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O olhar perplexo de um Poeta diante da Vida

João Carlos Figueiredo

Um escritor, uma câmera: palavras ilustradas pela vivência cotidiana, cenários explicados pela expressão da alma... Artefacto servindo ao poeta: Arte e Foto num sincretismo que se entrelaça nas relações deste escritor com o mundo que o rodeia e perverte...

A FORMAÇÃO DE UM NOVO GOVERNO E O RESGATE DA CIDADANIA

Neste momento conturbado da política nacional, quando as instituições brasileiras se defrontam com o perigo de sucumbir ao fanatismo religioso de um déspota incompetente e primitivo, cumpre a nós a missão de orientar o Povo a salvar a Nação do obscurantismo e do CAOS!


Waimiri Atroari.JPG Aldeia indígena Waimiri Atroari, na divisa do Amazonas com Roraima.

O futuro presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, deverá estruturar seu ministério já de antemão, antes que sua candidatura e dos demais concorrentes se efetive perante a Justiça Eleitoral, para conquistar a confiança de todas as camadas da população, e para demonstrar seu compromisso com a Democracia, a Justiça Social, o Meio Ambiente e as instituições democráticas, representadas pelo Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Para isso, seus critérios de seleção para o cargo de vice-presidente devem ser claros, sólidos e focados no entendimento de que não se trata de um governo petista, mas de um projeto para a restauração da dignidade do Povo Brasileiro, pautado pela competência e pela união nacional. Para reforçar sua credibilidade, seria recomendável indicar uma mulher como vice-presidente, que seja combativa, de presença notória na sociedade e bem-sucedida em sua vida profissional, seja na política ou em outras atividades da vida pública nacional, como a Educação, a Saúde ou mesmo na área empresarial, como foi com José de Alencar em 2002.

A candidata preferida pelos candidatos e partidos políticos, Luíza Trajano, se evidencia por sua carreira no comando de uma das mais bem sucedidas empresas brasileiras, o Magazine Luíza. Certamente, todos os candidatos gostariam de tê-la como vice-presidente. Porém Lula tem o mérito de estar na vanguarda absoluta da disputa sucessória, com grande vantagem sobre a soma dos demais concorrentes já declarados, e com possibilidades incontestáveis de retornar, triunfante, à vida pública nacional em 2022. Como alternativa política de grande expressividade ideológica, recomendamos uma composição com Simone Tebet, do MDB, Eliziane Gama, do Cidadania, e Jandira Feghali ou Manuela D´Ávila, ambas do PCdoB, todas guerreiras e aptas a assumir a vice-Presidência da República junto a Lula.

Tivemos, no governo atual, uma demonstração enfática e incontestável de incompetência administrativa, somada a suas características de um indivíduo rancoroso, preconceituoso, medíocre, inexperiente e incapaz de representar nossa Nação perante o mundo civilizado.

O retrocesso foi tamanho que a qualquer candidato eleito, em menos de uma década será impossível recuperar tudo que foi perdido durante esse curto período de nossa história, seja nas áreas da Economia, da Educação, do Meio Ambiente, da Diplomacia, da Ciência e Tecnologia, da Infraestrutura e até mesmo da Política brasileira. Estamos, novamente, no “fundo do poço” da ignorância, do negacionismo e da mediocridade do fanatismo religioso.

É indispensável que o novo governo paute sua gestão na efetividade administrativa, reduzindo o “custo Brasil” já na formação dos ministérios, utilizando apenas os 13 pavilhões previstos no Plano Piloto da Capital Federal, suficientes para qualquer bom governante cumprir sua missão, sem compromissos com políticos do Centrão ou de qualquer outra linha pseudo-ideológica interessada apenas em usufruir dos “benefícios” escusos do poder.

Sugestões para a formação de um novo Ministério e suas pastas:

1. Economia e Planejamento

2. Educação, Cultura, Ciência & Tecnologia

3. Infraestrutura (Comunicações, Energia, Mineração e Transportes)

4. Indústria, Comércio e Serviços

5. Relações Internacionais (Exterior)

6. Agricultura, Pecuária e Abastecimento

7. Trabalho e Previdência Social

8. Saúde e Esportes

9. Erradicação da Pobreza

10. Habitação e Mobilidade Urbana

11. Defesa e Segurança Nacional

12. Justiça e Segurança Pública

13. Meio Ambiente e Sustentabilidade

A Casa Civil e o Gabinete de Segurança Presidencial seriam Secretarias subordinadas ao Gabinete da Presidência, este com status de ministro sem pasta. Os demais ministérios atuais seriam extintos e suas atribuições distribuídas pelos outros ministérios. Para evitar que novas mudanças espúrias sejam feitas no futuro, sem critérios técnicos e sem necessidade, uma profunda revisão na legislação pertinente seria elaborada, com orientação de renomados juristas de notório saber, e revisada pelo STF, estabelecendo regras rígidas para eventuais propostas de futuras mudanças constitucionais. É óbvio que são raros os países desenvolvidos que alteram suas estruturas de ministérios a cada eleição, como ocorre no Brasil. A cada alteração, os dados históricos de ministérios modificados são perdidos, impedindo, inclusive a análise histórica de seu desempenho.

