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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

O desmonte de uma Nação

O Brasil já foi a oitava Nação do mundo ao término dos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro mandato de Dilma Lana Rousseff. Depois de apenas dois anos e meio de Bolsonaro, essa mesma Nação se tornou o 12ª país em Economia e um dos últimos em Democracia, sob ameaça real de um golpe militar com data marcada: outubro de 2022...


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Os pronunciamentos diários na cerquinha do Alvorada, o desprezo pela imprensa séria e responsável, as atitudes, os gestos, as ameaças, a submissão servil das Forças Armadas, o ocultamento dos crimes cometidos por ele e seus filhotes, a proximidade com a milícia, sempre envolvida com os crimes hediondos como o assassinato de Marielle Franco são a marca registrada desse facínora...

Sua proximidade com as igrejas evangélicas e seus líderes corruptos, a compra de parlamentares do Centrão, verdadeiros responsáveis pelos crimes da Lava Jato, a hipocrisia dos que votaram nele, mesmo sabendo de sua falta de caráter, de seu ódio contra negros, indígenas e mulheres, o comportamento irresponsável do agronegócio na expansão das fronteiras agrícolas e no uso indiscriminado de agrotóxicos, o oportunismo da FIESP, submissa aos interesses mesquinhos de suas lideranças igualmente corruptas demonstram, inequivocamente sua ganância pelo poder ...

A presença constante de fanáticos e histéricos "bolsominions" nas manifestações antidemocráticas, pregando o golpe militar, o fechamento do Congresso e a prisão de ministros do STF, a concentração crescente da riqueza nas mãos de poucos em detrimento da maioria da população, os empresários sulistas, cooptados para serem a tropa de choque do mau militar reformado, o desemprego acachapante, seu desprezo pela fome e a miséria devassam as artimanhas desse líder medíocre...

A destruição ostensiva e irreversível das políticas científicas, culturais, indigenistas, educacionais, ambientais e diplomáticas... esses são os sinais incontestáveis de que estamos no limiar de uma nova ditadura, mais cruel, mais burra, mais nojenta, mais pautada pelo ódio e pelo desprezo contra as minorias. Só não sabemos até onde, e por quanto tempo, estaremos sendo levados por esse psicopata.

Todo esse cenário de caos e terra arrasada, acobertado por uma Nação submissa, um povo iludido, um Exército comprado com cargos e soldos, evidenciam a fragilidade de uma Democracia que não sobreviveu por mais de 35 anos de reconstrução, lutas, debates e políticas humanistas e socialistas. Depois de 21 anos de ditadura militar e da promulgação de uma Constituição soberana, nascida de debates democráticos em um Congresso eleito pelo povo, o Brasil sucumbe à demagogia, à mentira, à farsa de um cidadão execrável, forjado nos porões dos torturadores, como Brilhante Ulstra, o algoz de Dilma Rousseff, idolatrado em concentrações frequentes dos nazifascistas que se arrastam, como vermes, a chamar de mito o monstro que nos devora nas catacumbas desse poder nefasto e podre...

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Em 2018 perpetrou-se o golpe, sob a bandeira brasileira ensanguentada das vítimas da ditadura, e por um slogan vexatório, apoiado pelos mais ricos e corruptos da Nação, como pastores e bispos evangélicos, enriquecidos com os dízimos e a miséria do povo beato e ignorante, os grandes empresários paulistas, acostumados com a manipulação do poder da FIESP, poderosos latifundiários do agronegócio, responsáveis pela devastação do Cerrado e da Amazônia para convertê-los em pastagens e campos de soja, mineradoras favorecidas com a política entreguista de Fernando Henrique Cardoso, como a Vale do Rio Doce, ambiciosos de explorar nossas riquezas em benefício de poderosas multinacionais, garimpeiros e grileiros, invasores das terras indígenas, cujas populações, cada dia mais ameaçadas, estão sendo cooptadas para destruir suas crenças, tradições, culturas milenares em troca de cestas básicas e da evangelização de sua gente por missionários despreparados e mal intencionados, com leituras rasteiras de suas bíblias encardidas e incompreendidas...

