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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

...e a serpente entrelaça o país...

Não foi por falta de avisos, nem de evidências: seguimos o "chefe" às cegas, resvalando o abismo da ditadura a cada passo, ignorando o precipício que se agigantava diante de nossos olhos... as lições do passado não foram suficientes para impedir a tragédia que se avizinhava... agora pode ser tarde demais...


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Hoje é um dia triste para a Nação brasileira: enquanto, no Congresso, se discute a questão menor do voto impresso, ensaia-se, na Praça dos Três Poderes, um desfile de tanques de guerra, cavalaria, canhões e lançadores de foguetes, enquanto, nos céus de Brasília, caças da Aeronáutica reafirmam o uso indevido das Forças Armadas, numa "queda de braço" entre a Democracia incipiente e o Golpe Militar.

Mas essa pantomima não começou agora: em 2016 esse mesmo Congresso, embalado pela farsa da Operação Lava Jato, que condenou apenas o Partido dos Trabalhadores, enquanto se sabe que os articuladores das falcatruas do Petrolão envolviam todos os partidos, derrubou Dilma Roussef da Presidência da República. Naquela época, uma sórdida trama de partidos políticos do Centrão incitou o povo a aplaudir esse ato tresloucado do impeachment da Presidente, legitimamente reeleita pelo voto popular, dois anos antes, em meio a uma crise econômica internacional.

Dois anos depois, em uma eleição forjada pelas mentiras propagadas por uma milícia digital, comandada pelos filhos do então candidato, e por um estranho "atentado" jamais desvendado contra o atual presidente, Bolsonaro elege-se com 57 milhões de votos, em segundo turno, sem nunca ter participado de um debate público contra os demais candidatos. Isso ocorreu depois que um juiz de direito da Vara de Curitiba condenava Lula, extrapolando de seus poderes, decisão esta que foi referendada pelo Supremo Tribunal Federal, que também mandou prender Lula às vésperas das eleições.

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A Democracia brasileira não resistiu mais do que trinta anos, depois de 21 anos de ditadura militar. Em um governo tumultuado por preconceitos, incompetência, retrocessos ideológicos, crimes ambientais, desmontes de políticas públicas em favor de um conservadorismo extremo que beira ao fascismo, e acossado pela pior pandemia dos último cinquenta anos, o que prevaleceu foram as cenas explícitas de um ser malformado intelectualmente, através de suas bravatas diárias no "cercadinho" do Alvorada, de suas passeatas de motocicleta pelas ruas das capitais dos estados, de suas entrevistas grosseiras, enaltecendo a brutalidade de generais e coronéis que o antecederam.

Nesses tumultuados anos de desgoverno, o Meio Ambiente foi a principal vítima, com recordes sucessivos de devastação ambiental em nossas maiores reservas naturais, seguido pela Educação, nas mãos de um nazista declarado, e de um descontrolado e incompetente ministro das Relações Exteriores (e da tentativa frustrada de nomear o filhote do presidente, que mal sabe fazer hambúrguer, para a Embaixada nos EUA). Mas foram muitas as patacoadas desse ser minúsculo, intelectual e moralmente, em seus pouco mais de 900 dias de mandato. Nunca antes, na História desse país, tivemos uma figura tão controversa, tão minúscula intelectualmente, tão grosseira e tosca, incapaz de fazer um discurso decente nos palanques internacionais.

Agora, ameaçado pelo crescimento da popularidade do ex-presidente Lula que, finalmente, conseguiu no STF a anulação de todas as suas condenações e processos, quando a popularidade desse falso "mito" chegou em seu patamar mais baixo, quando seus crimes estão sendo devassados para a Opinião Pública, embora nenhum indiciamento tenha sido sequer encaminhado às Cortes máximas da Nação, agora que esse falso político sem partido, sem caráter e sem ideologia, vê suas possibilidades de reeleição minguarem a cada dia, e que uma Comissão Parlamentar de Inquérito chega a seus momentos finais com um enorme elenco de comprovações dos desmandos e crimes desse presidente, ele busca, desesperadamente, uma solução de ruptura da Lei e da Ordem, fazendo, das Forças Armadas, meros marionetes patéticos no cenário deplorável do Brasil diante da comunidade internacional.

Terá, esse figura menor, insignificante, mesquinha e medíocre, alguma possibilidade de contar com os generais para rasgar a Constituição Federal de 1988, chamada de "Constituição Cidadã", e produzida para eliminar, definitivamente, as sombras das Ditaduras Militares? Ou apenas mais um golpe, mais uma ruptura democrática estará sendo engendrada dentro das muralhas dos quartéis das três armas?

Caso seja esse o nosso destino, a escolha será sinistra, e ocorre, justamente, no instante em que o "IPCC — Intergovernmental Panel on Climate Change" alerta o mundo da tragédia final da Humanidade, a única espécie animal que terá sido capaz de extinguir-se pela sua própria incompetência em controlar seu crescimento demográfico e seu consumismo desenfreado, e em administrar o equilíbrio ecológico no único planeta onde podemos afirmar que existe vida inteligente... será mesmo?


João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte....
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