As minorias étnicas, tais como os Povos Indígenas e Quilombolas, as comunidades ribeirinhas, os moradores de guetos e favelas, e os refugiados de países afetados por guerras e terrorismo seriam mantidos por Fundações autônomas, como são a Fundação Nacional do Índio (hoje subordinada ao Ministério da Justiça), a Fundação Palmares (hoje, pasmem, subordinada ao Ministério do Turismo!), e uma nova Fundação destinada a resgatar a cidadania e a dignidade das populações excluídas: moradores de ruas, das favelas e dos guetos do submundo da sociedade brasileira, cuja ajuda eventual, como a Bolsa Família e o Auxílio Brasil, são incapazes de solucionar seus problemas, mantendo-os como párias de uma sociedade injusta, desigual e imoral. É evidente que as causas dessas desigualdades e injustiças históricas jamais serão corrigidas com esmolas dadas pelos governos, para atender a interesses inconfessáveis! Todos os programas "sociais" criados nesses últimos 30 anos resultaram em nada! Esses zumbis humanos perambulam pelas ruas, pelos labirintos das favelas, pelos lixões a céu aberto, catando os restos dos "nobres cavalheiros" dessa sociedade hipócrita, que, mesmo sendo milionários, bilionários, jamais abririam mão de uma parcela ínfima de suas "rendas" para salvar essas almas desalentadas...

A composição das diretorias dessas fundações seriam escolhidas pelas suas respectivas lideranças, através de consultas públicas e votação exclusiva de membros das suas Associações, Cooperativas, Federações, Confederações e organizações afins.

Internamente, essas fundações passariam por transformações profundas, destinadas a eliminar as influências políticas em suas decisões, bem como para revisar suas missões, visões, valores e políticas voltadas ao resgate e à preservação de suas tradições, culturas, modos de vida, crenças e estruturas de poder internas e de relacionamento com a sociedade envolvente. Atualmente, tais territórios estão impregnados de padres, pastores e pregadores religiosos que só levaram à desagregação social desses povos da floresta.

Tais fundações, bem como a Embrapa, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Funasa, IBGE, Funarte, INSS, Universidades, Biblioteca Nacional, Museus Nacionais e outras instituições de cunho científico, cultural, econômico e educacional, seriam geridas pelos ministérios aos quais se subordinam, ou através de empresas gestoras de economia mista, com predomínio de capital público, mas com autonomia de gestão para decisões administrativas, financeiras e operacionais.

Na mesma linha, seriam propostas mudanças estruturais nas funções administrativas do Congresso Nacional para conter e controlar o número de partidos políticos e suas coalizões espúrias e oportunistas. Atualmente temos 33 (trinta e três) partidos políticos, a maioria sem nenhuma ideologia que os sustente. O ideal seriam 5 (cinco) partidos políticos, no máximo 7 (sete), que contemplassem todas as correntes ideológicas e suas nuances, cada qual com suas correntes internas, necessárias para acomodar divergências e lideranças.

Evidentemente, esse é um documento preliminar, provocativo e desafiador, para que a Sociedade brasileira restaure sua dignidade e seu verdadeiro amor pela sua Nação (e não pela pátria, uma visão territorial, de posse material), sem os matizes sectaristas, fascistas e pseudo-religiosos trazidos pela ignorância de seus líderes. Apenas para citar alguns de tais retrocessos, destacamos: a) armamentismo da população, com aumento da criminalidade e da violência urbana; b) estímulo ao ódio entre cidadãos e contra toda e qualquer forma diferente de pensar e de agir divergente; c) homofobia, misoginia, machismo e toda sorte de preconceitos medievais; d) crenças absurdas, como o terraplanismo e mutações genéticas causadas por vacinas; e) pregação religiosa e fanática contra qualquer manifestação cultural de cunho político-ideológico de caráter marxista.

A corrupção é endêmica em nosso país desde a chegada dos portugueses ao Brasil… todo Período Colonial, o Império, o golpe Republicano, a Ditadura Vargas, o governo de Juscelino Kubitschek e a Ditadura Militar de 1964 a 1985 foram caracterizados pela corrupção, pelo clientelismo e pelo favorecimento às classes sociais mais abastadas.

É lamentável que tenhamos chegado a tal ponto de primitivismo intelectual e de interferências políticas, depois de várias décadas de conquistas sociais, de crescimento econômico, de proteção ambiental e de debates profícuos da intelectualidade brasileira, graças aos períodos de FHC e LULA, do PSDB e do PT e seus aliados. Por outro lado, não há como dissociar esse retrocesso dos processos político, jurídico e ideológico provocados pelo STF, com apoio da PGR e da Polícia Federal, tendo como seus expoentes o Ministro Joaquim Barbosa, o Juiz Sérgio Moro e o Procurador Federal Deltan Dalagnol.

Em nenhum momento político de nossa História de exploração descontrolada dos recursos naturais, de escravidão de negros trazidos da África pelos portugueses e ingleses (da ordem de quatro milhões de vítimas), das invasões de franceses e holandeses, do genocídio dos Povos Indígenas (da ordem de cinco milhões de vítimas), em nenhum momento, como dizia, o Brasil teve a dignidade de fazer sua autocrítica e admitir que seu único propósito, como Nação, era a exploração imoral e indecente de seres humanos!

Hoje, os fanáticos bolsonaristas, os hipócritas megaempresários da FIESP/CIESP e os oportunistas latifundiários do agronegócio, se esquecem que, graças a eles, graças a seu enriquecimento imoral, hoje temos mais de quarenta milhões de seres humanos vivendo em condições deploráveis, passando fome, sem emprego, desesperados e sem um local digno para morar, vendo seus filhos abandonados à própria sorte, enquanto essa “elite” hipócrita se enriquece às suas custas, sofridos e humilhados pela sua “PÁTRIA AMADA BRASIL”!…


João Carlos Figueiredo

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