Diante das 500.000 mortes causadas pela pandemia e pelas infâmias desse falso militar (desprezado até pelo ditador Ernesto Geisel), Bolsonaro a chama de "gripezinha", enquanto estimula o uso da cloroquina, chama as vítimas de covardes por respeitar as regras de uso de máscaras, do isolamento social e do uso de álcool e higiene das mãos, e diz que quem tomar a vacina se transformará em "jacaré", e aqueles que temem a doença são "frouxos" ou "maricas", e tantas outras bestialidades inimagináveis... enquanto isso, o país já se encontra em plena campanha eleitoral, abortando um desgoverno que nunca começou de fato, e cuida de desconstruir as bases da Democracia, conquistada às custas de tanto terror, tantas mortes, tanta tortura... vinte e um anos de perdas irreparáveis, causadas por marechais e generais de cinco estrelas, pelo simples ódio aos comunistas, tratados como párias da sociedade por quererem uma sociedade mais justa, mais humana e mais igualitária!

Estamos a um ano e meio das próximas eleições, quando serão escolhidos o Presidente da República, metade dos Senadores, 513 deputados federais, os governadores e centenas de deputados estaduais. No entanto, as perspectivas são tenebrosas... a corrupção endêmica permanece ativa e cruel, e o Exército acaba de ficar de joelhos para um tenente convertido a capitão, depois de tramar pelas instituições militares para aumentar seus soldos, e inocentar o general Pazuello que, mesmo estando na ativa, compareceu a manifestações fascistas de Bolsonaro e sua gangue de malfeitores, clamando pelo fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, pela volta do Ato Institucional número 5 (AI-5) que, em 1968, autorizou as exceções antidemocráticas e desumanas, que desaguaram nos porões da ditadura e mantiveram todas as lideranças amordaçadas e submissas ao ódio dos generais.

O terror da ditadura está fartamente documentado em livros, vídeos, artigos e documentos produzidos pelos próprios militares brasileiros e norte-americanos, aliados do golpe e mentores intelectuais do terror dos porões, como o DOI-CODI, a Casa da Morte de Petrópolis, as dependências de tortura da Marinha, do quartel-general do 2º Exército em São Paulo e de tantos outros espalhados pelo país. Ainda que supostamente questionável a existência de grupos armados contra a ditadura militar, o poder institucional não pode torturar seres humanos sob nenhuma alegação ou justificativa!

Em outubro de 2022 presenciaremos à farsa das eleições (com ou sem voto impresso) e depois assistiremos, impotentes, à decretação do Estado de Sítio e a volta da ditadura, por fim desmascarada e convertida em Poder Absoluto por esse pária da Sociedade. Seus crimes passados serão apagados da memória e dos arquivos oficiais; seus filhotes serão empossados como ministros e assessores do novo governo civil-militar; seus aliados (bispos, pastores, ruralistas, empresários, evangélicos, inimigos dos indígenas, políticos corruptos e vendidos ao poder), e toda espécie de vendilhões acovardados estarão no Poder dos Gabinetes das Trevas, chafurdando na lama! Enquanto isso, o povo sofrerá as consequências de ter elegido um imbecil pela segunda vez (errar é humano?).

Se, hoje, LULA é o candidato mais próximo do poder, ainda teremos 12 meses para assistir, apáticos, à cooptação de todos os brasileiros para manter o poder do "mito" Bolsonaro. Mas, dessa vez, com poderes supremos, totalitários, incontestáveis, absolutos... e a Nação Brasileira deixará de existir como Nação livre... voltaremos a ser a República das Bananas; e assim como o Chavismo resultou no Bolivarianismo de Maduro, o Brasil se tornará a República Bolsonariana do Mito!... que tristeza...


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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