para também dar esperança aos nosso filhos e netos? Somos herdeiros desse país comandado por tenentes, capitães, coronéis, generais, delegados de polícia, policiais federais, policiais militares e por todos aqueles cuja ÚNICA missão nessa vida deveria ser a de proteger seu povo, sua gente humilde, suas riquezas, suas belezas naturais, suas culturas peculiares, para que houvesse PAZ, AMOR, HARMONIA, JUSTIÇA, DIGINDADE e VIDA...

Já não tenho mais ESPERANÇA de ver essa NAÇÃO prosperar...


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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